segunda-feira, 28 de março de 2016

Inscrições encerradas - Gostar de Ler


Este curso é um velho conhecido dos leitores mais antigos do blog. Ele foi o primeiro dos diversos que hoje oferecemos e surgiu como resposta a um convite do prof. Carlos Nadalim para que eu compartilhasse aquilo que sabia a respeito do assunto, uma vez que o sucesso obtido com meus próprios filhos fornecia um testemunho fiel acerca da qualidade dos nossos esforços.

Recentemente, por ocasião de diversos contatos de leitores com dúvidas a respeito do assunto e também de diversos questionamentos a respeito de como adquirir o curso, resolvemos abrir uma nova turma. As inscrições estão abertas desde já, dia 28 de março, até o dia 10 de abril.

O principal objetivo do curso é oferecer aos pais as ferramentas necessárias para que saibam conduzir seus filhos de maneira prazerosa na aquisição do hábito da leitura. O curso oferece também uma série de critérios sobre como selecionar as melhores obras para a formação das crianças. Além disso, são abordadas ainda algumas dificuldades comuns a muitas famílias, tais como a agitação das crianças, a impaciência, o vício em eletrônicos, etc. Por fim, além das 05 vídeo-aulas, oferecemos ainda um resumo com o conteúdo de cada aula e uma lista atualizada com mais de 100 títulos seguros, abrangendo várias idades, para você montar uma biblioteca de qualidade para os seus filhos.

Imediatamente após o encerramento do período de inscrições cada aluno receberá no email cadastrado no ato da compra o link para download de todo o conteúdo: as 5 aulas, os 5 resumos e a lista de livros.

O valor do curso é de R$ 120,00.

Escolha a sua opção de compra logo abaixo, clique e garanta a sua vaga.
;)

*** Inscrições encerradas ***
This entry was posted in

quinta-feira, 24 de março de 2016

Literatura de qualidade: a "margem de segurança" do homeschooling

Para quem me acompanha no facebook não é novidade: estamos já na etapa da revisão do livro Homeschooling católico - Um guia para pais, ou seja, se tudo der certo, até o final de abril entregaremos o livro àqueles que garantiram o seu exemplar. Tem sido uma pequena e recompensadora jornada, pois mais do que falar sobre homeschooling, este é um livro que aprofunda a fé católica, amarrando ambos os assuntos de uma maneira intensa e precisa.

Pois bem, relendo as páginas iniciais, deparo-me com algo que me tinha passado batido: dentre as várias respostas de um professor às mais comuns objeções contra o homeschooling, encontrei uma consideração interessantíssima a respeito da importância da literatura. E como este é um assunto recorrente em minha vida, não só porque é parte da rotina da minha família mas também porque muitas pessoas me escrevem pedindo dicas e buscando soluções para as suas dificuldades, resolvi compartilhar com vocês um pouco do que o referido professor disse.

Sabemos que o homeshooling envolve um mundo de coisas, não só em termos de conteúdos, mas também de habilidades, particularidades e circunstâncias de cada família, ou seja, mais do que lidar com aulas propriamente ditas, lida-se com vidas inteiras, em todas as suas dimensões, pois estamos tratando de nossos filhos no seio de nossa família. Contudo, mesmo que haja tantas coisas envolvidas e sobre as quais precisamos atentar, possibilitar à criança uma boa alfabetização e, posteriormente, um contato constante com literatura de qualidade é simplesmente essencial. Eu disse ESSENCIAL.

Não, o que digo não é exagero. Não, um grande talento científico ou matemático não pode servir como desculpa para que as letras e seu domínio sejam negligenciados ou mesmo substituídos. E isso por um motivo muito simples: o conhecimento e o domínio da língua mãe, bem como a formação de um imaginário rico e virtuoso, são as chaves que abrem todos os mundos, incluindo os científicos e matemáticos. Sem uma boa capacidade de leitura e de interpretação, problemas, hipóteses e teorias podem ser completamente  distorcidas ou incompreendidas, o que torna o talento, na melhor das possibilidades, subaproveitado, e, na pior, inútil.

Agora, porém, vem a consideração própria do professor, sobre a qual eu ainda não tinha pensado: uma boa alfabetização e um programa de literatura de qualidade (de qualidade mesmo) cria uma espécie de "margem de segurança" ao redor da criança. Em que sentido? No sentido de que, mesmo nos casos daquelas famílias em que os pais, atingido determinado ponto da formação dos pequenos, não conseguem ir muito adiante ou não são naturalmente talentosos sobre aquela área, a boa preparação literária permite que a criança adquira um excelente desempenho no assunto por conta própria.

Sim, o autodidatismo é um dos nossos objetivos aqui em casa, e sabíamos que o alto desempenho em leitura e interpretação é um dos caminhos para alcançá-lo, mas eu nunca havia pensado em termos de "margem de segurança", como uma espécie de "garantia" contras as limitações paternas. Claro, uma coisa são limites efetivos, outra é preguiça. E é evidente que tal "margem" só pode e deve ser utilizada depois que a criança já avançou bastante em idade, em conteúdos e em domínio dos mesmos, caso contrário, incentivada precocemente a lidar com desafios que estão acima da sua capacidade, ela obterá apenas frustração e sofrimento desnecessário.

Para melhor ilustrar o que quero dizer quando falo em literatura de qualidade, deixo abaixo a lista dos livros que a Chloe (que está com dez anos) deverá ler ao longo deste ano, o que também poderá ser útil a outros pais com crianças da mesma idade -- vale notar, no entanto, que aqui não estão incluídos nem os livros selecionados espontaneamente por ela (que sempre acrescenta obras de Monteiro Lobato e curiosidades aleatórias), nem o livro de estudo (Os Lusíadas), nem os livros que leio para todos eles à noite:

  • Oliver Twist, de Charles Dickens (já concluído);
  • O caçador, de James Fenimore Cooper (já concluído);
  • O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper;
  • A comédia dos erros, de Shakespeare (já concluído);
  • Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne;
  • Da terra à lua, de Júlio Verne;
  • Tarzã dos macacos, de Edgar Rice Burroughs;
  • Kim, de Rudyard Kipling;
  • O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper;
  • Um conto de Natal, de Charles Dickens.
Também fazemos alguns exercícios de interpretação de texto e resumos, para termos a certeza de que ela está compreendendo corretamente e sabendo expressar adequadamente aquilo que leu.

Enfim, mais do que ampliação de vocabulário e enriquecimento do imaginário, mais do que formação do caráter e aquisição de cultura, a boa literatura também é o passaporte para o autodidatismo e a garantia de que nossos filhos conseguirão ir mais longe do que nós.


PS: Se o caso do seu filho é totalmente diferente, isto é, se ele não gosta de ler e você não sabe mais como incentivá-lo na aquisição deste hábito, por favor, escreva para o email encontrandoalegria@gmail.com Nos próximos dias abrirei uma nova turma do curso "Ensine seus filhos a gostar de ler" e ao enviar o email você não perderá nenhum aviso a respeito.

terça-feira, 22 de março de 2016

domingo, 20 de março de 2016

Como o cristão deve decidir sobre a educação dos seus filhos

Uma miríade de perguntas povoa a mente dos pais que cogitam praticar o homeschooling, muitas das quais, às vezes, alimentadas mais pela imaginação do que pela carência de conhecimento a respeito de determinados aspectos da questão, isto é, mesmo sabendo como as coisas usualmente transcorrem, o fato de não "dar o passo" sempre de novo renova os mesmos medos.

Porém, independentemente da dúvida, do medo, da insegurança, do quanto se sabe e do quanto se ignora, acredito que toda a questão educacional, para além do próprio homeschool, deva ser inserida em um quadro maior, e este quadro é o da fé. Na verdade, para o cristão, toda a sua vida deve ser inserida, compreendida, decidida e explicada a partir disso, mas vou restringir meu post ao âmbito educacional.

Quando recebemos nossos filhos, pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, recebemos um dos maiores, senão o maior, desafio de nossas vidas. Não se trata simplesmente de estudar e trabalhar para manter são o corpo de nossas crianças, mas sobretudo de fazer o mesmo com respeito às suas almas, afinal, nossa responsabilidade, embora restrita a um determinado tempo na vida de nossos filhos, repercutirá sobre a eternidade, marcará nossas crianças para sempre, muito provavelmente influenciando sobre o seu destino eterno. Assim, zelar por sua educação, em seu sentido mais amplo possível, é nosso dever, um dever instituído pela natureza e pelo próprio Deus.

Todas as dúvidas e certezas, todas as indecisões e decisões, devem, portanto, ser consideradas desde tal balança, não somente desde o prato da natureza, do corpo, da necessidade física, mas também a partir do prato divino, da alma, da necessidade espiritual. Logo, na prática, a questão do homeschool não pode ser pensada pelo cristão simplesmente em termos de "terei condições intelectuais de ensinar?", "terei problemas com meus familiares ou com a justiça?", "meu filho será capaz de conviver com os demais de maneira adequada ou se tornará alguém retraído?", mas, principalmente nos seguintes termos: "a que tipo de coisa estarei permitindo que meu filho seja submetido se ele for (ou permanecer) para a escola?", "quais serão os frutos disso em seu coração?", "como responderei diante de Deus sobre isso, considerando que sei da possibilidade de escolher algo diferente?". Eis a perspectiva correta, o ângulo essencial que iluminará com a luz adequada e suficiente tudo o mais, embora nem sempre com a velocidade que desejamos.

É claro que o fato de ponderarmos levando tudo isso em conta não é garantia de que todas as dúvidas sumirão da nossa mente instantaneamente ou que jamais cometeremos erro algum (somos humanos, não?), mas é garantia de que estaremos desempenhando, dentro das nossas limitações, da melhor maneira possível, o nosso dever, um dever antes de tudo para com Deus, mas também um dever para com alguns dos nossos próximos mais próximos, os nossos filhos. Por causa disso poderemos ter a certeza de que não estaremos sozinhos, seja qual for a circunstância, mas contaremos, felizmente, com a ajuda do maior interessado em todos nossas vidas: o próprio Deus.


O julgamento final, de Jean Cousin.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Uma nova etapa no homeschooling brasileiro

Post originalmente publicado no facebook, mas que achei que vocês iriam gostar de saber. ;) 

Agora mesmo, lá na GHEC, Gustavo provavelmente está apresentando em primeira mão nosso mais novo projeto, o "Prudens Simplicitas", que marcará o início de uma nova etapa no movimento homeschooler brasileiro.
O “Prudens Simplicitas” (diretamente inspirado na passagem do Evangelho de São Mateus, cap. 10, v. 16b: "Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas") será o primeiro think tank de homeschooling do Brasil, isto é, o primeiro evento voltado para a troca de informações altamente qualificadas para a capacitação das famílias na luta pelos seus direitos, incitando à organização e à mobilização de lideranças homeschoolers por todo o país.
Até o momento, já temos os seguintes palestrantes confirmados, além de mim e do Gustavo: Cristian Derosa (Rádio VOX), Guilherme Ferreira (CitizenGO), Rafael Falcón (Curso de Latim Online), Alexandre Magno e Rick Dias (ANED), Paulo Fernando II (Instituto Conservador de Brasília) e Miguel Nagib (Escola Sem Partido). Ainda restam alguns nomes a serem confirmados.
Por último, para facilitar o acesso das famílias e agilizar a disseminação das informações, o "Prudens Simplicitas", ao menos nesta primeira edição, será online e gratuito, de modo que ninguém, nenhuma família homeschooler que queira fazer mais pelo movimento em nosso país, terá desculpas para ficar de fora.
Em breve trarei mais informações.
Vamos? :)

terça-feira, 8 de março de 2016

A mulher artificial e a luta pela mulher verdadeira

Dias atrás, uma aluna marcou-me em um post de uma entrevista da feminista Elisabeth Batinder. Eu não a conhecia e, apesar dos visíveis problemas em sua argumentação, fiz o esforço de ouvi-la até o fim. Antecipo que a entrevista completa renderia páginas e páginas de refutação, pois está repleta de falácias, mas circunscrevo aqui minhas objeções à tese, apresentada logo ao início e que me parece fundamental, de que não existe instinto materno.

Batinder começa afirmando seu prazer em observar os pais e mães às voltas com os seus filhos nos parquinhos europeus, e que por conta desse hábito, acabou percebendo nos rostos das mães o quanto elas parecem entediadas e alienadas naquele mundo materno. Até aí, nada de errado, afinal, quantos de nós já não vimos algo assim ou não nos sentimos assim? No entanto, após um salto argumentativo olímpico, ela conclui, com base em tal observação, que, obviamente, a maternidade não é uma coisa natural para a mulher como o é para as macacas, de modo que, realmente, algo como "instinto materno" é uma mentira da cultura patriarcal que sempre lucrou com a opressão da mulher. Para embasar sua teoria, Batinder resolve reinterpretar a história desde o século XVII até os nossos dias, excluindo, obviamente, por um lado, Deus (e a religião), e, por outro, a natureza (uma existencialista heideggeriana?).

O livro que apresenta a teoria de Batinder não é recente. "O mito do amor materno" teve sua primeira edição em 1981. Não é difícil concluir, portanto, que as observações nas quais a autora se baseou remontam majoritariamente ao período das décadas de 60 e, principalmente, 70, isto é, imediatamente posterior às revoluções sexual e estudantil que convulsionaram a cultura ocidental no século XX. Salientar este aspecto não é sem importância, pois foi a partir deste recorte espaço-temporal que Batinder viu-se em condições de criar uma regra geral pretensamente válida universalmente. Mas será que as coisas são mesmo assim? Quem é a mulher ocidental e, mais especificamente, a européia, pós-revoluções da década de 60?

A mulher ocidental pós-revoluções de 60 é a mulher que testemunhou a banalização do divórcio e a ruína de sua família, que experimentou maconha, cocaína e LSD, que ingressou nas seitas new age, que reivindicou igualdade entre os sexos, que lutou por espaço no mundo do trabalho e que praticou o chamado sexo livre, isto é, o sexo sem compromisso, meramente recreativo, com quantos quisesse e quando quisesse. Ou seja, esta não é uma mulher normal, historicamente falando, mas uma mulher que sofreu, em um curtíssimo espaço de tempo, o impacto intenso de um grande número de mudanças dramáticas em seu modo de ser. E, de lá para cá, tais tendências e práticas tornaram-se mais e mais comuns, de maneira que o que inicialmente parecia exceção acabou por tornar-se regra.

Como, portanto, essa mesma mulher, ao descobrir-se mãe e ser de todo absorvida pela maternidade não pareceria entediada e alienada ao cuidar de suas crianças em um parquinho, já que seus filhos são o resultado indesejado de "uma transa" qualquer? Como não encarar a vida dura e rotineira do dia a dia familiar com uma disposição semelhante àquela do beberrão que sofre com a enxaqueca no dia seguinte ao porre? Como harmonizar as promessas mentirosas dos revolucionários com as verdades simples do cotidiano sem grande dose de frustração e ressentimento? E como hoje, passado meio século, não ouvir as afirmações de Batinder sem que elas soem repletas de verdade e respaldadas pela realidade que nos circunda?
Repito, no entanto, a pergunta que fiz acima: será que as coisas são mesmo assim? E acrescento: teria Batinder desmascarado a mentira ancestral que nos aprisionou durante tanto tempo?

A resposta é simples: não. A mulher "sem instinto materno", a mulher "vítima do patriarcado", a mulher "entediada e alienada na vida doméstica" é a mulher estrategicamente planejada pelos revolucionários em sua luta pela destruição da "família burguesa". De modo algum essa mulher, que infelizmente corresponde a quem muitas de nós nos tornamos nos dias atuais, é fruto espontâneo da história, resultado do natural desenrolar dos eventos, nascida de suas escolhas e decisões. Não. Ela é uma mulher artificial, postiça, fabricada, desenhada para a sua própria destruição e daqueles que estiverem sob o seu controle. (Para conseguir compreender de fato o que estou dizendo seria necessário um parênteses enorme para explicitar muito da história da origem do movimento feminista -- não como as feministas o contam, adulterando o passado, mas como ele foi de fato --, entretanto, este não é o assunto do post e não há espaço suficiente aqui para tanto).

Agora, todavia, surge o dilema: uma vez que essa mulher artificial tenha se tornado a regra em nossos dias, onipresente ao nosso redor e também entronizada em nosso interior, como conseguir discernir a mulher verdadeira, aquela que se manteve basicamente a mesma ao longo dos séculos, dos milênios, que era feliz por ser quem era e sustinha a própria sociedade ao assumir seu papel no coração da família? Expandindo nosso horizonte histórico, olhando para além do que a viseira revolucionária nos permite ver, reunindo uma amostra variada de mulheres exemplares que, na peculiaridade de suas vidas individuais, dão testemunho de realizar à perfeição, apesar de seus limites, aquilo para que foram criadas por Deus. Sim, Deus e a natureza precisam voltar a participar de nossa vida e de nossa cosmovisão. Não há outro modo para retomar o fio da meada da história; não há outro modo de livrar-se do feminismo; não há outro modo de restaurar a feminilidade como ela de fato é e de encontrar alegria nisso.

O trabalho é árduo. Exige esforço, pesquisa, e principalmente o afastamento de uma série de hábitos e -- muito provavelmente -- de companhias que nos puxam em direção ao automatismo e à artificialidade do discurso feminista contemporâneo. Mas vale a pena. Reencontrar-se, redescobrir-se e poder desfrutar com maturidade das dificuldades e alegrias reservadas ao sexo feminino é um presente especial destinado àquelas que não querem mais a farsa, que não querem reinventar a roda, que não querem negar a história, que não querem negar a natureza, que não querem negar o instinto, que não querem negar a Deus. Assim, Elisabeth Batinder que me desculpe, mas mesmo debaixo de tantas camadas acumuladas em meio século de farsa e de loucura, a mulher verdadeira nunca deixou de existir em cada mulher individual: é preciso decidir-se por ela e, mais do que nunca, em nossos dias, por ela lutar.