quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Meu conto de Natal favorito

Hoje à noite, por ocasião do Natal, interromperemos a sequência da nossa leitura noturna do momento para lermos aquele que é o meu conto de Natal favorito. Aos que quiserem fazer o mesmo, deixo-o copiado abaixo. Tenho certeza absoluta de que não haverá razões para arrependimento. :)

Um feliz Natal a todos! Que o Menino Deus nos inspire para que em 2016 sejamos corajosos como Ele sempre foi, para que lutemos por aquilo que, mais que nosso direito, é nosso divino dever: educar nossos filhos.




O Gigante egoísta, de Oscar Wilde.

Todas as tardes, quando voltavam da escola, as crianças costumavam ir brincar no jardim do Gigante.

Era um belo e vasto recanto, coberto de grama verde e macia. Aqui e ali, por sobre a relva, apontavam lindas flores, semelhando estrelas. Havia doze pessegueiros que, na primavera, se abriam em delicada floração de cor rosa e pérola; no outono, ficavam carregados de deliciosos frutos. Os pássaros, pousados nas árvores, cantavam tão docemente que as crianças costumavam interromper os seus brinquedos para escutá-los.
-- Quão felizes somos aqui! -- diziam entre si.
Um dia o Gigante regressou. Fora visitar um amigo, o papão da Cornualha, hospedando-se em casa deste durante sete anos. Decorrido esse tempo, dissera tudo quanto tinha a dizer, visto que sua conversa era pouca; e resolveu retornar ao seu próprio castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.
-- Que estais fazendo aqui? -- gritou-lhes, com voz bastante ríspida.
A criançada deitou a correr.
-- Meu jardim é meu jardim. Todos sabem: não permito que ninguém, a não ser eu mesmo, brinque nele -- resmungou consigo.
E ergueu uma alta muralha à volta do vergel, afixando a tabuleta de aviso:


OS INVASORES SERÃO PROCESSADOS


Era um Gigante deveras egoísta.
As pobres crianças não tinham, agora, onde brincar. Experimentaram fazê-lo na estrada, mas esta era poeirenta e cheia de pedras ásperas; não gostavam dela. Ao término das aulas, costumavam perambular à volta das altas muralhas, conversando sobre o lindo jardim que havia ali dentro.
-- Como éramos felizes ali! -- diziam-se.
A primavera chegou, então, e, por todo o campo, surgiram florzinhas e pássaros. Apenas no jardim do Gigante Egoísta era inverno ainda. Nele as aves não queriam cantar, pois não havia crianças, e as árvores não se lembraram de florir. Certa vez, uma linda flor pôs a cabeça para fora da grama; avistando, porém, a tabuleta, sentiu tanta pena dos infantes que se enfiou, novamente, de mansinho, no solo, e adormeceu. Os únicos seres satisfeitos eram a Neve e a Geada.
-- A primavera esqueceu-se deste jardim -- disseram. -- Por conseguinte, ficaremos aqui durante o ano todo.
A primeira cobriu a relva com seu extenso manto branco, e a segunda tingiu as árvores de prata. Em seguida, convidaram o Vento do Norte para vir ter com elas, e este veio. Envolto em casaco de pele, zunia o dia inteiro pelo vergel, derribando as chaminés.
-- É um lugar aprazível -- falou-lhes o Vento. -- Devemos convidar o Granizo para uma visita.
Este último também veio e, todos os dias, durante três horas, tamborilava no telhado do castelo, até que fendeu a maior parte das telhas; e passou, então, a correr à volta do jardim tão rápido quanto era capaz. Vestia-se de cinzento e seu hálito era que nem gelo.
-- Não compreendo porque a primavera está demorando tanto para vir -- murmurou consigo o Gigante, ao postar-se à janela, olhando lá fora o seu vergel branco e triste. -- Espero que o tempo mude.
A primavera, porém, jamais veio, e tampouco o verão. O outono trouxe dourados pomos a todos os jardim, mas ao do Gigante, nem um sequer.
-- É egoísta demais -- justificou.
De modo que ali era sempre inverno; e o Vento do Norte, o Granizo, a Geada e a Neve dançavam por entre as árvores.
Certa manhã, o Gigante achava-se desperto, na cama, quando ouviu uma linda melodia. A música soou-lhe tão agradavelmente aos ouvidos que pensou fossem músicos reais passando. Na verdade, era apenas um Pintarroxozinho que cantava, fora de sua janela; fazia, porém, tanto tempo desde que ouvira um pássaro cantar, em seu jardim, que lhe pareceu ser a mais linda melodia do mundo. O Granizo parou, então, de saltitar sobre o telhado, e o Vento extinguiu o seu rugido; pela janela aberta, vinha-lhe um delicioso perfume.
-- Creio que, por fim, a Primavera chegou -- disse consigo, saltando da cama.
E olhou para fora... Mas o que via?!
Um quadro maravilhosíssimo! A criançada entrara furtivamente no jardim, através dum pequeno buraco na muralha, e estava sentada nos galhos das árvores. Em cada uma destas, havia uma criança. E as árvores estavam tão contentes por entreterem, de novo, a petizada, que se tinham coberto de flores e meneavam delicadamente os ramos por sobre as cabecinhas infantis. Os pássaros esvoaçavam dum lugar a outro, chilreando de prazer; as flores erguiam os olhos, por entre a grama verdejante, e riam. Uma linda cena; apenas num canto ainda era inverno, no trecho mais afastado do vergel; nele, havia um rapazinho em pé, tão pequeno que não lograva alcançar os galhos da árvore, e vagueava à volta desta, chorando amargamente. A pobre árvore ainda se encontrava coberta de neve e geada; o Vento Norte soprava, zunindo, sobre ela.
-- Sobe, rapazinho! -- instava a árvore, abaixando os galhos tanto quanto podia.
Mas o menino era muito pequeno.
O coração do Gigante comoveu-se àquela cena.
-- Quão egoísta tenho sido! -- disse. Compreendo, agora, porque a primavera não quis vir aqui. Colocarei aquele rapazinho no lato da árvore; depois, com uma pancada, derrubarei a muralha, e meu jardim será, para sempre, um parque infantil.
Lastimava, realmente, o que fizera.
Cuidadoso, desceu ao rés-do-chão, abriu a porta da frente bem devagar, e saiu para o jardim. Mas, avistando-o, as crianças atemorizaram-se de tal forma que todas elas deitaram a correr; e eli tornou a ser inverno, novamente. Só não correu o rapazinho, pois tinha os olhos inundados de lágrimas, a ponto de não notar a aproximação do Gigante. Este chegou, de mansinho, por trás do menino e, erguendo-o nas mãos, com brandura, colocou-o na árvore, que se enflorou no mesmo instante, e os pássaros vieram e cantaram, pousados em seus ramos. O rapazinho, estendendo os braços, lançou-os em torno do pescoço do Gigante, a quem beijou. As demais crianças, ao perceberem que o homenzarrão já não era ruim, voltaram correndo; com elas, voltou também a primavera.
-- Este jardim agora é vosso, meninos -- disse-lhes o dono do castelo.
E tomando dum enorme machado, pôs abaixo a muralha.
Ao ir à feira das doze horas, o povo deparou com o Gigante a brincar com as crianças no mais lindo vergel jamais visto. Estas brincaram o dia todo e, ao cair da noite, foram despedir-se de seu benfeitor, que lhes perguntou:
-- Onde está o vosso companheirozinho, o que pus na árvore?
O Gigante amava-o mais que aos outros, pois que dele recebera um beijo.
-- Não sabemos -- responderam-lhe. -- Ele sumiu-se.
-- Deveis dizer-lhe que não deixe de vir amanhã.
As crianças, porém, retrucaram-lhe que desconheciam onde morava o referido rapazinho e que nunca o tinham visto antes. O benfeitor entristeceu-se muitíssimo.
Todas as tardes, ao terminar das aulas, os petizes iam brincar com o Gigante; mas aquele a quem este amava, jamais foi visto outra vez. O Gigante era bastante gentil para com todas as crianças; contudo, sentia saudades de seu primeiro amiguinho e mencionava-o muitas vezes.
-- Quanto eu gostaria de vê-lo! -- costumava dizer.
Passaram-se os anos. O Gigante ficou bem idoso e alquebrado. Já não lhe era possível brincar por ali, de modo que permanecia sentado numa enorme cadeira de braços, vendo os folguedos infantis e admirando o seu jardim.
-- Tenho um mundo de flores lindas -- dizia consigo --, mas as crianças são as mais lindas flores de todas.
Numa manhã de inverno, ao vestir-se, olhou para fora da janela. A esse tempo, não mais detestava o inverno, pois sabia que era apenas a primavera adormecida, e que as flores respousavam.
Subitamente, esfregou os olhos, admirado, firmando a vista. Era, sem dúvida, um esplêndido cenário! No canto mais afastado do jardim estava uma árvore toda coberta de lindas flores brancas; seus galhos eram de ouro e deles pendiam pomos prateados; e, debaixo da árvore, o rapazinho que ele tanto amava!
Transbordante de alegria, correu para o rés-do-chão e dali para o jardim. Correu mais depressa ainda por sobre a grama, e aproximou-se do menino. Ao chegar-lhe bem perto, o rosto do Gigante tornou-se rubro de cólera.
-- Quem ousou magoar-te? -- perguntou-lhe, pois nas palmas das mãos do menino havia sinais de dois pregos cravados, sinais que se repetiam em seus pezinhos.
Insistiu:
-- Quem ousou magoar-te? Dize, para que eu possa pegar da minha espada e matá-lo.
-- Não! -- respondeu-lhe a criança. -- São estigmas do Amor.
-- Mas, quem és? -- tornou a indagar o Gigante.
Foi tomado, então, dum estranho temor, caindo de joelhos diante da criancinha, que lhe disse, sorrindo:
-- Deixaste-me brincar uma vez em teu jardim; pois, hoje, irás comigo ao meu, que é o Paraíso.
Ao voltarem, correndo, naquela tarde, as crianças encontraram o Gigante morto, sob a árvore, e todo coberto de flores brancas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O dia em que a família ficou em segundo lugar


Ontem pela manhã estivemos reunidos com representantes da Associação dos Procuradores do Estado do RS (a APERGS) exigindo a retratação do procurador Luis Carlos Kothe Hagemann. Para quem não sabe, o procurador Hagemann solicitou, na qualidade de representante do estado do Rio Grande do Sul, o ingresso como amicus curiae no caso da menina Valentina Dias, uma homeschooler que recorreu ao STF para garantir o seu direito de ser educada em casa. O caso é seríssimo, pois o seu resultado repercutirá sobre todas as famílias homeschoolers do Brasil. Para quem quer saber mais, ficam aqui os links:
qual foi o problema com a petição do procurador, como foi o primeiro encontro com a procuradoria e a nossa petição pública pela retratação do procurador.

Mas voltando ao início, chegamos, na reunião de ontem, com um grande atraso. Embora tenhamos saído de casa com tempo de sobra, ficamos trancados num engarrafamento na BR-116, na região de São Leopoldo, por muito tempo. Assim, quando finalmente conseguimos chegar ao prédio da Assembléia Legislativa, a reunião já havia começado. Entramos, sentamos e aguardamos calados. Quem estava com a palavra era a procuradora, alegando o direito à liberdade de expressão do procurador Hagemann. Segundo ela, a opinião do procurador de que a educação serve para proteger os filhos dos pais é um direito dele, de modo que não haveria motivo algum para retratação.

Em seguida, quem passou a falar foi o deputado Tiago Simon, explicando, ao que parecia não ser a primeira vez, o fato óbvio de que o procurador pode e deve ter suas opiniões respeitadas, mas que elas não foram solicitadas e não são convenientes em uma petição na qual ele está exercendo a função de representante do governo de um estado. Tiago prosseguiu com firmeza, alegando que o argumento da procuradora era uma mera defesa corporativista e falta de humildade. Ao término ele passou a palavra para Gustavo, para que falasse um pouco sobre homeschooling.

Gustavo, após apresentar-se, iniciou relatando os números aproximados de famílias homeschoolers no país e no estado, passando em seguida aos países nos quais o HS é legal, e, por último, contando um pouco da nossa trajetória familiar e mostrando alguns materiais. A procuradora reconheceu o seu desconhecimento sobre o assunto e questionou a razão de o HS não ser reconhecido em nosso país. Gustavo pôde explicar a modificação pela qual a Constituição de 88 passou, priorizando o dever do estado no oferecimento da educação escolarizada às crianças em detrimento da prioridade da escolha da família. Por último, Gustavo, assumindo o óbvio (isto é, o direito que cada um tem às próprias opiniões), advertiu aos procuradores que caso o procurador Hagemann não venha emitir uma retratação pública a respeito daquela passagem extremamente infeliz da sua petição (pois o que está em questão não são as suas convicções pessoais, mas o exercício indevido de sua função), ele será acionado judicialmente por danos morais coletivos, bem como a própria Procuradoria e o governo do estado do Rio Grande do Sul.

Como último recurso os procuradores começaram a discorrer sobre o quanto eles pessoalmente discordam da posição do procurador, sobre o quanto ele tem sofrido retaliações nas redes sociais, sobre o quão acessível e boa pessoa ele é, o quanto eles não têm o que fazer embora tentem conversar com o colega mas não têm como garantir nada e blá, blá, blá. Em outras palavras, a reunião descambou para aquele clima vaselínico do "deixa disso". O deputado Tiago Simon advertiu-os que dessem um jeito, pois a situação não ficaria por isso mesmo e a imagem da procuradoria seria severamente comprometida diante de todas as famílias brasileiras, repetindo também que eles agiam por corporativismo e eram incapazes de humildade.


Eu, de minha parte, fiquei em silêncio por quase todo o tempo, envolvida que estava com o cuidado do Nathaniel. Minha única intervenção, um tanto destemperada pela perplexidade diante de tanta hipocrisia, foi perguntar aos procuradores se eles não tinham família
. Definitivamente, diplomacia e sutilezas no trato ao vivo não são para mim.

Para encerrar, amigos, fica aqui o meu apelo para que vocês rezem para que Deus ilumine o procurador Hagemann, para que ele caia sem si, retroceda de sua decisão de publicizar suas opiniões pessoais em locais indevidos e retrate-se como convém. Não estamos aqui para uma queda de braços e aceitaremos alegres a sua retratação (caso ela venha), mas estamos aqui para que o respeito pela instituição mais importante de toda e qualquer sociedade em todos os tempos e lugares seja respeitada. Contamos com vocês!
Deixo aqui também o nosso agradecimento sobretudo ao deputado Tiago Simon, que mostrou-se totalmente comprometido conosco, homeschoolers, e também com a defesa da família. Muito obrigada também à presença e apoio da deputada Liziane Bayer, e ao deputado Marcel van Hatten, que mesmo não estando presente mandou representantes seus em apoio à nossa causa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Feminismo? Não, obrigada.

Ontem à noite, eu, Aline Brodbeck e Carol Balan participamos do programa ELAS, o espaço feminino do Terça Livre, falando sobre "carreira profissional vs. casamento e filhos", o assunto do encontro. Contamos para Cínthia Tonani e Laíza Helena um pouco das nossas experiências, tanto no mundo do trabalho como na família, compartilhamos algo das nossas compreensões acerca do atual estado de coisas no universo feminino e também um pouco do nosso trabalho. Quem quiser conferir, aqui está o vídeo do hangout. ;)


Links mencionados no programa:

sábado, 12 de dezembro de 2015

Governo deixa família em "milhões de pedaços”



A Suécia, um país elogiadíssimo entre nós, brasileiros, pela honestidade de seus políticos, pela liberalidade do estilo de vida dos seus cidadãos e pelo seu laicismo, há sete anos mantém cativo o menino Domenic, que nunca mais pôde ver seus pais, sob a alegação de praticar a perigosíssima educação domiciliar.

Sem sombra de dúvida, uma das histórias mais tristes que já acompanhei. Uma história que mostra bem o quanto um Estado de poder incontrolável (o sonho de todos os esquerdistas) não dá a mínima para os indivíduos, muito menos para as crianças, e se precisar destruí-las não pensará duas vezes.


Tradução de Mariana Belmonte


Corte não autoriza que pais homeschooolers sequer 
vejam o filho sequestrado pelo Estado.


A Suprema Corte sueca recusou-se a deixar que o casal Johansson visse seu filho de 14 anos de idade, que foi basicamente “sequestrado pelo estado” e levado por assistentes sociais quando ainda tinha apenas 7 anos de idade, simplesmente porque era educado em casa.

A notícia sobre a decisão vem da Home School Legal Defense Association (HSLDA, Associação Americana de Defesa Legal de Homeschoolers) que, junto com outros grupos, incluindo a Aliança em Defesa da Liberdade (ADF, Alliance Defending Freedom) e a advogada Ruby Harrold-Claesson, do Comitê Nórdico de Direitos Humanos, tem trabalho no caso envolvendo o menino Domenic Johansson.

Ele, com então sete anos de idade, foi tirado à força de um vôo comercial em que estava com seus pais de mudança da Suécia para a Índia, país natal da mãe. As primeiras alegações foram de que ele era educado em casa, o que era legal na Suécia naquele momento, embora oficiais tenham acrescentado alegações de que suas vacinas não estavam em dia e que ele precisava de obturações em seus dentes.

O site WND (World Net Daily) noticiou dias atrás que a família estava pedindo à Suprema Corte do país para revisar o que havia descrito como um ataque vicioso à família por oficiais do governo. Os pais, Christer e Annie Johannson, não têm a custódia do seu filho desde que ele foi levado pela polícia e assistentes sociais, e não estão sequer autorizados a vê-lo desde 2010.

Harrold-Claesson informou à HSLDA que a corte recusou o apelo. Ela disse que a corte respondeu quase imediatamente após o registro do apelo, indicando que a rejeição já estava preparada de antemão. “Esta decisão não é realmente uma surpresa”, ela disse ao HSLDA, “porque o sistema sueco defende seu poder sobre cada indivíduo, e defende seus agentes mesmo quando cometem os menores crimes.”

Michael Donnelly, diretor da Organização Internacional de Alcance Global dos Homeschoolers, disse: “Este é mais um exemplo da mesma indiferença fria e insensível da Suprema Corte Sueca que vimos no passado. Esta corte teve múltiplas oportunidades de corrigir uma grave injustiça, e em todas as vezes eles se recusaram.” Ele continua: “O governo sueco destruiu esta família e, tristemente, mesmo que a corte concordasse em ouvir o caso e rever a decisão, o dano já foi causado e é vitualmente irreparável.”

Os pais ainda vivem na ilha de Gottland e presumem que seu filho more na mesma região sob custódia do governo, mas eles nunca foram autorizados a visitá-lo. Há dois meses, Christer postou no Facebook que era aniversário de Domenic: “Nós gostaríamos de parabenizá-lo, mas não podemos, ou, para dizer a verdade, não somos autorizados.”

Donnelly diz que o trabalho em nome dos Johanssons continuará. “É a coisa certa a se fazer e, com isto, poderemos ajudar outras famílias. Mas a realidade dura e fria é que a família Johansson foi, como o próprio Christer disse uma vez, ‘partida em um milhão de pedaços’. Nossos corações também devem se solidarizar com esta família e com outras que lidam com situações similares.”

Roger Kiska, o consultor senior da ADF, afirma que o caso revela a severidade da condenação européia ao homeschooling, a exemplo de Adolf Hitler, um dos primeiros a banir a educação domiciliar e requerer que os estudantes estivessem sob doutrinação do governo durante seus anos formativos. “Domenic deveria ter sido devolvido à família há muito tempo, se não fosse a severidade burocrática do sistema Sueco de Proteção da Criança”, ele diz. “O comportamento dos oficiais do governo tem sido repreensível, e o fato de que a Corte Européia de Direitos Humanos não tenha se engajado neste caso é preocupante.” Ele ainda diz que sua organização continuará a chamar a atenção do governo sueco para que “corrija esta injustiça”.

O site WND relatou o caso no seu começo e há uma semana reportou que os advogados da família estavam argumentando que “a declaração de Direitos Humanos das Nações Unidas reconhece a família como a unidade fundamental da sociedade com direito à proteção do estado e também contra ele.”

A HSLDA resumiu o caso: assistentes sociais que estavam enfurecidos com a educação domiciliar, que era legal na Suécia naquela época, usaram a polícia para levar o menino à força e depois acrescentaram alegações de que havia problemas com as suas vacinas e seus dentes. Então, assistentes sociais, ajudados pelas cortes locais, simplesmente mantiveram Domenic sob guarda do estado. “Imagine morar a apenas algumas milhas do seu filho mas ser impedido, pela autoridade do governo, de sequer vê-lo por muitos anos”, diz a HSLDA. “Essa é a trágica história da família Johansson, que educava em casa na Suécia quando decidiram se mudar para a Índia, país de origem de Annie Johansson. Os três estavam sentados em um vôo comercial em Junho de 2009 quando, momentos antes da decolagem, policiais e assistentes sociais embarcaram no avião e levaram Domenic à força.”

Depois de anos de lutas na justiça, em dezembro de 2012 a corte transferiu a custódia de Domenic para o estado, e a Corte Européia de Direitos Humanos rejeitou os apelos submetidos para seus oficiais. A decisão mais recente do corpo internacional de direitos humanos diz que “os aplicantes falharam no cuidado físico e psicológico de Domenic.” Ela ainda alega que Domenic “não foi autorizado pelos pais a ir para a escola” e estava “isolado”.

O WND também noticiou que especialistas legais argumentaram que os oficiais suecos violaram múltiplos direitos humanos, garantidos em tratados internacionais dos quais o governo sueco é parte: o direito dos pais de dirigir a educação de seus filhos e a vida familiar, o direito ao devido processo legal, à livre movimentação e outros.

“A apreensão da criança sem uma ordem judicial válida, retirada de um avião em que estava legalmente autorizada a estar, a detenção em guarda estatal sem praticamente nenhum contato com sua família e, finalmente, a rescisão dos direitos paternos são claras violações dos direitos humanos básicos.”, diz Michael Farris, fundador e diretor da HSLDA e mestre em direito público internacional pela Universidade de Londres.

Oficiais suecos se recusaram várias vezes a responder às perguntas do WND. Inúmeros especialistas e advogados descreveram o incidente do avião como um exemplo descarado de “sequestro pelo estado”.

Quando uma decisão favorável aos pais foi emitida pela corte durante o andamento do caso, os oficiais do governo simplesmente mantiveram a custódia de Dominic até conseguirem que a decisão fosse revertida.

Como a WND tem noticiado por anos, a família Johansson não está sozinha na batalha contra as autoridades suecas pelo direito de educar em casa. Muitas famílias já fugiram para outros países, inclusive a de Jonas Himmelstrand, chefe da Associação Sueca de Educação Domiciliar (ROHUS), que foi para a Finlândia com sua esposa e filhos.

Texto original em:http://www.wnd.com/2015/12/government-leaves-family-broken-into-a-million-pieces/#W2kQVTGyzTDjLpKJ.99

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Muito prazer, meu nome é Megera

Seremos injustos se apontarmos o feminismo como a origem do problema da confusão hierárquica nas famílias (e, consequentemente, na sociedade): esta é, possivelmente, uma das mais antigas estratégias postas em execução contra a humanidade. Se não acredita, confira lá no Livro do Gênesis. O diferencial em nossos dias é que agora o que era exceção tornou-se regra, de modo que a maioria de nós já não sabe o que convém ao seu papel, o que compete à sua alçada (para não mencionar os casos em que já nem se acredita em papéis e alçadas distintas, mas esse é um outro assunto), exercendo de maneira angustiada, confusa, aleatória ou inconsciente os seus deveres.

Hoje mesmo recebi (mais) um e-mail de uma mãe que não sabe o que fazer para controlar o desejo que os filhos têm de assistir televisão. Dias atrás uma outra mãe procurou-me sem saber o que fazer para conseguir com que os filhos escovassem os dentes. Houve ainda o caso de alguns que relutavam em estudar. Em outra ocasião... Bom, melhor parar por aqui porque a lista é longa e vocês já captaram o que quero dizer, isto é, tornaram-se preocupantemente mais frequentes os casos de mães que não sabem o que fazer para conduzir os filhos e, mais grave ainda, que não têm certeza de que o modo como tentam fazê-lo é o correto.

As justificativas para o desnorteamento das mães são muitas: segundo elas, se as crianças não obtém o que desejam, choram, fogem, brigam, fazem escândalo, o clima na casa torna-se péssimo, dizem que as odeiam e por aí vai. Em outras palavras, apesar das muitas pretensas causas, tais mães caíram na boa e velha chantagem emocional (o que é suficiente para que de algumas de nós mergulhem numa espiral de dúvidas e incertezas cada vez mais profunda e devastadora emocionalmente). Mas, caso queiramos entender mais do que o modo como fomos cair nesse truque pra lá de conhecido, aprendendo principalmente como evitá-lo, comecemos pelo começo:
  1. Crianças não são anjos. Crianças são... humanos.
    É essencial que as mães saibam que nós, seres humanos, somos criaturas decaídas, ou seja, a imperfeição, depois da imagem e semelhança de Deus, é o nosso sinal mais característico. Aí você me responde: ah, mas isso eu sei, né Camila! E eu respondo: sabe mesmo? Então por que você se surpreende quando seu filho não se comporta como um anjo? E mais: por que você perde o controle? É comum, ao pensarmos em queda, em pecado, que voltemos nossa atenção para o universo adulto, afinal, é a ele que pertencemos e é isso o que somos. Porém, é simplesmente fundamental termos bem claro diante de nós que esse traço constitutivo da humanidade inclui as crianças. É óbvio que os pecados da infância são bem menos graves que os da adultez (e devem ser, pelo amor de Deus!), mas ainda assim estão lá, a tendência desde sempre está lá, a inclinação ao que é ruim, à rebeldia, à mentira, ao descontrole está todinha lá dentro, e cabe a nós, como responsáveis instituídos por Deus do seu cuidado, ajudá-las a evitar o que é mau e a procurar o que é bom. Tal tarefa inclui coisas bem concretas: não deixá-las assistir os desenhos que quiserem quando e o quanto quiserem; não deixá-las comer besteiras até que vomitem; não deixá-las sem banho até que criem feridas; não deixá-las sem estudo até que comecem a falar "pobrema" e tudo o que saibam sejam letras de funk. É, eu sei, não é fácil. Mas é seu dever e você prestará contas dele a Deus um dia. Assim, chegamos ao ponto seguinte:
  2. Não seja amiga. Seja mãe.
    Muitas de nós, confundidas pelos ventos da época em que vivemos, não raras vezes totalmente perdidas até mesmo a nosso próprio respeito, acabamos agindo como quem procura nas crianças a aceitação e a reciprocidade de amigos em lugar do respeito e do carinho de filhos, e precisamente por isso viramos reféns das chantagens emocionais que eles nos fazem. Mães, por favor, pelo amor de Deus, pelo seu bem e da sua família, coloquem as seguintes palavras no descanso de tela dos computadores, tablets e celulares de vocês, no maior tamanho de fonte possível e em vermelho: EU NÃO SOU AMIGA DOS MEUS FILHOS: SOU A MÃE DELES! Sim, muito prazer, meu nome é Megera, mas agora preste atenção: uma vez que você admite que o seu trabalho é cuidar dos seus filhos para que eles não virem pequenos demônios tirânicos (lembra da queda?), mas crianças felizes, alegres e obedientes, você precisa admitir também que não pode deixá-los entregues às suas próprias vontades, não é mesmo? E se você admitir ambas as coisas, então será obrigada a concluir que muito provavelmente será forçada a contrariá-las em diferentes situações. E, sim, isso é cansativo, repetitivo, desgastante, mas... é a vida e faz parte do seu dever. Com isso tudo eu não quero dizer, obviamente, que você deva ser inimiga dos seus filhos. É lógico que não. Mas amar um filho é um trabalho que envolve a imposição de limites, além de muito afeto, diversão e liberdade naquilo que é conveniente e seguro a ele. No futuro, quando ele souber cuidar de si graças ao cuidado que você devotou a ele, a amizade poderá florescer e o relacionamento entre vocês alcançará a maturidade. Agora, porém, procure a amizade do seu marido, da sua irmã, da sua mãe, da sua colega, enfim, de quem você quiser, mas, por favor, seja a mãe dos seus filhos, ok? E assim chegamos a mais um ponto:
  3. O trabalho deles é tentar. O nosso é resistir.
    Prepare-se: não é porque você tomou a resolução de não cair nas chantagens emocionais das crianças que elas irão colaborar com você. Pelo contrário. O mais provável é que elas esforçem-se ainda mais por tirá-la do sério e, assim, consigam o que desejam. Assim sendo, não se supreenda se nos primeiros tempos em que você tentar regular a tv, os doces, os banhos, os estudos elas apresentarem um comportamento ainda pior, chorando ainda mais, brigando ainda mais, fazendo ainda mais escândalo, dizendo ainda mais alto que odeiam você e assim por diante. Isso é absolutamente normal e previsível pois o trabalho deles é tentar, mas o seu, em contrapartida, é resistir. E é claro que há diferentes modos de percorrer esse caminho rumo à conformidade da vontade deles à sua, mas o mais importante é que você não perca o controle nem de si mesma nem da situação. Tente não gritar, não argumentar, não se desdizer. É o seu comando e ponto final. Se preciso for, desconecte a tv da tomada. Se não resolver, doe a tv. Se ainda assim não der certo, pois eles correm ao computador, troque a senha semanalmente. Fique firme. Não vacile. Ensine, com o seu exemplo em não retroceder, a perseverança e o domínio próprio. Estas são lições indispensáveis para a vida adulta.

  4. Substitua as coisas ruins por coisas boas.
    Por último, não esqueça que, se por um lado você precisa inibir os comportamentos nocivos, por outro você precisa incentivar os comportamentos benéficos. Ou seja, não basta apenas que a criança ouça o "não" e saiba da reprovação, mas é preciso que ela ouça muitas vezes o "sim" e sinta-se aprovada. Uma coisa não pode caminhar sem a outra, caso contrário, embora consigamos controlar nossos pequenos, faremos deles jovens criaturinhas miseráveis, visivelmente infelizes e com uma autoestima que alcança, no máximo, a sola do chinelo. Por isso é importante que ofereçamos alternativas, boas opções aos maus hábitos. Por exemplo: em lugar dos desenhos, ofereça tintas, massinhas, livros, quebra-cabeças, bicicleta, carrinhos, bonecas, corda, areia, potes...; em lugar do chocolate, ofereça frutas, doces integrais, comida de sal...; em lugar da sujeira da falta de banho, ofereça uma banheira (ou um balde) e brinquedos na hora do banho, depois elogie, cheire, beije, aperte; em lugar da vagabundagem infinita, ofereça o convívio com crianças estudiosas, exemplares, ajude-o com carinho e paciência nas dificuldades, elogie todo esforço e parabenize cada conquista. Enfim, utilize uma força ainda maior que aquela empreendida em afastá-los do que é ruim para aproximá-los do que é bom. O resultado, embora possa ser demorado, valerá muito, muito a pena.
Seguindo os passos listados acima, e regando tudo com muita oração, em pouco tempo, creio, seus filhos voltarão a ser seus filhos, você voltará a ser a mãe deles e, se Deus permitir, a família usufruirá da restauração da hierarquia na relação mãe e crianças. Repito: fique firme. O desnorteio existe, mas o norte ainda está no mesmo lugar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Feminismo, maternidade e fé em notas soltas

As notas abaixo foram escritas no facebook, mas penso que vale a pena compartilhá-las aqui com vocês:

I.
Hoje caminhei pela cidade, em meu passo de tartaruga manca, pagando contas e comprando algumas coisas para o Natal. Sem pressa, conversei com algumas pessoas desconhecidas. A maioria de vocês, mulheres, não faz idéia do quanto é bom encher a boca para dizer, em resposta às perguntas sobre o bebê e a gestação, que este é o meu quarto filho. Dá uma alegria poder ver nos olhos das mulheres os preconceitos se desmanchando e uma inesperada alegria nascendo. Quando elas vêem uma mulher jovem, tranquila, falando com amor de sua família, de seu marido e de seus filhos, inevitavelmente elas se vêem diante de um outro modo de ser mulher, diferente do que nos vendem e nos forçam a grande mídia e, lógico, as feministas. Não sei -- e nem me interessa saber -- que espécie de fruto -- se é que dará algum fruto -- nascerá desse tipo de informalidade, mas sei que me enche de alegria e gratidão a Deus poder mostrar o milagre que somos, eu e os meus, no meio dessa geração que abraça a esterilidade como se fosse a única alternativa existente e aceitável. Àquelas de vocês que podem fazer o mesmo que eu, e com ainda mais propriedade, o meu abraço sincero e a minha admiração!

II.
Eu não nasci pró-vida nem pró-família. Aliás, venho de experiências que desencorajariam qualquer um. No entanto, dando continuidade a uma série de mudanças profundas em minha vida, comecei a conhecer famílias em que as pessoas se amavam, que queriam ficar juntas apesar das diferenças, que lutavam de verdade por isso; depois, comecei a conhecer famílias com muitos filhos (mais de 3, no mínimo) e fui aprendendo sobre o modo como elas compreendem seus papéis, como resistem às pressões e críticas, como são felizes e prevalecem quando todos esperam o contrário; por fim, fui percebendo como minha fé alicerça, incentiva e luta por tudo isso, pelas famílias e pelos filhos, por muitos filhos, por tantos quantos Deus quiser mandar. Enfim, não vim ao mundo com essa mentalidade e nem a assumi instantaneamente, de uma hora para outra, mas percorri um caminho no qual o exemplo de pessoas reais, de carne e osso, bem como minha própria busca por uma vida de verdade, escolhida por mim, não imposta desde fora e formatada pelas propagandas, revistas e panfletos, fizeram toda a diferença. Não foi fácil e não tem sido fácil, mas a convicção de que estou fazendo a coisa certa e o apoio irrestrito do meu marido são tudo o que preciso para seguir em frente e colher os frutos que tenho colhido: a fecundidade, a união e o amor no lar. Se é isso o que você busca, saiba que apesar de difícil é possível, sim. Comece pedindo a ajuda de Deus e confiando na Sua resposta. Não se apresse, não fique ansiosa, apenas peça e confie. Aos poucos as coisas começarão a acontecer.

III.
Mulheres queridas da minha timeline, se vocês querem entender por quais motivos ser uma mulher normal -- daquele tipo que viu-se ao longo dos séculos e milênios, isto é, que deseja ter uma família com marido e filhos e dela cuidar -- é uma coisa cada vez mais difícil e contracultural, leiam os seguintes livros, todos sugeridos em meu curso "De volta ao lar":
1. De volta ao lar, de Mary Pride (não, o nome do meu curso não é para imitar o livro; foi o resultado de uma enquete feita com as leitoras do blog).
Trata-se do relato surpreendente de uma ex-feminista que se converteu, casou, teve filhos e os educou em casa. Para quem quiser conhecer as raízes religiosas e malignas do feminismo é um prato cheio. Ah, e está disponível na web, basta procurar.
2. O amor que dá vida, de Kimberly Hahn.
Obra de uma teóloga ex-protestante convertida ao catolicismo a respeito das diferentes políticas de planejamento familiar e a posição oficial da Igreja a respeito. O livro é repleto de testemunhos de outras mulheres que entraram em contato com Kimberly relatando suas histórias de abertura à vida.

3. O outro lado do feminismo, de Phyllis Schlafly.
Lançamento recente da editora Simonsen. Desfaz uma por uma das mentiras que o feminismo nos conta há mais de 5 décadas. É mais ou menos o equivalente ao "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" só que contra o feminismo.

IV.
Um alerta precisa ser dado: optar por constituir uma família numerosa não é o mesmo que optar por morar numa casa em lugar de morar num prédio, ou por decidir cursar história em lugar de filosofia na faculdade. E não o é pelo simples motivo de que a formação de uma família envolve o nascimento de pessoas que mudarão a sua vida de uma maneira irremediável e para sempre. Desejar ser a esposa de um só marido e a mãe de muitos filhos não é algo pelo qual se decide porque "é lindo", "é de Deus", "meu namorado sonha com isso", etc. Estamos falando de algo definitivo, afinal! E mais: de algo que, além de contar com toda a oposição do mundo e de todo o mundo, ainda dá muito, muito trabalho. "Mas, Camila, filhos não são bênçãos de Deus e não devemos estar abertos a elas?" Sim, é claro. Mas você sabe por que Deus nos abençoa? Para nos atrair para mais perto Dele. E você sabe como é que chegamos mais perto de Deus? Pela cruz. E você sabe para que serve a cruz? Para matar. É, para matar. Matar em nós tudo aquilo que nos afasta de Dele: nosso egoísmo, nossa preguiça, nosso orgulho, nossa prepotência, nossa covardia, nossa indiferença, nossa autocomiseração... Filhos são bênçãos dadas por Deus para que nos tornemos mais semelhemantes a Ele. Em outras palavras: não entre nisso, não assuma o propósito de ter uma família numerosa por motivos secundários, por ter mudado de turma e ter se convertido, porque o pessoal da paróquia acha legal, por achar bonito -- eu acho bonito o Rio de Janeiro, mas jamais moraria lá, por exemplo --. Não. Só entre nesse barco se estiver convicta de que é isso o que Deus quer para você, pois aí quaisquer oposições exteriores virarão piada, virarão nada. Enfim, avalie o quão disposta você está a morrer para si mesma para que o amor se multiplique, como o grão de trigo que cai na terra e morre para assim poder germiná-la. Se você não estiver disposta a morrer, não está disposta a amar. Não é bonito, não é fácil e não é agradável, não é o que os filmes mostram, não é o que as pessoas falam, mas é assim que as coisas de verdade, na realidade, são, basta olhar para a cruz. Mas já antecipo um outro alerta: só quem experimenta a cruz consegue experimentar a salvação; só quem perde encontra; só quem morre ressuscita.