segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ajude o homeschooling brasileiro

Pessoal, a ANED está fazendo um levantamento a respeito do número de famílias praticantes do homeschooling em nosso país. Como todos vocês sabem, vivemos um momento crucial na história do movimento aqui no Brasil, um momento no qual precisamos assumir nossas responsabilidades publicamente, dando a cara a tapa, e onde a covardia e o comodismo só nos prejudicará.

Por favor, se você pratica o homeschooling, mesmo que seus filhos ainda não estejam em idade escolar (afinal, eles poderiam estar numa creche, não é?), CLIQUE AQUI e responda ao questionário. Ele é bem breve, não é obrigatório colocar o nome dos pais e a lista ficará em poder da ANED, ou seja, é uma enquete segura.

Pelos nossos filhos e netos, pelas famílias, pela liberdade, pelo Brasil!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Homeschooling e adolescência: será que dá certo?

A maioria das famílias que inicia a caminhada homeschooler e têm filhos adolescentes obviamente não os educou em casa desde sempre. Assim sendo, para além das dificuldades comuns a todas às demais famílias (materiais, organização da rotina doméstica, etc), há ainda o hábito da vida escolar adquirido e reforçado ao longo de anos e, consequentemente, os vínculos com os colegas.

Diferentemente das crianças menores, o adolescente, pelo próprio período em que vive, descobre-se em um momento no qual os pares passam a ter uma importância maior do que até então possuíam. Deste modo, uma das principais razões para resistência ao homeschooling por parte dos filhos nessa faixa etária pode ser justamente a falta do convívio social, a saudade do tempo com os colegas.

No entanto, isso não precisa ser o fim de tudo, especialmente quando sabemos que a qualidade das amizades em nossas escolas não raras vezes é mais maléfica do que benéfica, mais prejudicando a formação do caráter dos nossos filhos do que os aprimorando de algum modo. Pensando nisso, deixo aqui alguns modos de contornar essa dificuldade, suprindo a necessidade de convívio social sem abrir mão do homeschooling:
  1. Convide algum(ns) bom(ns) amigo(s) (mas bom(ns) mesmo, decente(s), confiável(is)) para fazer alguma das aulas junto com os seus filhos, de preferência sobre alguma disciplina que os interesse realmente (artes, química, física, etc);
  2. Promova sessões de cinema na sua casa de tempos em tempos;
  3. Leve os seus filhos para fazer alguma atividade que envolva outras pessoas (aulas de música, alguma atividade física, oficina de origami, etc);
  4. Mas, sobretudo: procure outras famílias homeschoolers, se possível com crianças em uma faixa etária próxima das suas, com quem possam estreitar o convívio. Este é um vínculo fundamental, pois todos vocês, e não apenas as crianças, poderão se enriquecer por meio dele. Com o tempo os pais poderão organizar acampamentos com os meninos, enquanto as mães poderão organizar grupos de artesanato ou o que tiverem vontade de compartilhar e ensinar às crianças;
  5. Se ainda não houver nenhuma família homeschooler por perto, na sua cidade ou região, busque por elas pela internet, troquem correspondências (cartas mesmo!), lembrancinhas da sua região e combinem um encontro presencial em algum período do ano. Eis aí uma boa ocasião para praticar caligrafia e cultivar uma amizade à moda antiga. ;)
  6. Convide-os para algum trabalho voluntário, engaje-os nas tarefas da casa, no negócio da família, recompense-os pelos seus desempenhos e responsabilidades. Assim consegue-se tirar um pouco o foco do costumeiro "nada fazer" com os amigos e introduz-se algo de útil e relevante para a vida; 
  7. Finalmente, tenha paciência, persevere, converse. Não bata de frente o tempo todo. Negocie, concilie e, tanto quanto possível, ofereça aos seus filhos os desafios que eles precisam para seguir adiante rumo à vida adulta, pois nem a infância nem a adolescência são fins em si mesmos, mas etapas provisórias em direção à maturidade e à autonomia da adultez.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Novos movimentos no caso Valentina Dias, junto ao STF

Compartilho aqui três posts meus, originalmente publicados no facebook, que atualizam os interessados em homeschooling no mais importante caso que tramita junto ao STF atualmente. Aos que desconhecem a questão, deixo aqui o link para o processo na íntegra.
Pessoal, más notícias. Minutos atrás, Alexandre Magno postou em sua página aqui no facebook: "Ontem, uma dúzia de estados requereram conjuntamente ao STF a declaração de inconstitucionalidade da educação domiciliar. O que eles tanto temem? Será o homeschooling algo tão ameaçador? De qualquer forma, que venham os Golias!" Urge que nos reunamos, se possível de modo presencial, em orações pela causa do homeschooling. Estou procurando maiores detalhes sobre a situação. Assim que possível publicarei tudo aqui.

Pessoal, o que aconteceu foi o seguinte: 18 estados, e também o Distrito Federal, representados pelas suas respectivas procuradorias, pediram ingresso como amicus curiae junto ao processo da garota Valentina Dias, que tramita no STF. Já no primeiro parágrafo eles deixam claro a sua posição: contrariedade total ao homeschooling.
Como acompanhamos de perto a questão aqui no Rio Grande do Sul, local de origem do processo, sabemos que as procuradorias, na maioria dos casos, são militantes, e estão muito mais interessadas na defesa da agenda de determinados grupos do que na representação de seus estados e do seu povo. Assim sendo, a iniciativa é de autoria de "lideranças" pontuais, não refletindo a opinião e os anseios das pessoas de carne e osso que se vêem no dilema de, ou cederem à pressão e enviar seus filhos para escolas que não se tornaram outra coisa além do exemplo perfeito do completo desprezo ao conhecimento, à verdade, ao respeito e à civilidade, ou ingressarem no homeschooling, resgatando uma responsabilidade que, em verdade, jamais deixou de ser sua.
Para quem quiser conferir a petição dos estados, deixo aqui o link para download do arquivo diretamente do meu dropbox.
Repito o que venho dizendo: é o momento de fazermos o máximo possível e o melhor pelo homeschooling, cada um à sua maneira, para que ganhemos mais e mais uma imagem favorável diante da opinião pública. No entanto, TODOS os cristãos, homeschoolers ou simpatizantes, sem exceção, têm o dever de interceder a Deus pela causa. É a liberdade de nossas famílias o que está em jogo e não podemos ceder um milímetro! Fé e coragem, amigos!
Uma das influências mais nocivas que existem e das quais precisamos nos afastar sem titubeio é a dos covardes. O covarde muitas vezes costuma posar de sensato, de esperto ou até de sábio, mas a verdade é que o que o move é puro egoísmo: ele avalia o desafio que tem diante de si por aquilo que pode lucrar ou perder com ele, e não pela justiça do mesmo, pelo senso de dever, por amor ao próximo ou a Deus.
Situações como a relatada anteriormente, que descortinam um horizonte desfavorável, servem para nos ajudar nessa peneira: mostram quem está nisso por realmente acreditar que, mais do que trazer benefícios à sua família, o homeschooling é um dever de amor dos pais pelos filhos em obediência a Deus; e quem está "não estando", quem está com um pé dentro e outro fora, quem, diante da menor pressão e contrariedade, entrega os pontos e acaba achando que o importante mesmo é não arranjar confusão. Com respeito a estes, recomendo com veemência: cubram os ouvidos quando eles falarem!, distanciem-se!, afastem-se!
Quem sabe que luta pelo que é certo e justo, sabe que tem Deus ao seu lado e que, portanto, não há o que temer, seja quais forem os resultados. Afinal, "se Deus é por nós, quem será contra nós?" Romanos 8: 31b


Aos que quiserem juntar-se a nós em oração, deixo aqui o link para o evento que criei.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A educação perfeita

Um dos sentimentos mais comuns entre pais e mães homeschoolers é a insegurança: "será que este é o melhor caminho/método/momento/professor/material didático?". Sem dúvida trata-se de um sentimento perfeitamente normal, dadas as circunstâncias em que nos encontramos, seja enquanto indivíduos ou enquanto povo. No entanto, há um engano que pode ser suscitado pela própria insegurança e pelo respectivo desejo de livrar-se dela: a fantasia de que é possível alcançar um nível em que ela suma por completo da nossa vida e, no caso, da nossa prática enquanto homeschoolers.

Listo abaixo algumas considerações que acredito que sejam importantes a todos os que querem praticar uma boa educação domiciliar sem cair na tentadora fantasia da ausência total de insegurança:


  • A primeira delas é o fato de que todos nós recebemos uma formação deficiente, mesmo aqueles que se especializaram na área educacional. E isso não é uma crítica aleatória contra o sistema. Não. Basta que sejamos sinceros e assumamos nossas próprias limitações e carências. Porém, se ainda assim isso não for o suficiente, basta que consideremos as posições que alcançamos nos rankings internacionais de educação. Assim, precisamos abandonar a idéia de que nossos títulos garantem alguma coisa de significativa quando decidimos assumir a responsabilidade pela educação dos nossos filhos.
  • A segunda é o fato de que não há nenhum material brasileiro (ao menos não que eu conheça) que seja excelente, realmente muito, muito bom. Todos ficam entre razoáveis e péssimos. Portanto, também precisamos abandonar a idéia de que encontraremos algo, ao menos até o tempo presente, que nos satisfaça completamente e sobre o qual podemos ficar inteiramente descansados, pois o material dará conta de tudo.
  • A terceira coisa, e mais importante na minha opinião, é o fato de que não existe algo como "a educação perfeita". Toda educação é uma escolha, uma decisão por um determinado viés, por uma determinada perspectiva. Assim, algumas coisas sempre serão mais enfatizadas em detrimento de outras. Além disso, há um elemento complicador inabarcável: a criança. Simplesmente não temos como prever todas as repercussões que as nossas escolhas educacionais terão na formação de nossos filhos. Em outras palavras, precisamos abandonar a idéia de que, com o tempo, chega-se a um ponto de segurança total, de previsibilidade total, de nenhuma chance de erro. As crianças, como pessoas que são, também fazem suas escolhas e têm as suas características únicas, coisas que muitas vezes nos escapam. E não poderia ser de outro modo, pois tanto elas quanto nós, precisamos chegar a um ponto em que os nossos limites sejam expostos e, por consequência, a nossa profunda necessidade de Deus. Em resumo, precisamos mesmo buscar fazer o melhor, sempre pesquisando, sempre nos aprimorando e atualizando, todavia, quanto ao mais, convém nos entregarmos à providência divina, pois só ela tem todas as variáveis em suas mãos.