sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A hora da guinada


Como muitos de vocês já sabem, meses atrás lançamos a primeira turma do curso Homeschooling 1.0. Foi uma empreitada desafiadora, uma vez que não tínhamos em quem nos espelhar, mas, por outro lado, foi também uma experiência extremamente gratificante: ajudamos mais de 100 famílias a dar os primeiros passos, ou a consolidar ainda mais, na prática da educação domiciliar em seus lares.

Agora, passado um bom tempo, em que tivemos a chance de acompanhar a assimilação do conteúdo por algumas famílias e recebemos também um bom número de feedbacks (todos positivos), resolvemos abrir uma nova turma do curso, e é este o motivo do presente post.

Um aviso importante, no entanto: desde quarta à noite, dia 25, até dia 02 de dezembro, as inscrições terão preço promocional. Depois do período, terão o seu valor reajustado, portanto.

Se você já fez o curso e gostou, por favor, avise os possíveis interessados do seu círculo. Se você não fez, mas quer fazer, agora é a hora da guinada! Prepare-se para iniciar 2016 tomando as rédeas da educação das crianças em suas mãos, com toda a liberdade, confiança e responsabilidade necessárias. ;)

Espero vocês aqui, no site do Instituto Isidoro de Sevilha.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Os pais são um perigo para os seus filhos?!


Sei que o título sugere uma piada, mas, infelizmente, não é este o caso. Autoridades do estado do Rio Grande do Sul realmente pensam e afirmam publicamente e sem o menor constrangimento um tal absurdo. Mas antes do mais, convém esclarecermos o contexto completo da questão.

Meses atrás, mais precisamente no início deste ano, o casal Moisés e Neridiana Dias entrou com recurso junto ao Superior Tribunal Federal requerendo o reconhecimento do direito de educarem sua filha mais velha, Valentina, em casa. Valentina estudava em uma escola da zona rural de modalidade multiseriada, isto é, com crianças das mais diferentes idades abordando os assuntos nos mais diferentes níveis e tudo num mesmo ambiente. Os resultados da mistura vocês podem imaginar. Pois bem, depois de uma série de tentativas de autorização para a prática da educação domiciliar negadas, primeiro, junto à Secretaria de Educação, depois, junto ao Foro da Comarca de Canela/RS, a família Dias resolveu levar o caso às últimas consequências, isto é, ao STF.

Ao chegar às mãos do Ministro Roberto Barroso o caso tomou proporções nacionais. Abrindo a questão para enquete virtual no site do STF, ficou evidente o interesse nacional sobre o assunto. Assim, mais do que decidir sobre o direito da família Dias, a decisão do Ministro incidirá sobre a vida de todas as mais de 3.000 famílias homeschoolers do Brasil.

Todavia, no dia de ontem, segunda, 09 de novembro, o procurador Luís Carlos Kothe Hagemann pediu ingresso na qualidade de amicus curiae como representante do governo do estado do Rio Grande do Sul junto ao caso. Em seu pedido fica explícita a oposição ao direito das famílias. O problema, contudo, não é este, afinal nem todos precisam concordar com o direito à prática da educação domiciliar. O problema foram os termos utilizados pelo procurador para justificar sua posição. Para ele, os pais são um perigo, uma ameaça aos seus filhos, de modo que o Estado, por meio da escola, tem a função de proteger as crianças de seus genitores. Sim, por incrível que pareça não estou falando de um panfleto nazista ou soviético do século passado, mas de uma requisição redigida por um jurista brasileiro em pleno ano de 2015. Para dar um tom pretensamente respeitável ao disparate, o procurador cita a fala do filósofo espanhol Fernando Savater em sua recente participação no Fronteiras do Pensamento. Confiram aqui, na íntegra, o que disse Savater:
—Um dos primeiros objetivos da educação é preservar os filhos de seus pais. — disse, arrancando risadas — não me parece bom, portanto, submeter permanentemente os filhos aos pais. A escola ensina muito mais do que os conteúdos aplicados nela, e sim a conviver com pessoas que não temos razões para gostar, e que às vezes até não gostamos, mas que precisamos respeitar.
Em outras palavras, o que o filósofo só teve coragem de dizer em tom jocoso, o procurador assume de maneira inequívoca: as crianças não são responsabilidade dos pais, mas propriedades do Estado; a sociedade não é mais o resultado do agrupamento de muitas famílias, mas da máquina estatal de produção de analfabetos em série.

Se vivêssemos num país onde a qualidade da educação fosse de incontestável excelência, até seria questionável o receio quanto ao homeschooling. Entretanto, a realidade nos mostra exatamente o contrário: ano após ano ocupamos os vergonhosos últimos lugares nos rankings internacionais de educação! Metade dos alunos do ensino superior (superior!) são analfabetos funcionais, ou seja, não sabem ler e interpretar um texto corretamente! Para não mencionar a situação dos alunos do ensino fundamental e médio! Num contexto assim, faz sentido obstruir às famílias desejosas de prover aos seus filhos uma formação superior o exercício do seu direito? Não, não faz o menor sentido! Assim como não faz sentido afirmar que os pais são um perigo para os seus filhos! Logo, restam-nos duas opções: ou assumirmos a insanidade mental do procurador, ou o seu mau-caratismo.

Como não precisamos acolher qualquer que seja das duas opções passivamente, mas, antes, temos o direito e o dever de expressar nossa revolta quanto aos termos do procurador, assinemos a petição pelo respeito às famílias e ao seu direito de escolha do modelo educacional de sua preferência.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Rupturas necessárias

Praticar o homeschooling tem sido apenas o começo de uma série de mudanças em minha vida e na vida de minha família. É impressionante notar, conforme o tempo avança, como o simples (simples?) fato de ter frequentado instituições de ensino por mais de duas décadas conformou a minha (a nossa?) cabeça a seguir sempre por um mesmo caminho, enxergando somente as opções de sempre e as soluções de sempre.

A primeira ruptura contra a conformação, obviamente, foi sobre a necessidade da escola e sobre a associação entre escola e conhecimento. As rupturas seguintes voltaram-se sobre os hábitos escolarizados na gestão da rotina familiar, ou seja, sobre o quanto não precisamos esperar a campainha ensurdecedora para fazermos 'x', 'y' ou 'z'; sobre o quanto as avaliações formais perdem o sentido quando somos nós os que cuidamos da educação de nossos filhos; sobre o quanto o avançar e o permanecer nos conteúdos não é imposto desde um cronograma aleatório estipulado por um terceiro que nem conhece nossos filhos, mas depende somente de nossa sensibilidade para perceber e acompanhar o ritmo de nossas crianças; entre muitas outras coisas.

Mas a ruptura da vez não diz respeito diretamente ao homeschooling mas, se assim posso dizer, ao pós-homeschooling, isto é, ao mundo do trabalho e tudo o que ele envolve, desde o pretenso término dos estudos em casa.


Por ocasião do ENEM, vi muitos pais homeschoolers angustiados com a hipótese de ter que, contrariando tudo o que fora trabalhado e ensinado em casa ao longo dos anos, precisar ensinar os filhos a "esquerdar", a dar a resposta "certa" na qual não se acredita e, sobretudo, sabe-se ser a errada. Com isso surgiu também a preocupação pela situação calamitosa das nossas universidades, sobre a formação de baixíssimo nível e a necessidade (necessidade?) de um diploma como única garantia de uma vida melhor.

Mas façamos um esforço: é o diploma realmente indispensável? Há casos em que ele o é: se a criança tiver vocação para práticas como a medicina, o direito, a arquitetura... Faculdades que, apesar de tudo, transmitem ou devem transmitir conhecimentos técnicos específicos sem os quais o exercício da profissão torna-se impossível. Nestes casos, é preciso pesquisar as instituições menos piores (já que não temos mais boas instituições) e preparar nossos filhos para toda a sorte de conflitos que encontrarão por lá. Isso quando for impossível enviá-los para estudar fora do país. Todavia, há casos em que a faculdade NÃO é essencial.
Ninguém precisa de faculdade para abrir um negócio, seja uma livraria, uma editora, um bar, um bazar, uma gráfica, uma floricultura, uma padaria. Ninguém precisa de faculdade para criar um site, um blog, um canal no youtube, para trabalhar como professor de inglês, de espanhol, de francês, como ghost-writer, como fotógrafo, até mesmo como político... Enfim, há um mundo de possibilidades que independem totalmente de um diploma. Basta ser bom de verdade naquilo que se faz e, para isso, precisa-se de experiência, coisa que se obtém por meio de uma boa rede de contatos, de pessoas dispostas a transmitir o que sabem aos nossos filhos.

O problema, e voltamos ao ponto do início do texto, é o condicionamento. Estamos condicionados a pensar que a segurança está no caminho que todos percorrem, ou seja, na escola, na faculdade e no concurso público. Estamos acostumados a ir com a boiada. O problema é que quando todos vão com a boiada não há boas oportunidades para todos, mas somente para alguns, além de um inevitável enterrar de talentos jamais descobertos ou postos à prova, o que resulta, por sua vez e inevitavelmente, em frustração. Por outro lado, investir em um caminho próprio, alternativo, embora seja menos convencional, oferece chances muito maiores de superação, realização pessoal e sucesso.
Afinal, quantos de nós realmente trabalhamos, ou desejaríamos trabalhar, com aquilo no que fomos chancelados pelo MEC? Eu não. Nem o meu marido.

Empurrar nossas crianças, então jovens, para a faculdade mesmo quando elas não o desejam é contrariar a liberdade que vivemos graças à educação domiciliar, pois u
ma coisa é vocação, outra bem diferente é medo. E já que perdemos o medo do MEC, percamos também o medo de empreender, de dar aos nossos filhos a chance de serem ousados do jeito certo, no tempo certo e para a coisa certa. Energia e capacidade não lhes faltarão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

História da arte


Recentemente ganhamos um livro lindo abrangendo alguns séculos da história da arte. Por conta disso resolvi fazer um post reunindo todo o material que conheço a respeito.

O primeiro livro sobre arte da Chloe foi o "Penélope vai ao Louvre", um livro voltado para crianças pequenas, em pop-up e apresentando alguns dos quadros, esculturas e objetos da Antiguidade mais famosos que estão presentes no Museu do Louvre, na França.

O segundo livro que adquirimos chama-se "História da arte para crianças", de Lenita Miranda de Figueiredo e foi comprado no site Estante Virtual pois é um livro de 1984 e não conta com novas edições. Não conheço outro material semelhante de origem brasileira: nele, "tia Lenita" (como a autora gosta de ser chamada) conta a história de dois sobrinhos que começam a despertar o interesse para a arte na casa do tio. Tia Lenita aborda desde a pré-história até as escolas contemporâneas do início do século XX.

(Atualização: Há, sim, novas edições do livro "História da arte para crianças". Uma leitora atenta fez o favor de advertir-me. Confiram aqui a edição mais recente.)

Nossa terceira compra resumiu-se a apenas dois volumes da Coleção Metropolitan - o que faz de um mestre um mestre?, publicados pela Cosac & Naif: "O que faz de um Bruegel um Bruegel?" e "O que faz de um Rafael um Rafael?". A coleção abrange vários outros autores, no entanto, quando adquirimos os livros em uma promoção os demais já estavam esgotados. Além disso, fiquei com a impressão de que o autor que comenta a obra do Bruegel tinha preferências modernistas.

Por último chega o livro que mencionei inicialmente, aquele que ganhamos dias atrás: "Vidas dos grandes artistas", de Charlie Ayres, pseudônimo de Charlotte Mullins. A obra procura dar um tom mais próximo às vidas dos expoentes da história da arte e é estruturado seguindo uma linha do tempo que vai de Giotto (século XIII) até Van Gogh, deixando de fora os chatos e feios contemporâneos (me julguem). :D

Além dos livros, também gostamos muito das seguintes páginas: Children in Art History, no facebook, e o Heilbrunn Timeline of Art History (eu já disse que amo timelines?), o site mais completo que já vi em minha vida a respeito deste assunto, oferecendo, inclusive, uma descrição do contexto histórico em que as obras foram produzidas.


É claro que existem muito, muito mais obras e de qualidade disponíveis no mercado editorial brasileiro. Aqui, quis apenas dar uma ideia do que as minhas crianças têm. Por último, ao selecionar outras obras, vale a pena observar o tipo de abordagem dada pelo autor: se é uma abordagem que descreve as diferentes escolas, obras e autores de maneira tradicional, sem partidarismos, ou se é uma obra "crítica", isto é, de viés esquerdista, que considera as mais belas obras da história humana como produtos de uma elite opressora e as produções de negros escravos, índios e os lixos das Bienais e da street art como o máximo de beleza universal.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Sobre a Festa do Dia de Todos os Santos

Há quase um ano, nós e cerca de sete outras famílias vínhamos nos preparando para a festa do último dia 01 de novembro, o Dia de Todos os Santos. Digo "cerca de sete" porque depois, mais perto da data, outras famílias foram incluídas no encontro, totalizando dez famílias católicas.

A ideia para a celebração surgiu depois que visitei alguns blogs norte-americanos e vi como eles costumam viver esta data tão especial do calendário cristão. Assim, não foi difícil mobilizar famílias amigas para tentarmos fazer algo semelhante por aqui.

Inicialmente a ideia era fazermos em minha casa, pois apesar de simples e pequena, tem espaço ao ar livre de sobra para as crianças brincarem e correrem. Contudo, minha amiga Catiane ofertou sua casa, que é bem maior e com uma melhor estrutura para servir a todos. Graças a Deus eu aceitei a oferta de minha amiga, pois só de pensar em acomodar 20 adultos e mais de 30 crianças em um dia frio e chuvoso confinados dentro de minha casa me deixa tonta. Sim, por incrível que pareça, em pleno dia 01 de novembro, o que tivemos por aqui foi um céu fechado, garoa esporádica e vento frio, com temperatura não passando dos 18 graus Celsius.

O objetivo da festa era reunir as famílias católicas e homeschoolers (ou quase homeschoolers, pois há duas delas que estão se preparando para iniciar os estudos em casa a partir do ano que vem) em redor daquilo que nos une, isto é, a fé católica. Assim, cada criança foi fantasiada de um santo de sua preferência, o que certamente representou uma excelente oportunidade para o estudo da vida destes homens e mulheres que amaram a Cristo sobre todas as coisas. Foi impressionante notar como algumas das crianças, ao vestirem-se como o seu santo escolhido, passaram a portar-se de modo visivelmente mais tranquilo, mais brando, mais doce, como se ao se decidirem por um destes exemplos de fé, amor e piedade, internalizassem (ou mimetizassem, não sei) um pouco de suas virtudes. Além disso, a festa foi uma excelente ocasião para que as crianças tivessem a chance de fortalecer a amizade que já havia entre aquelas que já se conheciam e de aumentar o círculo de amigos ao conhecerem outras que ainda não conheciam.

Por sua vez, os pais tiveram a mesma chance: alguns matando a saudade num reencontro há muito esperado, outros dando início a um novo vínculo. Sem falar nas trocas a respeito das gestações, criação das crianças, trabalho, projetos, igreja e, obviamente, educação domiciliar. Tudo isso ao redor de um bom churrasco (como não poderia deixar de ser; todos os parabéns ao Lucas, o assador), sorvetes, pudins e, à tarde, um cachorro-quente. E a distância não foi empecilho, pois embora a maioria das famílias seja aqui do Rio Grande do Sul, vieram famílias de Minas Gerais e do Paraná. Com estes que vieram de longe e que ficaram mais tempo, tivemos o privilégio de conviver mais, de modo que o feriado foi cheio de convívio, de amizade e de alegria.

Antes de colocar as fotos da festa, preciso deixar aqui o meu agradecimento a algumas pessoas: em primeiro lugar, Catiane e Lucas, muito obrigada!, mas não somente por abrirem a casa de vocês a todos nós, mas por serem extremamente amorosos e generosos com todos e, em especial, conosco, que ficamos um dia e meio a mais com vocês, bagunçando a casa e a rotina. Em segundo lugar, Moreno e Lhuba, Leonel e Manoela, Mariana e Rodrigo, por terem vindo de longe para estarem conosco. Por fim, Caroline, Lhuba e Catiane, obrigada por socorrerem essa grávida sem noção e desmemoriada que me tornei e me ajudarem a fazer uma nova fantasia para o Benjamin na véspera da festa, já que consegui esquecer a original em casa.

As fotos que postarei a seguir são as poucas que consegui fazer durante a festa, ou seja, há muitos outros santos e santas que não apareceram em meus registros e que estavam presentes.

São Francisco de Assis, primeiro limpando o interior. :D

São Miguel Arcanjo num momento ameaçador. =|

Beata Laura Vicunha e os irmãos. S2

Sta. Cecília, Sta. Maria Goretti, Sta. Teresinha, Sta. Bárbara
e Beata Laura Vicunha. S2

São Theodoro. S2

São Bento! (Fofura em níveis perigosos!)

Sta. Isabel e mais uma Sta. Teresinha. S2

Sta. Catarina de Alexandria. S2

São Miguel agora com as asas.

Uma tentativa de reunião para foto. Além dos santos mencionados
anteriormente, vemos Jesus, Santa Helena, Santa Ester, São Pedro,
São João Paulo II e alguns pais e mães tentando organizar os menores. ;)
E você, por que não organiza uma festa semelhante na sua região para o Dia de Todos os Santos do ano que vem? Nós já estamos organizando a próxima edição! \o/