domingo, 3 de janeiro de 2016

Deus, maternidade e os lobos em notas soltas

Mais alguns posts de facebook que valem o compartilhamento por aqui. ;)

I.
Quando compreendemos com todo o nosso coração que cada filho que nos chega não é o mero resultado da cópula, um produto biológico da mistura de pai e mãe, mas uma criatura trazida à vida exclusivamente por vontade divina, e da qual o aspecto físico é apenas a pequena parcela visível a que temos acesso, paramos de nos preocupar com dinheiro, com parto, com casa, com enxoval, com roupas, com o que quer que seja e abraçamos a vontade de Deus cheios de amor, gratidão e confiança. Sim, não basta que haja material genético, biológico, humano para que a vida se faça: o essencial, isto é, a vida propriamente dita, não vem de nós, mas de Deus. Quando compreendemos isso, percebemos que Ele, e não nós, é o maior interessado e o maior responsável pelo surgimento da nova pessoa que se anuncia, de modo que, se Ele a quer, se Ele a deseja, se Ele a ama com um amor imensurável e enviou o Seu Filho para salvá-la, quem somos nós para nos inquietarmos e nos amedrontarmos diante do que quer que seja? Deus cria, Deus governa, Deus ama. Nós apenas cooperamos, ou não, com o processo.II.
E quando compreendemos isso (que cada filho é fruto da vontade criadora e amorosa do próprio Deus), é inevitável chegarmos à conclusão de que todos, TODOS eles, cada um ao seu modo, são bênçãos com propósitos únicos na história humana, por pequenos ou grandes que sejam. Como não se sentir honrada por poder participar, ainda que de modo pequeno e imperfeito, de tão incomparável empreendimento divino?! Como não se sentir, ao mesmo tempo, pequena, pela quantidade de coisas que independem de nós na criação de um filho, e grande, por participar de algo desejado pelo Rei do universo?! O que são as dificuldades dessa vida diante disso?! O que é o sono, a fome, o cansaço, a dor temporários diante da chance de tornar-se a matriz terrestre de almas eternas, ajudando-as a crescer e sendo por elas ajudado a vencer-se?! Nada. Nada. Nada. E mais(!): como cogitar restringir o número daqueles com que Deus sonha desde sempre?! Esta, penso eu, é a última fronteira para a fé da mulher contemporânea, a verdadeira entrega irrestrita nos braços de Deus.III.
Não nos admiremos nem nos amedrontemos quando nos encontrarmos diante de um padre, monge, bispo, frei ou pastor que nos censurar por cuidarmos de nossa família e por sermos mães de muitos filhos em lugar de "construirmos uma carreira promissora", sobretudo se contarmos com a total anuência de nosso marido. Judas Iscariotes não estava, afinal, entre os doze discípulos de Jesus? Em outras palavras, não devemos nos surpreender ao encontrar homens ímpios entre os líderes da Igreja. Rezemos por eles, para que se convertam enquanto ainda têm tempo, pois eles realmente precisam, e prossigamos em paz, certas de que antes de agradar ao mundo e as suas modas, é preferível agradar a Deus.

4 comentários:

  1. Difícil dizer o quão maravilhoso é ler estas palavras! :)

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  2. Parabéns Camila! Me emocionei muito com um vídeo teu sobre homeschooling na confraria de artes liberais. A tentação de colocar a carreira profissional e acadêmica acima de tudo é grande! Mas conhecer mulheres como você me inspira a retornar, dia após dia, ao propósito eterno do meu Criador. Deus os abençoe!

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  3. Camila desde ontem estou passeando pelo seu blog e admirada e inspirada por tudo que tens escrito. Sou católica, mãe de 4 filhos lindos enviados por Deus. Suas palavras caíram como acalento em meu coração, pois, hoje mesmo em uma recaída estava pensando se não deveria voltar ao trabalho, pois, fazem 3 anos que abri mãe dele para ser mãe em tempo integral. Obrigada por dividir conosco sua linda jornada nesse mundo. Que Deus os abençoe.

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  4. EXCELENTE TEXTO!
    Embora o mundo não nos compreenda, ter filhos é ter a honra participar, "ainda que de modo pequeno e imperfeito" da criação. Muito obrigado pelas tuas palavras que conseguem traduzir o que pensam aqueles que ainda acreditam na importância da família numerosa, se for a vontade de Deus.
    Este texto me fez lembrar as palavras de S. Josemaria Escrivá:
    "Medo aos filhos? Não! Deveis ter muito amor de Deus, e muito agradecimento quando Ele vos manda essas criaturas. Tantas vezes quantas venha uma criança à vossa família, outras tantas há uma prova de confiança do Senhor. (...) Meus filhos que estais unidos pelo Sacramento do Matrimônio, querei-vos de verdade, com todas as suas consequências; estais tranquilos, serenos, dispostos a todos os sacrifícios, que além disso se converterão em alegrias, porque não vos faltará ajuda do Senhor para levar para frente a vossa família.”
    Participar da criação é "prova de confiança do Senhor". Que saibamos honrar esta confiança firmes na fé de que não nos faltará auxílio do céu para guiarmos nossas famílias.
    Mais uma vez, parabéns pelo belo e oportuno texto.

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