domingo, 20 de março de 2016

Como o cristão deve decidir sobre a educação dos seus filhos

Uma miríade de perguntas povoa a mente dos pais que cogitam praticar o homeschooling, muitas das quais, às vezes, alimentadas mais pela imaginação do que pela carência de conhecimento a respeito de determinados aspectos da questão, isto é, mesmo sabendo como as coisas usualmente transcorrem, o fato de não "dar o passo" sempre de novo renova os mesmos medos.

Porém, independentemente da dúvida, do medo, da insegurança, do quanto se sabe e do quanto se ignora, acredito que toda a questão educacional, para além do próprio homeschool, deva ser inserida em um quadro maior, e este quadro é o da fé. Na verdade, para o cristão, toda a sua vida deve ser inserida, compreendida, decidida e explicada a partir disso, mas vou restringir meu post ao âmbito educacional.

Quando recebemos nossos filhos, pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, recebemos um dos maiores, senão o maior, desafio de nossas vidas. Não se trata simplesmente de estudar e trabalhar para manter são o corpo de nossas crianças, mas sobretudo de fazer o mesmo com respeito às suas almas, afinal, nossa responsabilidade, embora restrita a um determinado tempo na vida de nossos filhos, repercutirá sobre a eternidade, marcará nossas crianças para sempre, muito provavelmente influenciando sobre o seu destino eterno. Assim, zelar por sua educação, em seu sentido mais amplo possível, é nosso dever, um dever instituído pela natureza e pelo próprio Deus.

Todas as dúvidas e certezas, todas as indecisões e decisões, devem, portanto, ser consideradas desde tal balança, não somente desde o prato da natureza, do corpo, da necessidade física, mas também a partir do prato divino, da alma, da necessidade espiritual. Logo, na prática, a questão do homeschool não pode ser pensada pelo cristão simplesmente em termos de "terei condições intelectuais de ensinar?", "terei problemas com meus familiares ou com a justiça?", "meu filho será capaz de conviver com os demais de maneira adequada ou se tornará alguém retraído?", mas, principalmente nos seguintes termos: "a que tipo de coisa estarei permitindo que meu filho seja submetido se ele for (ou permanecer) para a escola?", "quais serão os frutos disso em seu coração?", "como responderei diante de Deus sobre isso, considerando que sei da possibilidade de escolher algo diferente?". Eis a perspectiva correta, o ângulo essencial que iluminará com a luz adequada e suficiente tudo o mais, embora nem sempre com a velocidade que desejamos.

É claro que o fato de ponderarmos levando tudo isso em conta não é garantia de que todas as dúvidas sumirão da nossa mente instantaneamente ou que jamais cometeremos erro algum (somos humanos, não?), mas é garantia de que estaremos desempenhando, dentro das nossas limitações, da melhor maneira possível, o nosso dever, um dever antes de tudo para com Deus, mas também um dever para com alguns dos nossos próximos mais próximos, os nossos filhos. Por causa disso poderemos ter a certeza de que não estaremos sozinhos, seja qual for a circunstância, mas contaremos, felizmente, com a ajuda do maior interessado em todos nossas vidas: o próprio Deus.


O julgamento final, de Jean Cousin.

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