sexta-feira, 29 de maio de 2015

Meu filho quer ir para a escola. E agora?

Eis uma pergunta cada vez mais recorrente, uma vez que a primeira geração de interessados em homeschool amadurece e seus filhos aproximam-se da idade (dita) escolar.

Antes do mais, é importante averiguar as razões alegadas pela criança para ir à escola. Na maioria das vezes o desejo está atrelado ao interesse em estar com outras crianças, em brincar com outros brinquedos, em fazer algo diferente... Enfim, na grande maioria das ocasiões, o que a criança quer não é a escola, mas as pessoas e/ou coisas que lá estão.

No entanto, e especialmente em se tratando de crianças sozinhas, que não têm irmãos, o desejo adquire um peso maior: a criança quer, com razão, alguém com quem brincar, alguém que esteja mais próximo do seu mundo que um adulto: a criança quer um igual. E é neste caso em que a maioria dos pais que desejam praticar o ensino doméstico com seus filhos descobrem-se em apuros.

Pensando neles, aqui vão alguns poucos pontos que podem (assim espero) ajudar na reflexão sobre tão importante decisão:
  1. Em primeiríssimo lugar: considerem a vinda de um(a) irmãozinho(a) (ou mais) para a família. Você e seu marido não irão durar para sempre, por isso dê ao seu filho a chance de ter alguém com quem compartilhar a história da família e as memórias gravadas ao longo dela; dê a ele alguém com quem contar! Acredite, um irmão é mesmo o melhor presente que os pais podem dar a um filho. Além disso, um segundo filho (terceiro, quarto...) costumam exigir menos gastos financeiros do que o primeiro (a inexperiência e o deslumbramento nos fazem gastar bem mais do que precisamos).
  2. Um ponto central a ser considerado é a idade da criança. Embora seja muitíssimo comum encontrar crianças de 6 ou 4 meses nas creches (e até menores!), isso não significa que tal procedimento seja o melhor ou mais adequado (sei que há muitas famílias que não têm a opção de não enviar os filhos para as creches e escolas, mas não é a estes casos que me refiro). Quando minha filha pediu-me para ir à escola, eu e meu  marido estabelecemos o seguinte critério: apenas quando ela souber entender e contar aquilo que vê e lhe acontece. Assim, Chloe foi para escola apenas aos 4 anos de idade (o que é incrivelmente tarde para a maioria), pois a partir de então, caso algo de estranho ou ruim lhe acontecesse, ela teria as ferramentas mínimas para conseguir inteirar-nos da situação. Entregar um bebezinho e crianças pequenas, hoje em dia, aos cuidados de terceiros, não me parece nem um pouco seguro, por mais "normal" que pareça.
  3. Sim, a criança precisa ter contato com outras crianças. Mas "ter contato" não é sinônimo de "ter qualquer contato". Em outras palavras: há muitos meios de convívio possíveis: praças, clubes esportivos, artísticos, oficinas e igreja. Porém, como disse no tópico anterior, mesmo em tais casos, prefiro não "entregar" a terceiros o cuidado dos meus filhos, mas selecionar atividades das quais possamos, ou eu, ou meu marido, participar. Assim evitamos que nossos filhos fiquem vulneráveis a pessoas que, na verdade, não sabemos quem são.
  4. O centro da saúde emocional da criança (e futuro adulto) depende muito mais da qualidade do convívio que ela tem com os pais do que com as demais pessoas. Assim sendo, antes de precisar "socializar-se", a criança precisa "familiarizar-se": ela precisa de amor materno e paterno para crescer segura e feliz, e não há substituto para isso. Não fosse assim, as crianças não nasceriam de um casal, não é mesmo?
  5. Por último, decida tudo em consenso com o seu cônjuge. Vocês dois são responsáveis pela criança, assim sendo, apesar dos seus pedidos, não "batam o martelo" sob pressão, mas somente quando e do modo que estiverem certos de estarem fazendo a coisa certa, goste ela ou não. Afinal, ela não sabe tudo o que está em jogo, mas você e seu marido sabem (ou deveriam procurar saber).
PS: Ao procurar uma imagem para ilustrar esse post, não encontrei NADA que retratasse o desejo de ir à escola, mas somente o desejo de não ir. Interessante, não?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Homeschooling e finanças (2)


Conforme prometi no post anterior, deixo aqui uma lista de dicas práticas especialmente elaborada para as famílias que querem passar a praticar o homeschooling e contarão com apenas uma fonte de renda.
  1. Trabalhe em casa - Se você tem a possibilidade de desenvolver sua profissão ou trabalho diretamente de casa, sem, no entanto, comprometer o andamento da rotina doméstica e a educação das crianças, faça isso. Mas lembre-se de não inverter as prioridades e de que o trabalho em casa exige ainda mais disciplina do que o trabalho fora de casa, pois você será o responsável por seus horários e metas;
  2. Corte os supérfluos - Cada família tem a sua lista de "mimos", aquelas coisas das quais gostamos e das quais não precisamos. Em nosso caso, cortamos a TV a cabo, um dos celulares, e a tele-entrega da pizza;
  3. Não desperdice alimentos - Quando falamos em desperdício costumamos pensar na comida que sobra nos pratos após as refeições e que vai para o lixo, mas também há aquelas partes dos alimentos que colocamos fora e que podem ser aproveitadas, bem como há também os casos de comprarmos coisas que acabamos não consumindo e que vão para o lixo também;
  4. Evite as tentações - Opções de consumo nunca faltam nem faltarão, sempre haverá algo que parece útil/interessante e oportuno, por isso o melhor, definitivamente, é evitar a exposição a ambientes tentadores, sejam eles físicos ou virtuais. Eu, particularmente, só entro em shoppings por necessidade (para comprar algo que eu só encontro lá), jamais para passear. Não quero tentar-me nem frustrar-se intencional e desnecessariamente;
  5. Explore bem os recursos - Sempre que possível, substitua o telefone pelo skype ou hangout. Se precisar inevitavelmente do telefone, marque a ligação para um horário mais barato. Há muitas situações semelhantes, envolvendo outros recursos, que podem ser conduzidas na mesma direção;
  6. Cuide do que possui - Crescemos em uma cultura em que tudo é descartável, onde a engrenagem do consumo precisa estar sempre girando, por isso ninguém mais aprende a cuidar daquilo que possui, mas a simplesmente usar e, depois, jogar fora. Faça diferente, aprenda a cuidar dos seus calçados e meias, a costurá-las se necessário bem como aos botões das camisas e casacos, customize peças antigas, aproveite o que já não servir no filho maior no filho menor;
  7. Aprenda coisas úteis - Costurar, tricotar, plantar uma horta ou algumas hortaliças, fazer pequenos reparos na estrutura da casa, trocar um chuveiro, fazer pães... Todas essas coisas ajudam a economizar e podem até acabar virando uma pequena fonte de renda;
  8. Vá a brechós -  Já não são raros os brechós de qualidade (alguns até com peças importadas), tanto para adultos quanto para crianças. É possível fazer um verdadeiro enxoval com poucas dezenas de reais;
  9. Vá a sebos - Livros são um investimento e uma necessidade, ou seja, gasto certo. Assim sendo, opte pelos sebos, físicos ou virtuais. Já encontrei livros novos (literalmente) com preços de usados;
  10. Seja realista - É importante economizar, especialmente se a sua família pretende viver com apenas uma fonte de renda. No entanto, não pense que, ao economizar, você se tornará invulnerável. Muitas pessoas acham possível precaver-se contra todos os imprevistos do mundo, mas isso é uma fantasia egocêntrica. Sempre poderá acontecer algo que fuja dos seus planos, ganhe você uma ninharia ou rios de dinheiro, por isso, seja realista: dinheiro é feito para usar.
  11. Seja generoso - Ser econômico não é ver mesquinho. Todos nós podemos fazer algo para ajudar ou possuímos algo que pode ser dividido, doado, emprestado. Não pense só em si. Semeie bondade e veja os frutos nascerem não muito tempo depois.
  12. Tenha fé - Se você faz o melhor que pode, é responsável e generoso, creia que a providência de Deus está ao seu lado. Se você é cristão, então você deve crer na bondade e no favor divinos, seja lá a situação em que você se encontrar. Deus é bom e todas as coisas que Ele permite que nos sobrevenham cooperam para o nosso bem de algum modo. Assim, faça a sua parte e confie, pois Deus fará a dele. ;)
Se você gostou das dicas e quer aprender mais a respeito do retorno ao lar, fique atento, pois em breve estarão abertas as inscrições para o meu curso "De volta ao lar". Para assistir o vídeo de depoimentos das alunas da primeira turma, clique aqui.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Homeschooling e finanças (1)


Dias atrás, recebi aquela que foi, muito provavelmente, a mensagem mais grosseira já escrita e entregue a mim nestes dois anos de blog. Nela, uma senhora que eu não tenho a menor ideia de quem seja, dizia que minhas críticas à escola baseavam-se no fato de eu ser rica, de eu ter um marido rico e, portanto, não precisar trabalhar, podendo, então, ficar com as crianças em casa*. Quem me conhece, bem... não preciso nem comentar, não é, pessoal? Risadas à parte, achei que as grosserias ditas serviriam como um bom ponto de partida para uma questão importante: Como ser uma família homeschooler não sendo rica. Aliado a isso, tenho também algumas alunas do curso "De volta ao lar" que desejam sair do mercado de trabalho e temem pela saúde financeira de suas famílias. Por conta desta combinação de fatores é que agora escrevo.

Primeiro, gostaria de falar um pouco a respeito de minha saída do mercado de trabalho. Convém dizer que meu retorno ao lar não foi fruto de uma nova compreensão a respeito da importância do meu papel de mãe. Não, infelizmente. Quando saí do meu último emprego, deixei-o para não colocar em risco a gravidez do Benjamin. À época, Chloe já tinha 4 anos e frequentava a escola, de modo que, até aquele momento, éramos o que se pode chamar em nossos dias de "uma família normal". Todavia, o ambiente em que eu trabalhava tornou-se a tal ponto estressante que Gustavo disse-me para sair. Não sabíamos como iríamos nos manter financeiramente. Apenas sabíamos que mais importante do que nos preocuparmos com o dinheiro era o zelarmos pelo nosso filho. Obviamente ficamos bem apertados, inseguros e Chloe perdeu a bolsa parcial que possuía na escola particular que frequentava. Mas Benjamin veio e está conosco, graças a Deus. :)

A partir daí o que parecia ser um arranjo temporário começou a mostrar-se como definitivo. O ritmo na nova escola da Chloe exigia que eu desse um reforço em casa. E eu cada vez mais rejeitava a ideia de enviar o Benjamin a uma escolinha. Mesmo a Chloe só foi à escola por muita insistência de sua parte e aos 4 anos de idade. Como, então, deixar aquele bebezinho lindo, totalmente vulnerável e ainda incapaz de explicar o que lhe acontecia ao cuidado de terceiros? Não, muito obrigada.

Por fim o homeschool tornou-se uma realidade para nós e nossa situação financeira adquiriu um novo sentido. Sempre vivêramos apertados, sempre moráramos de aluguel, sem poupança, sem carro, sem viagens, sem plano de saúde, sem roupas de marca, sem luxo algum, mas, agora, como o foco de nossa atenção deixara de ser o dinheiro, o trabalho, a manutenção, a aquisição e passara a ser a educação da nossa família, viver com pouco tornara-se uma decisão, o preço a ser pago para que pudéssemos estar mais próximos uns dos outros e ajuntando coisas mais importantes do que aquelas que o tempo corrói.

O surpreendente nisso tudo, no entanto, não foi o nos conformarmos em viver assim, de maneira tão frugal. O mais surpreendente nisso tudo foi o quanto Deus começou a nos abençoar, inclusive financeiramente, depois que paramos de nos preocupar excessivamente com nossa subsistência. Como contei em outro post, recentemente passamos por mais uma grande transformação em nossa família: mudamos de cidade, Gustavo mudou de emprego e as crianças mudaram de professor. ;) Claro, faz pouco mais de 3 meses que vivemos assim. No entanto, qualquer um de nós, se questionado a respeito das mudanças, dará a mesma resposta: Tudo está muito melhor, em todos os sentidos.

Eu não tinha como saber que este seria o rumo que minha vida e a vida de minha família tomaria. A única coisa que eu sabia era que a vida das pessoas que eu amo é muitíssimo mais importante e valiosa do que qualquer salário em qualquer emprego. Assim, creio que ao hierarquizarmos corretamente as coisas (pessoas primeiro), em acordo sincero e profundo com o marido, moldando nosso consumo à nova realidade, e, sobretudo, confiando na providência divina (pois cremos estar fazendo a coisa certa no momento certo - pois há um tempo e um modo certo para todas as coisas), tudo se encaminhou e, se Deus quiser, continuará se encaminhando, da melhor maneira possível. Em outras palavras, creio ser perfeitamente possível uma vida digna como homeschooler, no Brasil, desde que algumas condições sejam preenchidas: o acordo genuíno entre os cônjuges, um estilo de vida condizente com a renda e o descanso na providência divina.

Prosperidade financeira não é nem nunca foi sinal da bênção de Deus. Se assim fosse, todos os crentes deveriam ser como o próprio Rei Salomão, bem como todos os incrédulos seriam mendigos. No entanto, sabemos que as coisas não são assim e que há gente próspera e minguada em ambos os grupos. Assim, nossa confiança não pode estar assentada sobre indícios materiais, mas sobre a convicção de estarmos vivendo em obediência à vontade de Deus, de acordo com os seus mandamentos e à luz da interpretação da santa da tradição. Isso é construir a casa sobre a rocha. Nada mais.


(Na segunda parte do post "Homeschooling e finanças" darei algumas dicas práticas para aquelas famílias que querem a mãe de volta ao lar e precisam aprender a viver com um orçamento mais curto. As mesmas dicas servirão também a quem precisa conseguir economizar mais.)

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* É impressionante como algumas pessoas não avaliam aquilo que lêem ou escutam com base na realidade, se aquilo é verdade ou não, mas com base no pretenso poder aquisitivo de quem escreve ou fala. Neste caso específico, é como se eu só pudesse criticar os problemas decorrentes da escolarização compulsória se fosse pobre, pois a riqueza que me é atribuída (e que eu não possuo) me desautorizaria por completo. Entenderam? Na cabeça da pessoa que me criticou (e na de muitas outras), uma pessoa com uma condição financeira melhor ou mesmo rica não sabe e não pode saber das coisas, não enxerga os problemas e, sobretudo, é, de um modo bastante estranho e confuso, culpada. É como se por debaixo do "argumento" estivesse implícito um: "Cale a boca, riquinha! Você não sofre nem nunca sofreu! Feche a sua boca pois você não sabe de nada." A pobreza torna-se, então, pré-condição para a posse da verdade e da virtude. Dou um doce para quem adivinhar quem é o pedagogo favorito desse pessoal. :p

terça-feira, 5 de maio de 2015

Maio, mês do nosso aniversário!


Meus queridos leitores, eu não esqueci de vocês!

Este é o mês de aniversário do segundo ano do Encontrando Alegria! Simmm!!! Saibam, portanto, que se eu ando sumida é porque estou preparando alguns presentes para vocês!

Aguardem as novidades! :)
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