sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Seja homem - nosso novo curso


No último dia 28, quarta-feira, Gustavo lançou nosso mais novo curso, o "Seja homem - a redescoberta da masculinidade cristã". O curso é uma tentativa de compartilhar aquilo que ele tem descoberto em suas pesquisas e, principalmente, em sua experiência a respeito deste assunto: como tornar-se o pai, o marido e o homem que Deus deseja. Além disso, o curso é também uma resposta ao apelo de várias mulheres e homens que desejam "uma versão masculina" do meu curso "De volta ao lar". Muitas mulheres que compreenderam a importância do seu papel sentem a necessidade de que os noivos/maridos compreendam igualmente o seu próprio, para que a família possa andar de fato em comunhão, sem mentalidades distintas a respeito de seus compromissos e responsabilidades.

Tem sido extremamente interessante notar as diferentes reações diante da nossa proposta. Desde o incontido entusiasmo até o escárnio, passando pelo menosprezo. Mais curioso ainda é ver que muitas das reações negativas vêm de alguns que se dizem cristãos, mas que parecem fazer pouco caso, ou realmente não entendem, o tempo em que vivemos, onde os mais basilares e essenciais fatos são postos à prova. Afinal, se todos (e refiro-me exclusivamente a todos nós, cristãos) soubessem não apenas qual é o seu papel social, mas qual é o seu papel enquanto membro de um determinado sexo, estaríamos vivendo tamanha confusão em nossas famílias, em nossas igrejas e em nossa sociedade? Se cada homem soubesse o que significa tornar-se marido, um marido cristão de verdade, ocorreriam tantos divórcios e separações? Se cada homem soubesse o que significa tornar-se pai, um pai cristão de verdade, encontraríamos tantos jovens depressivos, desnorteados, drogados e revoltados? Se cada homem soubesse o que significa tornar-se homem, um homem cristão de verdade, nossas igrejas estariam do modo como estão? Melhor dizendo: o ocidente estaria como está? Acho que não. Definitivamente.

O curso é composto de seis aulas e uma aula extra. As aulas abordarão os seguintes temas:
  1. Introdução: uma nota autobiográfica;
  2. O silêncio de Adão: o duplo problema da omissão e da desvirilização;
  3. O caráter de homem;
  4. Marido de uma só mulher;
  5. Um homem de família;
  6. Um homem a serviço de Deus e do próximo;
  7. Hangout para responder dúvidas.
O período de inscrições irá até o dia 04 de novembro, próxima quarta-feira. O valor do curso é de RS 109,00. Para adquiri-lo ou obter maiores informações, clique aqui.
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domingo, 25 de outubro de 2015

Nossa rotina de estudos

Há tempos tento me esquivar dos pedidos de relatos sobre a nossa rotina de estudos. Não porque nela haja algo de secreto, mas porque sei que muitas pessoas, no mais que legítimo desejo de "fazer a coisa certa", acabam procurando uma receita pronta para aplicar à sua família e, com muita frequência, o resultado dá errado.

Aqui cabe uma observação importante: Acredito que um dos segredos do sucesso e, ao mesmo tempo, um dos maiores benefícios do homeschool é, considerando as experiências alheias, procurar adaptar à própria realidade aquilo que nelas há de bom e de edificante. Em outras palavras, acredito que a receita que dá certo para a sua família é a sua própria receita, que certamente não será de todo inédita, mas que respeitará os ritmos, as necessidades, os temperamentos, enfim, as peculiaridades de cada família. Mas, voltando ao assunto...

Talvez alguns de vocês não saibam, mas conforme relatei neste post aqui, já não sou eu quem dá as aulas aqui em casa; o professor é o Gustavo. Assim sendo, a rotina de estudos é estabelecida por ele. O momento das aulas é pela manhã, sem um horário rígido, mas entre o meio e o fim da manhã. Durante o período, somente Chloe e Benjamin têm aula, mas Nathaniel sempre dá um jeito de ficar ao redor, ao menos inicialmente. Chloe e Benjamin estudam juntos, em nossa mesa da sala, mas desenvolvem atividades distintas, cada qual de acordo com a idade. Gustavo divide a atenção entre eles, porém, quem normalmente precisa de mais supervisão é o Benjamin, que está sendo alfabetizado. Chloe já estuda praticamente sozinha.

Eu, de minha parte e durante o mesmo tempo, organizo algumas coisas da casa, confiro a internet (respondendo e-mails e mensagens e/ou postando algum conteúdo) e, por fim, sigo para o fogão para preparar o almoço. Já o Nathan, por sua vez, está aprontando alguma, mexendo nos livros, brincando com seus brinquedos ou tentando me "ajudar" na cozinha.

As aulas duram até a hora do almoço, que nem sempre (raramente, na verdade) é ao meio dia, mas quase sempre é perto da uma hora da tarde. Depois do almoço há um tempo livre, no qual cada um faz o que quiser. Antes, porém, de as crianças poderem ir brincar no pátio, Chloe faz suas atividades de memorização da Sagrada Escritura e do Compêndio do Catecismo. Feito isso, a tarde é livre. Esporadicamente Gustavo pede à Chloe que leia algum material que reforce o conteúdo das aulas de história, mas isso não é sempre. Às vezes ela também precisa escrever uma redação, mas também não é sempre.

Há quem pergunte se não é pouco o tempo de estudo que utilizamos, ao que respondo: você não sabe a diferença que existe entre tentar ensinar a uma turma de 30 crianças desconhecidas e tentar ensinar dois filhos seus. Simples assim. :)

Perguntaram-me a respeito de atividades para o Nathaniel, se as faço e quais seriam. Não faço nada. Nada mesmo. E por quê? Enquanto morávamos em Porto Alegre, vivendo num sistema de quase confinamento em um apartamento, procurava realizar com ele as atividades presentes no livro Slow and steady get me ready (compartilhei o livro neste post aqui). Agora, porém, que moramos em uma casa com um pátio enorme (obrigada Deus!) eu simplesmente deixo ele se divertir: ele corre, cai, rola, pula, escala, equilibra-se, deita, olha para o céu, persegue os passarinhos, joga pedras, colhe flores, enfim, faz todas aquelas coisas que em um apartamento sequer havia chance. E quando chove e não há como sair, invisto em livros (para ler), jornais e tesoura (para recortar), lápis e giz (para desenhar) e muita brincadeira livre, sem a minha intervenção (as "mais mais" do momento são os acampamentos, os berçários e as corridas de motoca - também conhecida como triciclo).

Em meio a tudo isso há a realização das atividades domésticas (nas quais cada um ajuda um pouco), conversas, passeios, visitas aos amigos e, eventualmente, um desenho animado ou filme ao cair da tarde.


Encerramos tudo à noite com recitação das passagens memorizadas pela Chloe, treino de memorização com o Benjamin, leitura em voz alta de algum bom livro (estamos terminando "As duas torres", de Tolkien) feita por mim e orações. Enfim, nada demais, mas precisamente o que tem funcionado muito bem para nós.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Prevenindo-se contra o feminismo nas gerações vindouras

Para mim, que sou nascida em família esquerdista, ex-amiga de companheiros esquerdistas, ex-aluna de professores esquerdistas, uma vez transposta a linha da fidelidade estúpida, não é difícil concluir que o esquerdismo brasileiro não é, na maioria dos casos, o resultado de uma adesão consciente, racional e voluntária a um corpo teórico pretensamente mais verdadeiro, mas, antes, o fruto de uma lealdade inconsciente, emocional e quase involuntária a um grupo que justifica e legitima o ressentimento, a inveja, o coitadismo e o desejo de vingança de seus pares sobre o demais, estes tidos como seus algozes, opressores e rivais. Claro, nem todos são tão infantis assim: os que não o são, em geral, são os que lucram realmente sobre o infantilismo dos primeiros.

Hoje mesmo verifiquei, pela milésima vez, na prática, o que procurei dizer acima. Tive acesso ao texto de uma garota dita cristã que pretendia explicar os motivos de sua adesão ao feminismo: nada mais do que uma sucessão de mágoas com sua mãe, as quais, segundo ela, eram provas definitivas do "machismo" ocidental.

A julgar pelo relato, a mãe da referida moça não possuía, ela mesma, compreensão da importância do seu papel enquanto esposa, mãe e dona de casa. Sempre que possível, poupava a filha de quaisquer envolvimentos com os afazeres domésticos, incentivando-a a buscar, por meio dos estudos, "uma vida melhor". Apesar de poupada, no entanto, a garota ressentia-se da "injustiça" materna que, em lugar de solicitar igualmente filhas e filhos, voltava-se sempre para as moças em busca de ajuda. Ou seja, o feminismo da garota, assim como o da maioria das moças, encontra seu fundamento no mal resolvido relacionamento com sua mãe e tem seu respaldo nas disseminadas campanhas midiáticas.

Ao que pude perceber, não deve constar entre as ambições de tal mãe a transformação de sua filha em uma militante feminista, porém, ao ignorar a importância e, de certo modo, menosprezar o seu papel, ela fez eco ao clamores do mundo e "empurrou" a filha para os braços das feministas. Casos assim multiplicam-se diariamente, para a tristeza e vergonha das famílias cristãs.

De fato, vivemos tempos difíceis nos quais nós e nossos filhos somos pressionados por todos os lados pelas mais sórdidas ideologias, mesmo dentro da igreja. Todavia, nada nos autoriza a abraçarmos a resignação como se não houvesse o que pudéssemos fazer. Em meu curso, o De volta ao lar, mostro como é fundamental descobrirmos, antes do mais, as raízes de nossas opiniões e posturas acerca da vida familiar, compreendendo, então, a origem de nossos sentimentos de incapacidade, inadequação e frustração; em seguida, é preciso empreender um esforço vigoroso pela formação de uma nova mentalidade e de uma nova postura; por último, é essencial que saibamos não só viver e gerir nossa realidade familiar de uma maneira realmente cristã, mas é absolutamente indispensável que saibamos COMUNICAR essa nova mentalidade e essa nova postura aos nossos filhos, defendendo os valores nos quais acreditamos e guiando os pequenos pelo caminho da preservação da família, do respeito à hierarquia familiar e da valorização das especificidades de cada papel exercido em seu seio.

Em resumo, enquanto não compreendermos a centralidade de nossa presença no coração do nosso lar, e enquanto não soubermos transmitir tal compreensão aos nossos filhos, com toda a alegria, convicção e vigor que lhe convém, continuaremos tornando-os alvos fáceis de ideologias como a feminista, que outra finalidade não possui além de destruir os lares e perverter o feminino.

sábado, 3 de outubro de 2015

Uma nota elitista, burguesa e rabugenta

Dias atrás, durante uma discussão, fui criticada por criticar determinada prática de educação domiciliar. Meu interlocutor afirmava resolutamente que todos os métodos são válidos, tanto 'x', quanto 'y' e até mesmo 'z'. Todavia, o que está por trás de tão respeitável e democrática opinião não é a sensatez de um raciocínio ancorado na realidade, mas um não tão explícito relativismo, aquele pensamento que afirma que já não existe certo e errado, bom e mal, melhor e pior, mas apenas o tão adorado 'diferente'. Ah, o diferente! Quanto mais popular, mais acessível, mais 'chão' ele for, tanto melhor, pois um maior número de pessoas poderá ser incluída e aceita na mesma acachapante e uniformizante 'diferença'! Que lindo! Que coisa mais 'plural' -- outra palavra adorada. Quer dizer, então, que Viktor Frankl e Burrhus Skinner, Mortimer Adler e Paulo Freire, Paulo Coelho e William Shakespeare, Mc Catra e Vivaldi são todos igualmente válidos? Se é assim, por que motivos a escola não é também tão válida quanto as demais opções educacionais? Se tudo é válido, o que é que ainda vale alguma coisa? Não, que me desculpem os lavados na água lamacenta e contaminada do marxismo, aqueles que morrem de medo de parecerem 'elitistas' e com isso perderem a aprovação do grupinho dos voluntariamente distintos como pobres coitados -- que de pobres não têm é nada; de coitados, bem, aí eu já não sei e nem é problema meu --: enquanto o sol se levantar, haverá, sim, melhor e pior; haverá certo e errado; haverá bem e mal; tanto quanto há bonito e feio, direita e esquerda, dia e noite. Pouco importa como cada um se sente com relação a estes fatos, pois o sol continuará sendo o centro do nosso sistema, mesmo que você se identifique visceralmente com saturno. O tempo há de mostrar os resultados das escolhas de cada um. Eu, de minha parte, e apesar de toda a minha visível precariedade, escolho seguir pelo já bem conhecido caminho dos antigos: o caminho da tradição, o caminho dos clássicos, o caminho da hierarquia, o caminho da ordem. É o caminho perfeito? Não, não é. Não há obra humana perfeita. Mas certamente há obras bem mais perfeitas que outras. Enfim, eu escolho aquecer-me à luz do sol, como a maioria da humanidade sempre fez, pois saturno... saturno é exótico, mas, não, saturno não aquece nem nunca aquecerá ninguém.