quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Homeschooling e adolescência: será que dá certo?

A maioria das famílias que inicia a caminhada homeschooler e têm filhos adolescentes obviamente não os educou em casa desde sempre. Assim sendo, para além das dificuldades comuns a todas às demais famílias (materiais, organização da rotina doméstica, etc), há ainda o hábito da vida escolar adquirido e reforçado ao longo de anos e, consequentemente, os vínculos com os colegas.

Diferentemente das crianças menores, o adolescente, pelo próprio período em que vive, descobre-se em um momento no qual os pares passam a ter uma importância maior do que até então possuíam. Deste modo, uma das principais razões para resistência ao homeschooling por parte dos filhos nessa faixa etária pode ser justamente a falta do convívio social, a saudade do tempo com os colegas.

No entanto, isso não precisa ser o fim de tudo, especialmente quando sabemos que a qualidade das amizades em nossas escolas não raras vezes é mais maléfica do que benéfica, mais prejudicando a formação do caráter dos nossos filhos do que os aprimorando de algum modo. Pensando nisso, deixo aqui alguns modos de contornar essa dificuldade, suprindo a necessidade de convívio social sem abrir mão do homeschooling:
  1. Convide algum(ns) bom(ns) amigo(s) (mas bom(ns) mesmo, decente(s), confiável(is)) para fazer alguma das aulas junto com os seus filhos, de preferência sobre alguma disciplina que os interesse realmente (artes, química, física, etc);
  2. Promova sessões de cinema na sua casa de tempos em tempos;
  3. Leve os seus filhos para fazer alguma atividade que envolva outras pessoas (aulas de música, alguma atividade física, oficina de origami, etc);
  4. Mas, sobretudo: procure outras famílias homeschoolers, se possível com crianças em uma faixa etária próxima das suas, com quem possam estreitar o convívio. Este é um vínculo fundamental, pois todos vocês, e não apenas as crianças, poderão se enriquecer por meio dele. Com o tempo os pais poderão organizar acampamentos com os meninos, enquanto as mães poderão organizar grupos de artesanato ou o que tiverem vontade de compartilhar e ensinar às crianças;
  5. Se ainda não houver nenhuma família homeschooler por perto, na sua cidade ou região, busque por elas pela internet, troquem correspondências (cartas mesmo!), lembrancinhas da sua região e combinem um encontro presencial em algum período do ano. Eis aí uma boa ocasião para praticar caligrafia e cultivar uma amizade à moda antiga. ;)
  6. Convide-os para algum trabalho voluntário, engaje-os nas tarefas da casa, no negócio da família, recompense-os pelos seus desempenhos e responsabilidades. Assim consegue-se tirar um pouco o foco do costumeiro "nada fazer" com os amigos e introduz-se algo de útil e relevante para a vida; 
  7. Finalmente, tenha paciência, persevere, converse. Não bata de frente o tempo todo. Negocie, concilie e, tanto quanto possível, ofereça aos seus filhos os desafios que eles precisam para seguir adiante rumo à vida adulta, pois nem a infância nem a adolescência são fins em si mesmos, mas etapas provisórias em direção à maturidade e à autonomia da adultez.

Um comentário:

  1. Bom dia, este artigo tirou algumas dúvidas sobre Homeschooling e adolescência, pois minha filha de 14 anos, perdeu a motivaçao para seguir estudando. Ela passou por muitas escolas, devido as várias mudanças de residência que tivemos que fazer por conta do trabalho do meu esposo.Assim, ela passou por várias escolas e acabou tendo dificulade para "fazer amigos". Na última escola surgiram vários problemas até que consegui uma vaga em um Colégio Católico( aqui em Espanha o homeschooling nao foi legalizado). Cheguei a pensar que tudo iria melhorar.Porém, minha filha nao conseguiu se adpatar já que os alunos estavam em um outro nível. Ela perdeu completamente a motivaçao para estudar. Sempre estavamos auxiliando ela em seus estudos. Neste momento chegamos em um ponto em que ela me liga da escola inventando uma desculpa para que eu a leva para casa. Suspendeu várias matérias, o que lhe causa muita frustaçao, já que até hoje nao tinha repetido nenhum ano. Nao estou preocupada com seu desempenho escolar neste momento, já que a saúde dela é o mais importante.Pensei em solicitar ao psicologo um afastamento da escola, e juntos em casa poderíamos estudar e nos apresentar aos exames. Meu maior problem aé que nao sei mais o que fazer para motivá-la. Obriga por seus posts!

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