sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lorena Dias - "Sobre a socialização ilimitada do século XXI"

Nos últimos dias, a internet, a TV e os jornais foram tomados pela história da jovem Lorena, a garota homeschooler que conseguiu ingressar na faculdade por meio do ENEM. Este é o primeiro caso brasileiro deste tipo, daí a grande repercussão que obteve. Lorena e sua família são exemplos indubitáveis de que nós, pais, podemos fazer um serviço melhor do que aquele que vem sendo oferecido pelo governo em termos de educação.

Confiram agora as palavras da própria Lorena a respeito da tão questionada socialização (uma das mais frequentes objeções levantadas contra o homeschool).

Se quiser ler o que eu penso a respeito da socialização, leia aqui.
Sobre a socialização ilimitada do século XXI

Eu fiz HOMESCHOOL! Ou, educação domiciliar. Para ter uma base do que esse texto se trata, eu vou lhe dar uma pequena introdução básica. Conclui meu último ano letivo, também conhecido como terceiro ano do ensino médio, aos 16 anos, já estava emancipada e morando em Brasília. Após prestar dois vestibulares, e fazer o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), passar em ambos e conseguir média suficiente para adquirir minha certificação, tive que entrar com um processo judicial, por ser menor e, principalmente, por estar fora da escola. Após isso, aguardei a decisão, que felizmente me foi favorável, e eis que me encontro atualmente na faculdade.
Introdução cumprida? Vamos direto ao ponto.
Socialização?!
Por que essa palavra ainda aparece tanto quando o assunto é HOMESCHOOL? Realmente um garoto ou garota que estudam em casa são anti-sociais em potencial? Estarão eles separados do mundo? Presos em uma redoma?
Cada pergunta dessa e tantas outras já foram, e são feitas constantemente a inúmeras pessoas praticantes de ED, e muitas vezes eu me sentia como um “bicho-do-mato” diante de perguntas como: “Ah, mas, você tem amigos?”, Ora, pois! Que tipo de pergunta é essa? Claro que tenho! E não é só de escolas que vem as amizades, não é mesmo? “Não sente falta de ter colegas de turma?”, essa pergunta era até plausível, se a gente olhar por um ângulo otimista. Colegas de sala são pessoas que “crescem e aprendem” junto contigo, e te ajudam a desenvolver o conhecimento e a troca de experiências, certo?! – ERRADO! – Em algumas escolas brasileiras que frequentei a sala de aula se mostrou muito diferente dessa linda teoria otimista. O que consigo me lembrar da época que estudei na escola, enfaticamente após a quinta série, é que a socialização em sala de aula passou a me trazer mais danos do que benefícios; e foram poucas e raras as pessoas que me ajudaram e se tornaram próximas a mim (pessoas que são minhas amigas até hoje). Então, em minha opinião, estar numa sala de aula com 30 pessoas (wathever), não cria nem produz a socialização. Isso depende de cada um individualmente. Fora ou dentro de uma instituição de ensino, vivemos cercados de pessoas, por toda a nossa vida, e cabe a nós, o desenvolvimento de nossa socialização, a seleção dos amigos mais íntimos, e a troca de conhecimento com pessoas diferentes de nós.
E além disso, minha gente, estamos na era da tecnologia e da comunicação! A conexão é constante e ilimitada: a internet, os smarthphones, as redes sociais, tudo isso torna a socialização ainda mais constante do que parece. Acesso a pessoas que estão do outro lado do mundo, com alguns clicks, ou uma web cam. A facilidade que isso traz é incontestável. Embora isso não substitua a “vida offline” sabemos que essa conexão não isola ninguém, pelo contrário, aproxima as pessoas cada vez mais. A ponto de ser até preocupante aonde essa socialização constante irá nos levar. Pois, a minha conclusão sobre esse assunto é: por favor, você há de convir comigo, se você não vive sozinho num lugar completamente isolado de internet ou de qualquer outro ser humano, ou se não estiver preso numa ilha deserta, (e algumas outras raras exceções), deixe-me te dizer uma coisa, só será anti-social se quiser. O convívio social existe em todos os lugares e a diversidade também.
Além de deixar minha opinião acima, queria desde já agradecer o apoio a causa, e dizer que a maior gratificação de estar aqui hoje é pensar que isso provavelmente facilitará o caminho de outros estudantes mais a frente!


Lorena Dias