sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Muito prazer, meu nome é Megera

Seremos injustos se apontarmos o feminismo como a origem do problema da confusão hierárquica nas famílias (e, consequentemente, na sociedade): esta é, possivelmente, uma das mais antigas estratégias postas em execução contra a humanidade. Se não acredita, confira lá no Livro do Gênesis. O diferencial em nossos dias é que agora o que era exceção tornou-se regra, de modo que a maioria de nós já não sabe o que convém ao seu papel, o que compete à sua alçada (para não mencionar os casos em que já nem se acredita em papéis e alçadas distintas, mas esse é um outro assunto), exercendo de maneira angustiada, confusa, aleatória ou inconsciente os seus deveres.

Hoje mesmo recebi (mais) um e-mail de uma mãe que não sabe o que fazer para controlar o desejo que os filhos têm de assistir televisão. Dias atrás uma outra mãe procurou-me sem saber o que fazer para conseguir com que os filhos escovassem os dentes. Houve ainda o caso de alguns que relutavam em estudar. Em outra ocasião... Bom, melhor parar por aqui porque a lista é longa e vocês já captaram o que quero dizer, isto é, tornaram-se preocupantemente mais frequentes os casos de mães que não sabem o que fazer para conduzir os filhos e, mais grave ainda, que não têm certeza de que o modo como tentam fazê-lo é o correto.

As justificativas para o desnorteamento das mães são muitas: segundo elas, se as crianças não obtém o que desejam, choram, fogem, brigam, fazem escândalo, o clima na casa torna-se péssimo, dizem que as odeiam e por aí vai. Em outras palavras, apesar das muitas pretensas causas, tais mães caíram na boa e velha chantagem emocional (o que é suficiente para que de algumas de nós mergulhem numa espiral de dúvidas e incertezas cada vez mais profunda e devastadora emocionalmente). Mas, caso queiramos entender mais do que o modo como fomos cair nesse truque pra lá de conhecido, aprendendo principalmente como evitá-lo, comecemos pelo começo:
  1. Crianças não são anjos. Crianças são... humanos.
    É essencial que as mães saibam que nós, seres humanos, somos criaturas decaídas, ou seja, a imperfeição, depois da imagem e semelhança de Deus, é o nosso sinal mais característico. Aí você me responde: ah, mas isso eu sei, né Camila! E eu respondo: sabe mesmo? Então por que você se surpreende quando seu filho não se comporta como um anjo? E mais: por que você perde o controle? É comum, ao pensarmos em queda, em pecado, que voltemos nossa atenção para o universo adulto, afinal, é a ele que pertencemos e é isso o que somos. Porém, é simplesmente fundamental termos bem claro diante de nós que esse traço constitutivo da humanidade inclui as crianças. É óbvio que os pecados da infância são bem menos graves que os da adultez (e devem ser, pelo amor de Deus!), mas ainda assim estão lá, a tendência desde sempre está lá, a inclinação ao que é ruim, à rebeldia, à mentira, ao descontrole está todinha lá dentro, e cabe a nós, como responsáveis instituídos por Deus do seu cuidado, ajudá-las a evitar o que é mau e a procurar o que é bom. Tal tarefa inclui coisas bem concretas: não deixá-las assistir os desenhos que quiserem quando e o quanto quiserem; não deixá-las comer besteiras até que vomitem; não deixá-las sem banho até que criem feridas; não deixá-las sem estudo até que comecem a falar "pobrema" e tudo o que saibam sejam letras de funk. É, eu sei, não é fácil. Mas é seu dever e você prestará contas dele a Deus um dia. Assim, chegamos ao ponto seguinte:
  2. Não seja amiga. Seja mãe.
    Muitas de nós, confundidas pelos ventos da época em que vivemos, não raras vezes totalmente perdidas até mesmo a nosso próprio respeito, acabamos agindo como quem procura nas crianças a aceitação e a reciprocidade de amigos em lugar do respeito e do carinho de filhos, e precisamente por isso viramos reféns das chantagens emocionais que eles nos fazem. Mães, por favor, pelo amor de Deus, pelo seu bem e da sua família, coloquem as seguintes palavras no descanso de tela dos computadores, tablets e celulares de vocês, no maior tamanho de fonte possível e em vermelho: EU NÃO SOU AMIGA DOS MEUS FILHOS: SOU A MÃE DELES! Sim, muito prazer, meu nome é Megera, mas agora preste atenção: uma vez que você admite que o seu trabalho é cuidar dos seus filhos para que eles não virem pequenos demônios tirânicos (lembra da queda?), mas crianças felizes, alegres e obedientes, você precisa admitir também que não pode deixá-los entregues às suas próprias vontades, não é mesmo? E se você admitir ambas as coisas, então será obrigada a concluir que muito provavelmente será forçada a contrariá-las em diferentes situações. E, sim, isso é cansativo, repetitivo, desgastante, mas... é a vida e faz parte do seu dever. Com isso tudo eu não quero dizer, obviamente, que você deva ser inimiga dos seus filhos. É lógico que não. Mas amar um filho é um trabalho que envolve a imposição de limites, além de muito afeto, diversão e liberdade naquilo que é conveniente e seguro a ele. No futuro, quando ele souber cuidar de si graças ao cuidado que você devotou a ele, a amizade poderá florescer e o relacionamento entre vocês alcançará a maturidade. Agora, porém, procure a amizade do seu marido, da sua irmã, da sua mãe, da sua colega, enfim, de quem você quiser, mas, por favor, seja a mãe dos seus filhos, ok? E assim chegamos a mais um ponto:
  3. O trabalho deles é tentar. O nosso é resistir.
    Prepare-se: não é porque você tomou a resolução de não cair nas chantagens emocionais das crianças que elas irão colaborar com você. Pelo contrário. O mais provável é que elas esforçem-se ainda mais por tirá-la do sério e, assim, consigam o que desejam. Assim sendo, não se supreenda se nos primeiros tempos em que você tentar regular a tv, os doces, os banhos, os estudos elas apresentarem um comportamento ainda pior, chorando ainda mais, brigando ainda mais, fazendo ainda mais escândalo, dizendo ainda mais alto que odeiam você e assim por diante. Isso é absolutamente normal e previsível pois o trabalho deles é tentar, mas o seu, em contrapartida, é resistir. E é claro que há diferentes modos de percorrer esse caminho rumo à conformidade da vontade deles à sua, mas o mais importante é que você não perca o controle nem de si mesma nem da situação. Tente não gritar, não argumentar, não se desdizer. É o seu comando e ponto final. Se preciso for, desconecte a tv da tomada. Se não resolver, doe a tv. Se ainda assim não der certo, pois eles correm ao computador, troque a senha semanalmente. Fique firme. Não vacile. Ensine, com o seu exemplo em não retroceder, a perseverança e o domínio próprio. Estas são lições indispensáveis para a vida adulta.

  4. Substitua as coisas ruins por coisas boas.
    Por último, não esqueça que, se por um lado você precisa inibir os comportamentos nocivos, por outro você precisa incentivar os comportamentos benéficos. Ou seja, não basta apenas que a criança ouça o "não" e saiba da reprovação, mas é preciso que ela ouça muitas vezes o "sim" e sinta-se aprovada. Uma coisa não pode caminhar sem a outra, caso contrário, embora consigamos controlar nossos pequenos, faremos deles jovens criaturinhas miseráveis, visivelmente infelizes e com uma autoestima que alcança, no máximo, a sola do chinelo. Por isso é importante que ofereçamos alternativas, boas opções aos maus hábitos. Por exemplo: em lugar dos desenhos, ofereça tintas, massinhas, livros, quebra-cabeças, bicicleta, carrinhos, bonecas, corda, areia, potes...; em lugar do chocolate, ofereça frutas, doces integrais, comida de sal...; em lugar da sujeira da falta de banho, ofereça uma banheira (ou um balde) e brinquedos na hora do banho, depois elogie, cheire, beije, aperte; em lugar da vagabundagem infinita, ofereça o convívio com crianças estudiosas, exemplares, ajude-o com carinho e paciência nas dificuldades, elogie todo esforço e parabenize cada conquista. Enfim, utilize uma força ainda maior que aquela empreendida em afastá-los do que é ruim para aproximá-los do que é bom. O resultado, embora possa ser demorado, valerá muito, muito a pena.
Seguindo os passos listados acima, e regando tudo com muita oração, em pouco tempo, creio, seus filhos voltarão a ser seus filhos, você voltará a ser a mãe deles e, se Deus permitir, a família usufruirá da restauração da hierarquia na relação mãe e crianças. Repito: fique firme. O desnorteio existe, mas o norte ainda está no mesmo lugar.

4 comentários:

  1. Ótimo texto! Infelizmente as pessoas deixaram de crer no que diz a Palavra de Deus, que nos chama a responsabilidade de criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor, sem provocá-los à ira e seguiram seus próprios conselhos, por isso estão colhendo o fruto da desordem e do caos. O tipo de criação que glorifica a Deus é está que você descreveu: trabalhosa, de inculcar e labutar, de ser diligente e firme. E conciliar isso com amor, calma, amabilidade,paciência e alegria....só Deus mesmo para nos capacitar!!

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  2. Uaaau!!! Que Nosso Senhor seja louvado pelo grandioso bem que tem nos feito através das palavras de sua amável serva Camila!

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