quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Meu conto de Natal favorito

Hoje à noite, por ocasião do Natal, interromperemos a sequência da nossa leitura noturna do momento para lermos aquele que é o meu conto de Natal favorito. Aos que quiserem fazer o mesmo, deixo-o copiado abaixo. Tenho certeza absoluta de que não haverá razões para arrependimento. :)

Um feliz Natal a todos! Que o Menino Deus nos inspire para que em 2016 sejamos corajosos como Ele sempre foi, para que lutemos por aquilo que, mais que nosso direito, é nosso divino dever: educar nossos filhos.




O Gigante egoísta, de Oscar Wilde.

Todas as tardes, quando voltavam da escola, as crianças costumavam ir brincar no jardim do Gigante.

Era um belo e vasto recanto, coberto de grama verde e macia. Aqui e ali, por sobre a relva, apontavam lindas flores, semelhando estrelas. Havia doze pessegueiros que, na primavera, se abriam em delicada floração de cor rosa e pérola; no outono, ficavam carregados de deliciosos frutos. Os pássaros, pousados nas árvores, cantavam tão docemente que as crianças costumavam interromper os seus brinquedos para escutá-los.
-- Quão felizes somos aqui! -- diziam entre si.
Um dia o Gigante regressou. Fora visitar um amigo, o papão da Cornualha, hospedando-se em casa deste durante sete anos. Decorrido esse tempo, dissera tudo quanto tinha a dizer, visto que sua conversa era pouca; e resolveu retornar ao seu próprio castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.
-- Que estais fazendo aqui? -- gritou-lhes, com voz bastante ríspida.
A criançada deitou a correr.
-- Meu jardim é meu jardim. Todos sabem: não permito que ninguém, a não ser eu mesmo, brinque nele -- resmungou consigo.
E ergueu uma alta muralha à volta do vergel, afixando a tabuleta de aviso:


OS INVASORES SERÃO PROCESSADOS


Era um Gigante deveras egoísta.
As pobres crianças não tinham, agora, onde brincar. Experimentaram fazê-lo na estrada, mas esta era poeirenta e cheia de pedras ásperas; não gostavam dela. Ao término das aulas, costumavam perambular à volta das altas muralhas, conversando sobre o lindo jardim que havia ali dentro.
-- Como éramos felizes ali! -- diziam-se.
A primavera chegou, então, e, por todo o campo, surgiram florzinhas e pássaros. Apenas no jardim do Gigante Egoísta era inverno ainda. Nele as aves não queriam cantar, pois não havia crianças, e as árvores não se lembraram de florir. Certa vez, uma linda flor pôs a cabeça para fora da grama; avistando, porém, a tabuleta, sentiu tanta pena dos infantes que se enfiou, novamente, de mansinho, no solo, e adormeceu. Os únicos seres satisfeitos eram a Neve e a Geada.
-- A primavera esqueceu-se deste jardim -- disseram. -- Por conseguinte, ficaremos aqui durante o ano todo.
A primeira cobriu a relva com seu extenso manto branco, e a segunda tingiu as árvores de prata. Em seguida, convidaram o Vento do Norte para vir ter com elas, e este veio. Envolto em casaco de pele, zunia o dia inteiro pelo vergel, derribando as chaminés.
-- É um lugar aprazível -- falou-lhes o Vento. -- Devemos convidar o Granizo para uma visita.
Este último também veio e, todos os dias, durante três horas, tamborilava no telhado do castelo, até que fendeu a maior parte das telhas; e passou, então, a correr à volta do jardim tão rápido quanto era capaz. Vestia-se de cinzento e seu hálito era que nem gelo.
-- Não compreendo porque a primavera está demorando tanto para vir -- murmurou consigo o Gigante, ao postar-se à janela, olhando lá fora o seu vergel branco e triste. -- Espero que o tempo mude.
A primavera, porém, jamais veio, e tampouco o verão. O outono trouxe dourados pomos a todos os jardim, mas ao do Gigante, nem um sequer.
-- É egoísta demais -- justificou.
De modo que ali era sempre inverno; e o Vento do Norte, o Granizo, a Geada e a Neve dançavam por entre as árvores.
Certa manhã, o Gigante achava-se desperto, na cama, quando ouviu uma linda melodia. A música soou-lhe tão agradavelmente aos ouvidos que pensou fossem músicos reais passando. Na verdade, era apenas um Pintarroxozinho que cantava, fora de sua janela; fazia, porém, tanto tempo desde que ouvira um pássaro cantar, em seu jardim, que lhe pareceu ser a mais linda melodia do mundo. O Granizo parou, então, de saltitar sobre o telhado, e o Vento extinguiu o seu rugido; pela janela aberta, vinha-lhe um delicioso perfume.
-- Creio que, por fim, a Primavera chegou -- disse consigo, saltando da cama.
E olhou para fora... Mas o que via?!
Um quadro maravilhosíssimo! A criançada entrara furtivamente no jardim, através dum pequeno buraco na muralha, e estava sentada nos galhos das árvores. Em cada uma destas, havia uma criança. E as árvores estavam tão contentes por entreterem, de novo, a petizada, que se tinham coberto de flores e meneavam delicadamente os ramos por sobre as cabecinhas infantis. Os pássaros esvoaçavam dum lugar a outro, chilreando de prazer; as flores erguiam os olhos, por entre a grama verdejante, e riam. Uma linda cena; apenas num canto ainda era inverno, no trecho mais afastado do vergel; nele, havia um rapazinho em pé, tão pequeno que não lograva alcançar os galhos da árvore, e vagueava à volta desta, chorando amargamente. A pobre árvore ainda se encontrava coberta de neve e geada; o Vento Norte soprava, zunindo, sobre ela.
-- Sobe, rapazinho! -- instava a árvore, abaixando os galhos tanto quanto podia.
Mas o menino era muito pequeno.
O coração do Gigante comoveu-se àquela cena.
-- Quão egoísta tenho sido! -- disse. Compreendo, agora, porque a primavera não quis vir aqui. Colocarei aquele rapazinho no lato da árvore; depois, com uma pancada, derrubarei a muralha, e meu jardim será, para sempre, um parque infantil.
Lastimava, realmente, o que fizera.
Cuidadoso, desceu ao rés-do-chão, abriu a porta da frente bem devagar, e saiu para o jardim. Mas, avistando-o, as crianças atemorizaram-se de tal forma que todas elas deitaram a correr; e eli tornou a ser inverno, novamente. Só não correu o rapazinho, pois tinha os olhos inundados de lágrimas, a ponto de não notar a aproximação do Gigante. Este chegou, de mansinho, por trás do menino e, erguendo-o nas mãos, com brandura, colocou-o na árvore, que se enflorou no mesmo instante, e os pássaros vieram e cantaram, pousados em seus ramos. O rapazinho, estendendo os braços, lançou-os em torno do pescoço do Gigante, a quem beijou. As demais crianças, ao perceberem que o homenzarrão já não era ruim, voltaram correndo; com elas, voltou também a primavera.
-- Este jardim agora é vosso, meninos -- disse-lhes o dono do castelo.
E tomando dum enorme machado, pôs abaixo a muralha.
Ao ir à feira das doze horas, o povo deparou com o Gigante a brincar com as crianças no mais lindo vergel jamais visto. Estas brincaram o dia todo e, ao cair da noite, foram despedir-se de seu benfeitor, que lhes perguntou:
-- Onde está o vosso companheirozinho, o que pus na árvore?
O Gigante amava-o mais que aos outros, pois que dele recebera um beijo.
-- Não sabemos -- responderam-lhe. -- Ele sumiu-se.
-- Deveis dizer-lhe que não deixe de vir amanhã.
As crianças, porém, retrucaram-lhe que desconheciam onde morava o referido rapazinho e que nunca o tinham visto antes. O benfeitor entristeceu-se muitíssimo.
Todas as tardes, ao terminar das aulas, os petizes iam brincar com o Gigante; mas aquele a quem este amava, jamais foi visto outra vez. O Gigante era bastante gentil para com todas as crianças; contudo, sentia saudades de seu primeiro amiguinho e mencionava-o muitas vezes.
-- Quanto eu gostaria de vê-lo! -- costumava dizer.
Passaram-se os anos. O Gigante ficou bem idoso e alquebrado. Já não lhe era possível brincar por ali, de modo que permanecia sentado numa enorme cadeira de braços, vendo os folguedos infantis e admirando o seu jardim.
-- Tenho um mundo de flores lindas -- dizia consigo --, mas as crianças são as mais lindas flores de todas.
Numa manhã de inverno, ao vestir-se, olhou para fora da janela. A esse tempo, não mais detestava o inverno, pois sabia que era apenas a primavera adormecida, e que as flores respousavam.
Subitamente, esfregou os olhos, admirado, firmando a vista. Era, sem dúvida, um esplêndido cenário! No canto mais afastado do jardim estava uma árvore toda coberta de lindas flores brancas; seus galhos eram de ouro e deles pendiam pomos prateados; e, debaixo da árvore, o rapazinho que ele tanto amava!
Transbordante de alegria, correu para o rés-do-chão e dali para o jardim. Correu mais depressa ainda por sobre a grama, e aproximou-se do menino. Ao chegar-lhe bem perto, o rosto do Gigante tornou-se rubro de cólera.
-- Quem ousou magoar-te? -- perguntou-lhe, pois nas palmas das mãos do menino havia sinais de dois pregos cravados, sinais que se repetiam em seus pezinhos.
Insistiu:
-- Quem ousou magoar-te? Dize, para que eu possa pegar da minha espada e matá-lo.
-- Não! -- respondeu-lhe a criança. -- São estigmas do Amor.
-- Mas, quem és? -- tornou a indagar o Gigante.
Foi tomado, então, dum estranho temor, caindo de joelhos diante da criancinha, que lhe disse, sorrindo:
-- Deixaste-me brincar uma vez em teu jardim; pois, hoje, irás comigo ao meu, que é o Paraíso.
Ao voltarem, correndo, naquela tarde, as crianças encontraram o Gigante morto, sob a árvore, e todo coberto de flores brancas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O dia em que a família ficou em segundo lugar


Ontem pela manhã estivemos reunidos com representantes da Associação dos Procuradores do Estado do RS (a APERGS) exigindo a retratação do procurador Luis Carlos Kothe Hagemann. Para quem não sabe, o procurador Hagemann solicitou, na qualidade de representante do estado do Rio Grande do Sul, o ingresso como amicus curiae no caso da menina Valentina Dias, uma homeschooler que recorreu ao STF para garantir o seu direito de ser educada em casa. O caso é seríssimo, pois o seu resultado repercutirá sobre todas as famílias homeschoolers do Brasil. Para quem quer saber mais, ficam aqui os links:
qual foi o problema com a petição do procurador, como foi o primeiro encontro com a procuradoria e a nossa petição pública pela retratação do procurador.

Mas voltando ao início, chegamos, na reunião de ontem, com um grande atraso. Embora tenhamos saído de casa com tempo de sobra, ficamos trancados num engarrafamento na BR-116, na região de São Leopoldo, por muito tempo. Assim, quando finalmente conseguimos chegar ao prédio da Assembléia Legislativa, a reunião já havia começado. Entramos, sentamos e aguardamos calados. Quem estava com a palavra era a procuradora, alegando o direito à liberdade de expressão do procurador Hagemann. Segundo ela, a opinião do procurador de que a educação serve para proteger os filhos dos pais é um direito dele, de modo que não haveria motivo algum para retratação.

Em seguida, quem passou a falar foi o deputado Tiago Simon, explicando, ao que parecia não ser a primeira vez, o fato óbvio de que o procurador pode e deve ter suas opiniões respeitadas, mas que elas não foram solicitadas e não são convenientes em uma petição na qual ele está exercendo a função de representante do governo de um estado. Tiago prosseguiu com firmeza, alegando que o argumento da procuradora era uma mera defesa corporativista e falta de humildade. Ao término ele passou a palavra para Gustavo, para que falasse um pouco sobre homeschooling.

Gustavo, após apresentar-se, iniciou relatando os números aproximados de famílias homeschoolers no país e no estado, passando em seguida aos países nos quais o HS é legal, e, por último, contando um pouco da nossa trajetória familiar e mostrando alguns materiais. A procuradora reconheceu o seu desconhecimento sobre o assunto e questionou a razão de o HS não ser reconhecido em nosso país. Gustavo pôde explicar a modificação pela qual a Constituição de 88 passou, priorizando o dever do estado no oferecimento da educação escolarizada às crianças em detrimento da prioridade da escolha da família. Por último, Gustavo, assumindo o óbvio (isto é, o direito que cada um tem às próprias opiniões), advertiu aos procuradores que caso o procurador Hagemann não venha emitir uma retratação pública a respeito daquela passagem extremamente infeliz da sua petição (pois o que está em questão não são as suas convicções pessoais, mas o exercício indevido de sua função), ele será acionado judicialmente por danos morais coletivos, bem como a própria Procuradoria e o governo do estado do Rio Grande do Sul.

Como último recurso os procuradores começaram a discorrer sobre o quanto eles pessoalmente discordam da posição do procurador, sobre o quanto ele tem sofrido retaliações nas redes sociais, sobre o quão acessível e boa pessoa ele é, o quanto eles não têm o que fazer embora tentem conversar com o colega mas não têm como garantir nada e blá, blá, blá. Em outras palavras, a reunião descambou para aquele clima vaselínico do "deixa disso". O deputado Tiago Simon advertiu-os que dessem um jeito, pois a situação não ficaria por isso mesmo e a imagem da procuradoria seria severamente comprometida diante de todas as famílias brasileiras, repetindo também que eles agiam por corporativismo e eram incapazes de humildade.


Eu, de minha parte, fiquei em silêncio por quase todo o tempo, envolvida que estava com o cuidado do Nathaniel. Minha única intervenção, um tanto destemperada pela perplexidade diante de tanta hipocrisia, foi perguntar aos procuradores se eles não tinham família
. Definitivamente, diplomacia e sutilezas no trato ao vivo não são para mim.

Para encerrar, amigos, fica aqui o meu apelo para que vocês rezem para que Deus ilumine o procurador Hagemann, para que ele caia sem si, retroceda de sua decisão de publicizar suas opiniões pessoais em locais indevidos e retrate-se como convém. Não estamos aqui para uma queda de braços e aceitaremos alegres a sua retratação (caso ela venha), mas estamos aqui para que o respeito pela instituição mais importante de toda e qualquer sociedade em todos os tempos e lugares seja respeitada. Contamos com vocês!
Deixo aqui também o nosso agradecimento sobretudo ao deputado Tiago Simon, que mostrou-se totalmente comprometido conosco, homeschoolers, e também com a defesa da família. Muito obrigada também à presença e apoio da deputada Liziane Bayer, e ao deputado Marcel van Hatten, que mesmo não estando presente mandou representantes seus em apoio à nossa causa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Feminismo? Não, obrigada.

Ontem à noite, eu, Aline Brodbeck e Carol Balan participamos do programa ELAS, o espaço feminino do Terça Livre, falando sobre "carreira profissional vs. casamento e filhos", o assunto do encontro. Contamos para Cínthia Tonani e Laíza Helena um pouco das nossas experiências, tanto no mundo do trabalho como na família, compartilhamos algo das nossas compreensões acerca do atual estado de coisas no universo feminino e também um pouco do nosso trabalho. Quem quiser conferir, aqui está o vídeo do hangout. ;)


Links mencionados no programa:

sábado, 12 de dezembro de 2015

Governo deixa família em "milhões de pedaços”



A Suécia, um país elogiadíssimo entre nós, brasileiros, pela honestidade de seus políticos, pela liberalidade do estilo de vida dos seus cidadãos e pelo seu laicismo, há sete anos mantém cativo o menino Domenic, que nunca mais pôde ver seus pais, sob a alegação de praticar a perigosíssima educação domiciliar.

Sem sombra de dúvida, uma das histórias mais tristes que já acompanhei. Uma história que mostra bem o quanto um Estado de poder incontrolável (o sonho de todos os esquerdistas) não dá a mínima para os indivíduos, muito menos para as crianças, e se precisar destruí-las não pensará duas vezes.


Tradução de Mariana Belmonte


Corte não autoriza que pais homeschooolers sequer 
vejam o filho sequestrado pelo Estado.


A Suprema Corte sueca recusou-se a deixar que o casal Johansson visse seu filho de 14 anos de idade, que foi basicamente “sequestrado pelo estado” e levado por assistentes sociais quando ainda tinha apenas 7 anos de idade, simplesmente porque era educado em casa.

A notícia sobre a decisão vem da Home School Legal Defense Association (HSLDA, Associação Americana de Defesa Legal de Homeschoolers) que, junto com outros grupos, incluindo a Aliança em Defesa da Liberdade (ADF, Alliance Defending Freedom) e a advogada Ruby Harrold-Claesson, do Comitê Nórdico de Direitos Humanos, tem trabalho no caso envolvendo o menino Domenic Johansson.

Ele, com então sete anos de idade, foi tirado à força de um vôo comercial em que estava com seus pais de mudança da Suécia para a Índia, país natal da mãe. As primeiras alegações foram de que ele era educado em casa, o que era legal na Suécia naquele momento, embora oficiais tenham acrescentado alegações de que suas vacinas não estavam em dia e que ele precisava de obturações em seus dentes.

O site WND (World Net Daily) noticiou dias atrás que a família estava pedindo à Suprema Corte do país para revisar o que havia descrito como um ataque vicioso à família por oficiais do governo. Os pais, Christer e Annie Johannson, não têm a custódia do seu filho desde que ele foi levado pela polícia e assistentes sociais, e não estão sequer autorizados a vê-lo desde 2010.

Harrold-Claesson informou à HSLDA que a corte recusou o apelo. Ela disse que a corte respondeu quase imediatamente após o registro do apelo, indicando que a rejeição já estava preparada de antemão. “Esta decisão não é realmente uma surpresa”, ela disse ao HSLDA, “porque o sistema sueco defende seu poder sobre cada indivíduo, e defende seus agentes mesmo quando cometem os menores crimes.”

Michael Donnelly, diretor da Organização Internacional de Alcance Global dos Homeschoolers, disse: “Este é mais um exemplo da mesma indiferença fria e insensível da Suprema Corte Sueca que vimos no passado. Esta corte teve múltiplas oportunidades de corrigir uma grave injustiça, e em todas as vezes eles se recusaram.” Ele continua: “O governo sueco destruiu esta família e, tristemente, mesmo que a corte concordasse em ouvir o caso e rever a decisão, o dano já foi causado e é vitualmente irreparável.”

Os pais ainda vivem na ilha de Gottland e presumem que seu filho more na mesma região sob custódia do governo, mas eles nunca foram autorizados a visitá-lo. Há dois meses, Christer postou no Facebook que era aniversário de Domenic: “Nós gostaríamos de parabenizá-lo, mas não podemos, ou, para dizer a verdade, não somos autorizados.”

Donnelly diz que o trabalho em nome dos Johanssons continuará. “É a coisa certa a se fazer e, com isto, poderemos ajudar outras famílias. Mas a realidade dura e fria é que a família Johansson foi, como o próprio Christer disse uma vez, ‘partida em um milhão de pedaços’. Nossos corações também devem se solidarizar com esta família e com outras que lidam com situações similares.”

Roger Kiska, o consultor senior da ADF, afirma que o caso revela a severidade da condenação européia ao homeschooling, a exemplo de Adolf Hitler, um dos primeiros a banir a educação domiciliar e requerer que os estudantes estivessem sob doutrinação do governo durante seus anos formativos. “Domenic deveria ter sido devolvido à família há muito tempo, se não fosse a severidade burocrática do sistema Sueco de Proteção da Criança”, ele diz. “O comportamento dos oficiais do governo tem sido repreensível, e o fato de que a Corte Européia de Direitos Humanos não tenha se engajado neste caso é preocupante.” Ele ainda diz que sua organização continuará a chamar a atenção do governo sueco para que “corrija esta injustiça”.

O site WND relatou o caso no seu começo e há uma semana reportou que os advogados da família estavam argumentando que “a declaração de Direitos Humanos das Nações Unidas reconhece a família como a unidade fundamental da sociedade com direito à proteção do estado e também contra ele.”

A HSLDA resumiu o caso: assistentes sociais que estavam enfurecidos com a educação domiciliar, que era legal na Suécia naquela época, usaram a polícia para levar o menino à força e depois acrescentaram alegações de que havia problemas com as suas vacinas e seus dentes. Então, assistentes sociais, ajudados pelas cortes locais, simplesmente mantiveram Domenic sob guarda do estado. “Imagine morar a apenas algumas milhas do seu filho mas ser impedido, pela autoridade do governo, de sequer vê-lo por muitos anos”, diz a HSLDA. “Essa é a trágica história da família Johansson, que educava em casa na Suécia quando decidiram se mudar para a Índia, país de origem de Annie Johansson. Os três estavam sentados em um vôo comercial em Junho de 2009 quando, momentos antes da decolagem, policiais e assistentes sociais embarcaram no avião e levaram Domenic à força.”

Depois de anos de lutas na justiça, em dezembro de 2012 a corte transferiu a custódia de Domenic para o estado, e a Corte Européia de Direitos Humanos rejeitou os apelos submetidos para seus oficiais. A decisão mais recente do corpo internacional de direitos humanos diz que “os aplicantes falharam no cuidado físico e psicológico de Domenic.” Ela ainda alega que Domenic “não foi autorizado pelos pais a ir para a escola” e estava “isolado”.

O WND também noticiou que especialistas legais argumentaram que os oficiais suecos violaram múltiplos direitos humanos, garantidos em tratados internacionais dos quais o governo sueco é parte: o direito dos pais de dirigir a educação de seus filhos e a vida familiar, o direito ao devido processo legal, à livre movimentação e outros.

“A apreensão da criança sem uma ordem judicial válida, retirada de um avião em que estava legalmente autorizada a estar, a detenção em guarda estatal sem praticamente nenhum contato com sua família e, finalmente, a rescisão dos direitos paternos são claras violações dos direitos humanos básicos.”, diz Michael Farris, fundador e diretor da HSLDA e mestre em direito público internacional pela Universidade de Londres.

Oficiais suecos se recusaram várias vezes a responder às perguntas do WND. Inúmeros especialistas e advogados descreveram o incidente do avião como um exemplo descarado de “sequestro pelo estado”.

Quando uma decisão favorável aos pais foi emitida pela corte durante o andamento do caso, os oficiais do governo simplesmente mantiveram a custódia de Dominic até conseguirem que a decisão fosse revertida.

Como a WND tem noticiado por anos, a família Johansson não está sozinha na batalha contra as autoridades suecas pelo direito de educar em casa. Muitas famílias já fugiram para outros países, inclusive a de Jonas Himmelstrand, chefe da Associação Sueca de Educação Domiciliar (ROHUS), que foi para a Finlândia com sua esposa e filhos.

Texto original em:http://www.wnd.com/2015/12/government-leaves-family-broken-into-a-million-pieces/#W2kQVTGyzTDjLpKJ.99

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Muito prazer, meu nome é Megera

Seremos injustos se apontarmos o feminismo como a origem do problema da confusão hierárquica nas famílias (e, consequentemente, na sociedade): esta é, possivelmente, uma das mais antigas estratégias postas em execução contra a humanidade. Se não acredita, confira lá no Livro do Gênesis. O diferencial em nossos dias é que agora o que era exceção tornou-se regra, de modo que a maioria de nós já não sabe o que convém ao seu papel, o que compete à sua alçada (para não mencionar os casos em que já nem se acredita em papéis e alçadas distintas, mas esse é um outro assunto), exercendo de maneira angustiada, confusa, aleatória ou inconsciente os seus deveres.

Hoje mesmo recebi (mais) um e-mail de uma mãe que não sabe o que fazer para controlar o desejo que os filhos têm de assistir televisão. Dias atrás uma outra mãe procurou-me sem saber o que fazer para conseguir com que os filhos escovassem os dentes. Houve ainda o caso de alguns que relutavam em estudar. Em outra ocasião... Bom, melhor parar por aqui porque a lista é longa e vocês já captaram o que quero dizer, isto é, tornaram-se preocupantemente mais frequentes os casos de mães que não sabem o que fazer para conduzir os filhos e, mais grave ainda, que não têm certeza de que o modo como tentam fazê-lo é o correto.

As justificativas para o desnorteamento das mães são muitas: segundo elas, se as crianças não obtém o que desejam, choram, fogem, brigam, fazem escândalo, o clima na casa torna-se péssimo, dizem que as odeiam e por aí vai. Em outras palavras, apesar das muitas pretensas causas, tais mães caíram na boa e velha chantagem emocional (o que é suficiente para que de algumas de nós mergulhem numa espiral de dúvidas e incertezas cada vez mais profunda e devastadora emocionalmente). Mas, caso queiramos entender mais do que o modo como fomos cair nesse truque pra lá de conhecido, aprendendo principalmente como evitá-lo, comecemos pelo começo:
  1. Crianças não são anjos. Crianças são... humanos.
    É essencial que as mães saibam que nós, seres humanos, somos criaturas decaídas, ou seja, a imperfeição, depois da imagem e semelhança de Deus, é o nosso sinal mais característico. Aí você me responde: ah, mas isso eu sei, né Camila! E eu respondo: sabe mesmo? Então por que você se surpreende quando seu filho não se comporta como um anjo? E mais: por que você perde o controle? É comum, ao pensarmos em queda, em pecado, que voltemos nossa atenção para o universo adulto, afinal, é a ele que pertencemos e é isso o que somos. Porém, é simplesmente fundamental termos bem claro diante de nós que esse traço constitutivo da humanidade inclui as crianças. É óbvio que os pecados da infância são bem menos graves que os da adultez (e devem ser, pelo amor de Deus!), mas ainda assim estão lá, a tendência desde sempre está lá, a inclinação ao que é ruim, à rebeldia, à mentira, ao descontrole está todinha lá dentro, e cabe a nós, como responsáveis instituídos por Deus do seu cuidado, ajudá-las a evitar o que é mau e a procurar o que é bom. Tal tarefa inclui coisas bem concretas: não deixá-las assistir os desenhos que quiserem quando e o quanto quiserem; não deixá-las comer besteiras até que vomitem; não deixá-las sem banho até que criem feridas; não deixá-las sem estudo até que comecem a falar "pobrema" e tudo o que saibam sejam letras de funk. É, eu sei, não é fácil. Mas é seu dever e você prestará contas dele a Deus um dia. Assim, chegamos ao ponto seguinte:
  2. Não seja amiga. Seja mãe.
    Muitas de nós, confundidas pelos ventos da época em que vivemos, não raras vezes totalmente perdidas até mesmo a nosso próprio respeito, acabamos agindo como quem procura nas crianças a aceitação e a reciprocidade de amigos em lugar do respeito e do carinho de filhos, e precisamente por isso viramos reféns das chantagens emocionais que eles nos fazem. Mães, por favor, pelo amor de Deus, pelo seu bem e da sua família, coloquem as seguintes palavras no descanso de tela dos computadores, tablets e celulares de vocês, no maior tamanho de fonte possível e em vermelho: EU NÃO SOU AMIGA DOS MEUS FILHOS: SOU A MÃE DELES! Sim, muito prazer, meu nome é Megera, mas agora preste atenção: uma vez que você admite que o seu trabalho é cuidar dos seus filhos para que eles não virem pequenos demônios tirânicos (lembra da queda?), mas crianças felizes, alegres e obedientes, você precisa admitir também que não pode deixá-los entregues às suas próprias vontades, não é mesmo? E se você admitir ambas as coisas, então será obrigada a concluir que muito provavelmente será forçada a contrariá-las em diferentes situações. E, sim, isso é cansativo, repetitivo, desgastante, mas... é a vida e faz parte do seu dever. Com isso tudo eu não quero dizer, obviamente, que você deva ser inimiga dos seus filhos. É lógico que não. Mas amar um filho é um trabalho que envolve a imposição de limites, além de muito afeto, diversão e liberdade naquilo que é conveniente e seguro a ele. No futuro, quando ele souber cuidar de si graças ao cuidado que você devotou a ele, a amizade poderá florescer e o relacionamento entre vocês alcançará a maturidade. Agora, porém, procure a amizade do seu marido, da sua irmã, da sua mãe, da sua colega, enfim, de quem você quiser, mas, por favor, seja a mãe dos seus filhos, ok? E assim chegamos a mais um ponto:
  3. O trabalho deles é tentar. O nosso é resistir.
    Prepare-se: não é porque você tomou a resolução de não cair nas chantagens emocionais das crianças que elas irão colaborar com você. Pelo contrário. O mais provável é que elas esforçem-se ainda mais por tirá-la do sério e, assim, consigam o que desejam. Assim sendo, não se supreenda se nos primeiros tempos em que você tentar regular a tv, os doces, os banhos, os estudos elas apresentarem um comportamento ainda pior, chorando ainda mais, brigando ainda mais, fazendo ainda mais escândalo, dizendo ainda mais alto que odeiam você e assim por diante. Isso é absolutamente normal e previsível pois o trabalho deles é tentar, mas o seu, em contrapartida, é resistir. E é claro que há diferentes modos de percorrer esse caminho rumo à conformidade da vontade deles à sua, mas o mais importante é que você não perca o controle nem de si mesma nem da situação. Tente não gritar, não argumentar, não se desdizer. É o seu comando e ponto final. Se preciso for, desconecte a tv da tomada. Se não resolver, doe a tv. Se ainda assim não der certo, pois eles correm ao computador, troque a senha semanalmente. Fique firme. Não vacile. Ensine, com o seu exemplo em não retroceder, a perseverança e o domínio próprio. Estas são lições indispensáveis para a vida adulta.

  4. Substitua as coisas ruins por coisas boas.
    Por último, não esqueça que, se por um lado você precisa inibir os comportamentos nocivos, por outro você precisa incentivar os comportamentos benéficos. Ou seja, não basta apenas que a criança ouça o "não" e saiba da reprovação, mas é preciso que ela ouça muitas vezes o "sim" e sinta-se aprovada. Uma coisa não pode caminhar sem a outra, caso contrário, embora consigamos controlar nossos pequenos, faremos deles jovens criaturinhas miseráveis, visivelmente infelizes e com uma autoestima que alcança, no máximo, a sola do chinelo. Por isso é importante que ofereçamos alternativas, boas opções aos maus hábitos. Por exemplo: em lugar dos desenhos, ofereça tintas, massinhas, livros, quebra-cabeças, bicicleta, carrinhos, bonecas, corda, areia, potes...; em lugar do chocolate, ofereça frutas, doces integrais, comida de sal...; em lugar da sujeira da falta de banho, ofereça uma banheira (ou um balde) e brinquedos na hora do banho, depois elogie, cheire, beije, aperte; em lugar da vagabundagem infinita, ofereça o convívio com crianças estudiosas, exemplares, ajude-o com carinho e paciência nas dificuldades, elogie todo esforço e parabenize cada conquista. Enfim, utilize uma força ainda maior que aquela empreendida em afastá-los do que é ruim para aproximá-los do que é bom. O resultado, embora possa ser demorado, valerá muito, muito a pena.
Seguindo os passos listados acima, e regando tudo com muita oração, em pouco tempo, creio, seus filhos voltarão a ser seus filhos, você voltará a ser a mãe deles e, se Deus permitir, a família usufruirá da restauração da hierarquia na relação mãe e crianças. Repito: fique firme. O desnorteio existe, mas o norte ainda está no mesmo lugar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Feminismo, maternidade e fé em notas soltas

As notas abaixo foram escritas no facebook, mas penso que vale a pena compartilhá-las aqui com vocês:

I.
Hoje caminhei pela cidade, em meu passo de tartaruga manca, pagando contas e comprando algumas coisas para o Natal. Sem pressa, conversei com algumas pessoas desconhecidas. A maioria de vocês, mulheres, não faz idéia do quanto é bom encher a boca para dizer, em resposta às perguntas sobre o bebê e a gestação, que este é o meu quarto filho. Dá uma alegria poder ver nos olhos das mulheres os preconceitos se desmanchando e uma inesperada alegria nascendo. Quando elas vêem uma mulher jovem, tranquila, falando com amor de sua família, de seu marido e de seus filhos, inevitavelmente elas se vêem diante de um outro modo de ser mulher, diferente do que nos vendem e nos forçam a grande mídia e, lógico, as feministas. Não sei -- e nem me interessa saber -- que espécie de fruto -- se é que dará algum fruto -- nascerá desse tipo de informalidade, mas sei que me enche de alegria e gratidão a Deus poder mostrar o milagre que somos, eu e os meus, no meio dessa geração que abraça a esterilidade como se fosse a única alternativa existente e aceitável. Àquelas de vocês que podem fazer o mesmo que eu, e com ainda mais propriedade, o meu abraço sincero e a minha admiração!

II.
Eu não nasci pró-vida nem pró-família. Aliás, venho de experiências que desencorajariam qualquer um. No entanto, dando continuidade a uma série de mudanças profundas em minha vida, comecei a conhecer famílias em que as pessoas se amavam, que queriam ficar juntas apesar das diferenças, que lutavam de verdade por isso; depois, comecei a conhecer famílias com muitos filhos (mais de 3, no mínimo) e fui aprendendo sobre o modo como elas compreendem seus papéis, como resistem às pressões e críticas, como são felizes e prevalecem quando todos esperam o contrário; por fim, fui percebendo como minha fé alicerça, incentiva e luta por tudo isso, pelas famílias e pelos filhos, por muitos filhos, por tantos quantos Deus quiser mandar. Enfim, não vim ao mundo com essa mentalidade e nem a assumi instantaneamente, de uma hora para outra, mas percorri um caminho no qual o exemplo de pessoas reais, de carne e osso, bem como minha própria busca por uma vida de verdade, escolhida por mim, não imposta desde fora e formatada pelas propagandas, revistas e panfletos, fizeram toda a diferença. Não foi fácil e não tem sido fácil, mas a convicção de que estou fazendo a coisa certa e o apoio irrestrito do meu marido são tudo o que preciso para seguir em frente e colher os frutos que tenho colhido: a fecundidade, a união e o amor no lar. Se é isso o que você busca, saiba que apesar de difícil é possível, sim. Comece pedindo a ajuda de Deus e confiando na Sua resposta. Não se apresse, não fique ansiosa, apenas peça e confie. Aos poucos as coisas começarão a acontecer.

III.
Mulheres queridas da minha timeline, se vocês querem entender por quais motivos ser uma mulher normal -- daquele tipo que viu-se ao longo dos séculos e milênios, isto é, que deseja ter uma família com marido e filhos e dela cuidar -- é uma coisa cada vez mais difícil e contracultural, leiam os seguintes livros, todos sugeridos em meu curso "De volta ao lar":
1. De volta ao lar, de Mary Pride (não, o nome do meu curso não é para imitar o livro; foi o resultado de uma enquete feita com as leitoras do blog).
Trata-se do relato surpreendente de uma ex-feminista que se converteu, casou, teve filhos e os educou em casa. Para quem quiser conhecer as raízes religiosas e malignas do feminismo é um prato cheio. Ah, e está disponível na web, basta procurar.
2. O amor que dá vida, de Kimberly Hahn.
Obra de uma teóloga ex-protestante convertida ao catolicismo a respeito das diferentes políticas de planejamento familiar e a posição oficial da Igreja a respeito. O livro é repleto de testemunhos de outras mulheres que entraram em contato com Kimberly relatando suas histórias de abertura à vida.

3. O outro lado do feminismo, de Phyllis Schlafly.
Lançamento recente da editora Simonsen. Desfaz uma por uma das mentiras que o feminismo nos conta há mais de 5 décadas. É mais ou menos o equivalente ao "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" só que contra o feminismo.

IV.
Um alerta precisa ser dado: optar por constituir uma família numerosa não é o mesmo que optar por morar numa casa em lugar de morar num prédio, ou por decidir cursar história em lugar de filosofia na faculdade. E não o é pelo simples motivo de que a formação de uma família envolve o nascimento de pessoas que mudarão a sua vida de uma maneira irremediável e para sempre. Desejar ser a esposa de um só marido e a mãe de muitos filhos não é algo pelo qual se decide porque "é lindo", "é de Deus", "meu namorado sonha com isso", etc. Estamos falando de algo definitivo, afinal! E mais: de algo que, além de contar com toda a oposição do mundo e de todo o mundo, ainda dá muito, muito trabalho. "Mas, Camila, filhos não são bênçãos de Deus e não devemos estar abertos a elas?" Sim, é claro. Mas você sabe por que Deus nos abençoa? Para nos atrair para mais perto Dele. E você sabe como é que chegamos mais perto de Deus? Pela cruz. E você sabe para que serve a cruz? Para matar. É, para matar. Matar em nós tudo aquilo que nos afasta de Dele: nosso egoísmo, nossa preguiça, nosso orgulho, nossa prepotência, nossa covardia, nossa indiferença, nossa autocomiseração... Filhos são bênçãos dadas por Deus para que nos tornemos mais semelhemantes a Ele. Em outras palavras: não entre nisso, não assuma o propósito de ter uma família numerosa por motivos secundários, por ter mudado de turma e ter se convertido, porque o pessoal da paróquia acha legal, por achar bonito -- eu acho bonito o Rio de Janeiro, mas jamais moraria lá, por exemplo --. Não. Só entre nesse barco se estiver convicta de que é isso o que Deus quer para você, pois aí quaisquer oposições exteriores virarão piada, virarão nada. Enfim, avalie o quão disposta você está a morrer para si mesma para que o amor se multiplique, como o grão de trigo que cai na terra e morre para assim poder germiná-la. Se você não estiver disposta a morrer, não está disposta a amar. Não é bonito, não é fácil e não é agradável, não é o que os filmes mostram, não é o que as pessoas falam, mas é assim que as coisas de verdade, na realidade, são, basta olhar para a cruz. Mas já antecipo um outro alerta: só quem experimenta a cruz consegue experimentar a salvação; só quem perde encontra; só quem morre ressuscita.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A hora da guinada


Como muitos de vocês já sabem, meses atrás lançamos a primeira turma do curso Homeschooling 1.0. Foi uma empreitada desafiadora, uma vez que não tínhamos em quem nos espelhar, mas, por outro lado, foi também uma experiência extremamente gratificante: ajudamos mais de 100 famílias a dar os primeiros passos, ou a consolidar ainda mais, na prática da educação domiciliar em seus lares.

Agora, passado um bom tempo, em que tivemos a chance de acompanhar a assimilação do conteúdo por algumas famílias e recebemos também um bom número de feedbacks (todos positivos), resolvemos abrir uma nova turma do curso, e é este o motivo do presente post.

Um aviso importante, no entanto: desde quarta à noite, dia 25, até dia 02 de dezembro, as inscrições terão preço promocional. Depois do período, terão o seu valor reajustado, portanto.

Se você já fez o curso e gostou, por favor, avise os possíveis interessados do seu círculo. Se você não fez, mas quer fazer, agora é a hora da guinada! Prepare-se para iniciar 2016 tomando as rédeas da educação das crianças em suas mãos, com toda a liberdade, confiança e responsabilidade necessárias. ;)

Espero vocês aqui, no site do Instituto Isidoro de Sevilha.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Os pais são um perigo para os seus filhos?!


Sei que o título sugere uma piada, mas, infelizmente, não é este o caso. Autoridades do estado do Rio Grande do Sul realmente pensam e afirmam publicamente e sem o menor constrangimento um tal absurdo. Mas antes do mais, convém esclarecermos o contexto completo da questão.

Meses atrás, mais precisamente no início deste ano, o casal Moisés e Neridiana Dias entrou com recurso junto ao Superior Tribunal Federal requerendo o reconhecimento do direito de educarem sua filha mais velha, Valentina, em casa. Valentina estudava em uma escola da zona rural de modalidade multiseriada, isto é, com crianças das mais diferentes idades abordando os assuntos nos mais diferentes níveis e tudo num mesmo ambiente. Os resultados da mistura vocês podem imaginar. Pois bem, depois de uma série de tentativas de autorização para a prática da educação domiciliar negadas, primeiro, junto à Secretaria de Educação, depois, junto ao Foro da Comarca de Canela/RS, a família Dias resolveu levar o caso às últimas consequências, isto é, ao STF.

Ao chegar às mãos do Ministro Roberto Barroso o caso tomou proporções nacionais. Abrindo a questão para enquete virtual no site do STF, ficou evidente o interesse nacional sobre o assunto. Assim, mais do que decidir sobre o direito da família Dias, a decisão do Ministro incidirá sobre a vida de todas as mais de 3.000 famílias homeschoolers do Brasil.

Todavia, no dia de ontem, segunda, 09 de novembro, o procurador Luís Carlos Kothe Hagemann pediu ingresso na qualidade de amicus curiae como representante do governo do estado do Rio Grande do Sul junto ao caso. Em seu pedido fica explícita a oposição ao direito das famílias. O problema, contudo, não é este, afinal nem todos precisam concordar com o direito à prática da educação domiciliar. O problema foram os termos utilizados pelo procurador para justificar sua posição. Para ele, os pais são um perigo, uma ameaça aos seus filhos, de modo que o Estado, por meio da escola, tem a função de proteger as crianças de seus genitores. Sim, por incrível que pareça não estou falando de um panfleto nazista ou soviético do século passado, mas de uma requisição redigida por um jurista brasileiro em pleno ano de 2015. Para dar um tom pretensamente respeitável ao disparate, o procurador cita a fala do filósofo espanhol Fernando Savater em sua recente participação no Fronteiras do Pensamento. Confiram aqui, na íntegra, o que disse Savater:
—Um dos primeiros objetivos da educação é preservar os filhos de seus pais. — disse, arrancando risadas — não me parece bom, portanto, submeter permanentemente os filhos aos pais. A escola ensina muito mais do que os conteúdos aplicados nela, e sim a conviver com pessoas que não temos razões para gostar, e que às vezes até não gostamos, mas que precisamos respeitar.
Em outras palavras, o que o filósofo só teve coragem de dizer em tom jocoso, o procurador assume de maneira inequívoca: as crianças não são responsabilidade dos pais, mas propriedades do Estado; a sociedade não é mais o resultado do agrupamento de muitas famílias, mas da máquina estatal de produção de analfabetos em série.

Se vivêssemos num país onde a qualidade da educação fosse de incontestável excelência, até seria questionável o receio quanto ao homeschooling. Entretanto, a realidade nos mostra exatamente o contrário: ano após ano ocupamos os vergonhosos últimos lugares nos rankings internacionais de educação! Metade dos alunos do ensino superior (superior!) são analfabetos funcionais, ou seja, não sabem ler e interpretar um texto corretamente! Para não mencionar a situação dos alunos do ensino fundamental e médio! Num contexto assim, faz sentido obstruir às famílias desejosas de prover aos seus filhos uma formação superior o exercício do seu direito? Não, não faz o menor sentido! Assim como não faz sentido afirmar que os pais são um perigo para os seus filhos! Logo, restam-nos duas opções: ou assumirmos a insanidade mental do procurador, ou o seu mau-caratismo.

Como não precisamos acolher qualquer que seja das duas opções passivamente, mas, antes, temos o direito e o dever de expressar nossa revolta quanto aos termos do procurador, assinemos a petição pelo respeito às famílias e ao seu direito de escolha do modelo educacional de sua preferência.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Rupturas necessárias

Praticar o homeschooling tem sido apenas o começo de uma série de mudanças em minha vida e na vida de minha família. É impressionante notar, conforme o tempo avança, como o simples (simples?) fato de ter frequentado instituições de ensino por mais de duas décadas conformou a minha (a nossa?) cabeça a seguir sempre por um mesmo caminho, enxergando somente as opções de sempre e as soluções de sempre.

A primeira ruptura contra a conformação, obviamente, foi sobre a necessidade da escola e sobre a associação entre escola e conhecimento. As rupturas seguintes voltaram-se sobre os hábitos escolarizados na gestão da rotina familiar, ou seja, sobre o quanto não precisamos esperar a campainha ensurdecedora para fazermos 'x', 'y' ou 'z'; sobre o quanto as avaliações formais perdem o sentido quando somos nós os que cuidamos da educação de nossos filhos; sobre o quanto o avançar e o permanecer nos conteúdos não é imposto desde um cronograma aleatório estipulado por um terceiro que nem conhece nossos filhos, mas depende somente de nossa sensibilidade para perceber e acompanhar o ritmo de nossas crianças; entre muitas outras coisas.

Mas a ruptura da vez não diz respeito diretamente ao homeschooling mas, se assim posso dizer, ao pós-homeschooling, isto é, ao mundo do trabalho e tudo o que ele envolve, desde o pretenso término dos estudos em casa.


Por ocasião do ENEM, vi muitos pais homeschoolers angustiados com a hipótese de ter que, contrariando tudo o que fora trabalhado e ensinado em casa ao longo dos anos, precisar ensinar os filhos a "esquerdar", a dar a resposta "certa" na qual não se acredita e, sobretudo, sabe-se ser a errada. Com isso surgiu também a preocupação pela situação calamitosa das nossas universidades, sobre a formação de baixíssimo nível e a necessidade (necessidade?) de um diploma como única garantia de uma vida melhor.

Mas façamos um esforço: é o diploma realmente indispensável? Há casos em que ele o é: se a criança tiver vocação para práticas como a medicina, o direito, a arquitetura... Faculdades que, apesar de tudo, transmitem ou devem transmitir conhecimentos técnicos específicos sem os quais o exercício da profissão torna-se impossível. Nestes casos, é preciso pesquisar as instituições menos piores (já que não temos mais boas instituições) e preparar nossos filhos para toda a sorte de conflitos que encontrarão por lá. Isso quando for impossível enviá-los para estudar fora do país. Todavia, há casos em que a faculdade NÃO é essencial.
Ninguém precisa de faculdade para abrir um negócio, seja uma livraria, uma editora, um bar, um bazar, uma gráfica, uma floricultura, uma padaria. Ninguém precisa de faculdade para criar um site, um blog, um canal no youtube, para trabalhar como professor de inglês, de espanhol, de francês, como ghost-writer, como fotógrafo, até mesmo como político... Enfim, há um mundo de possibilidades que independem totalmente de um diploma. Basta ser bom de verdade naquilo que se faz e, para isso, precisa-se de experiência, coisa que se obtém por meio de uma boa rede de contatos, de pessoas dispostas a transmitir o que sabem aos nossos filhos.

O problema, e voltamos ao ponto do início do texto, é o condicionamento. Estamos condicionados a pensar que a segurança está no caminho que todos percorrem, ou seja, na escola, na faculdade e no concurso público. Estamos acostumados a ir com a boiada. O problema é que quando todos vão com a boiada não há boas oportunidades para todos, mas somente para alguns, além de um inevitável enterrar de talentos jamais descobertos ou postos à prova, o que resulta, por sua vez e inevitavelmente, em frustração. Por outro lado, investir em um caminho próprio, alternativo, embora seja menos convencional, oferece chances muito maiores de superação, realização pessoal e sucesso.
Afinal, quantos de nós realmente trabalhamos, ou desejaríamos trabalhar, com aquilo no que fomos chancelados pelo MEC? Eu não. Nem o meu marido.

Empurrar nossas crianças, então jovens, para a faculdade mesmo quando elas não o desejam é contrariar a liberdade que vivemos graças à educação domiciliar, pois u
ma coisa é vocação, outra bem diferente é medo. E já que perdemos o medo do MEC, percamos também o medo de empreender, de dar aos nossos filhos a chance de serem ousados do jeito certo, no tempo certo e para a coisa certa. Energia e capacidade não lhes faltarão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

História da arte


Recentemente ganhamos um livro lindo abrangendo alguns séculos da história da arte. Por conta disso resolvi fazer um post reunindo todo o material que conheço a respeito.

O primeiro livro sobre arte da Chloe foi o "Penélope vai ao Louvre", um livro voltado para crianças pequenas, em pop-up e apresentando alguns dos quadros, esculturas e objetos da Antiguidade mais famosos que estão presentes no Museu do Louvre, na França.

O segundo livro que adquirimos chama-se "História da arte para crianças", de Lenita Miranda de Figueiredo e foi comprado no site Estante Virtual pois é um livro de 1984 e não conta com novas edições. Não conheço outro material semelhante de origem brasileira: nele, "tia Lenita" (como a autora gosta de ser chamada) conta a história de dois sobrinhos que começam a despertar o interesse para a arte na casa do tio. Tia Lenita aborda desde a pré-história até as escolas contemporâneas do início do século XX.

(Atualização: Há, sim, novas edições do livro "História da arte para crianças". Uma leitora atenta fez o favor de advertir-me. Confiram aqui a edição mais recente.)

Nossa terceira compra resumiu-se a apenas dois volumes da Coleção Metropolitan - o que faz de um mestre um mestre?, publicados pela Cosac & Naif: "O que faz de um Bruegel um Bruegel?" e "O que faz de um Rafael um Rafael?". A coleção abrange vários outros autores, no entanto, quando adquirimos os livros em uma promoção os demais já estavam esgotados. Além disso, fiquei com a impressão de que o autor que comenta a obra do Bruegel tinha preferências modernistas.

Por último chega o livro que mencionei inicialmente, aquele que ganhamos dias atrás: "Vidas dos grandes artistas", de Charlie Ayres, pseudônimo de Charlotte Mullins. A obra procura dar um tom mais próximo às vidas dos expoentes da história da arte e é estruturado seguindo uma linha do tempo que vai de Giotto (século XIII) até Van Gogh, deixando de fora os chatos e feios contemporâneos (me julguem). :D

Além dos livros, também gostamos muito das seguintes páginas: Children in Art History, no facebook, e o Heilbrunn Timeline of Art History (eu já disse que amo timelines?), o site mais completo que já vi em minha vida a respeito deste assunto, oferecendo, inclusive, uma descrição do contexto histórico em que as obras foram produzidas.


É claro que existem muito, muito mais obras e de qualidade disponíveis no mercado editorial brasileiro. Aqui, quis apenas dar uma ideia do que as minhas crianças têm. Por último, ao selecionar outras obras, vale a pena observar o tipo de abordagem dada pelo autor: se é uma abordagem que descreve as diferentes escolas, obras e autores de maneira tradicional, sem partidarismos, ou se é uma obra "crítica", isto é, de viés esquerdista, que considera as mais belas obras da história humana como produtos de uma elite opressora e as produções de negros escravos, índios e os lixos das Bienais e da street art como o máximo de beleza universal.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Sobre a Festa do Dia de Todos os Santos

Há quase um ano, nós e cerca de sete outras famílias vínhamos nos preparando para a festa do último dia 01 de novembro, o Dia de Todos os Santos. Digo "cerca de sete" porque depois, mais perto da data, outras famílias foram incluídas no encontro, totalizando dez famílias católicas.

A ideia para a celebração surgiu depois que visitei alguns blogs norte-americanos e vi como eles costumam viver esta data tão especial do calendário cristão. Assim, não foi difícil mobilizar famílias amigas para tentarmos fazer algo semelhante por aqui.

Inicialmente a ideia era fazermos em minha casa, pois apesar de simples e pequena, tem espaço ao ar livre de sobra para as crianças brincarem e correrem. Contudo, minha amiga Catiane ofertou sua casa, que é bem maior e com uma melhor estrutura para servir a todos. Graças a Deus eu aceitei a oferta de minha amiga, pois só de pensar em acomodar 20 adultos e mais de 30 crianças em um dia frio e chuvoso confinados dentro de minha casa me deixa tonta. Sim, por incrível que pareça, em pleno dia 01 de novembro, o que tivemos por aqui foi um céu fechado, garoa esporádica e vento frio, com temperatura não passando dos 18 graus Celsius.

O objetivo da festa era reunir as famílias católicas e homeschoolers (ou quase homeschoolers, pois há duas delas que estão se preparando para iniciar os estudos em casa a partir do ano que vem) em redor daquilo que nos une, isto é, a fé católica. Assim, cada criança foi fantasiada de um santo de sua preferência, o que certamente representou uma excelente oportunidade para o estudo da vida destes homens e mulheres que amaram a Cristo sobre todas as coisas. Foi impressionante notar como algumas das crianças, ao vestirem-se como o seu santo escolhido, passaram a portar-se de modo visivelmente mais tranquilo, mais brando, mais doce, como se ao se decidirem por um destes exemplos de fé, amor e piedade, internalizassem (ou mimetizassem, não sei) um pouco de suas virtudes. Além disso, a festa foi uma excelente ocasião para que as crianças tivessem a chance de fortalecer a amizade que já havia entre aquelas que já se conheciam e de aumentar o círculo de amigos ao conhecerem outras que ainda não conheciam.

Por sua vez, os pais tiveram a mesma chance: alguns matando a saudade num reencontro há muito esperado, outros dando início a um novo vínculo. Sem falar nas trocas a respeito das gestações, criação das crianças, trabalho, projetos, igreja e, obviamente, educação domiciliar. Tudo isso ao redor de um bom churrasco (como não poderia deixar de ser; todos os parabéns ao Lucas, o assador), sorvetes, pudins e, à tarde, um cachorro-quente. E a distância não foi empecilho, pois embora a maioria das famílias seja aqui do Rio Grande do Sul, vieram famílias de Minas Gerais e do Paraná. Com estes que vieram de longe e que ficaram mais tempo, tivemos o privilégio de conviver mais, de modo que o feriado foi cheio de convívio, de amizade e de alegria.

Antes de colocar as fotos da festa, preciso deixar aqui o meu agradecimento a algumas pessoas: em primeiro lugar, Catiane e Lucas, muito obrigada!, mas não somente por abrirem a casa de vocês a todos nós, mas por serem extremamente amorosos e generosos com todos e, em especial, conosco, que ficamos um dia e meio a mais com vocês, bagunçando a casa e a rotina. Em segundo lugar, Moreno e Lhuba, Leonel e Manoela, Mariana e Rodrigo, por terem vindo de longe para estarem conosco. Por fim, Caroline, Lhuba e Catiane, obrigada por socorrerem essa grávida sem noção e desmemoriada que me tornei e me ajudarem a fazer uma nova fantasia para o Benjamin na véspera da festa, já que consegui esquecer a original em casa.

As fotos que postarei a seguir são as poucas que consegui fazer durante a festa, ou seja, há muitos outros santos e santas que não apareceram em meus registros e que estavam presentes.

São Francisco de Assis, primeiro limpando o interior. :D

São Miguel Arcanjo num momento ameaçador. =|

Beata Laura Vicunha e os irmãos. S2

Sta. Cecília, Sta. Maria Goretti, Sta. Teresinha, Sta. Bárbara
e Beata Laura Vicunha. S2

São Theodoro. S2

São Bento! (Fofura em níveis perigosos!)

Sta. Isabel e mais uma Sta. Teresinha. S2

Sta. Catarina de Alexandria. S2

São Miguel agora com as asas.

Uma tentativa de reunião para foto. Além dos santos mencionados
anteriormente, vemos Jesus, Santa Helena, Santa Ester, São Pedro,
São João Paulo II e alguns pais e mães tentando organizar os menores. ;)
E você, por que não organiza uma festa semelhante na sua região para o Dia de Todos os Santos do ano que vem? Nós já estamos organizando a próxima edição! \o/

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Seja homem - nosso novo curso


No último dia 28, quarta-feira, Gustavo lançou nosso mais novo curso, o "Seja homem - a redescoberta da masculinidade cristã". O curso é uma tentativa de compartilhar aquilo que ele tem descoberto em suas pesquisas e, principalmente, em sua experiência a respeito deste assunto: como tornar-se o pai, o marido e o homem que Deus deseja. Além disso, o curso é também uma resposta ao apelo de várias mulheres e homens que desejam "uma versão masculina" do meu curso "De volta ao lar". Muitas mulheres que compreenderam a importância do seu papel sentem a necessidade de que os noivos/maridos compreendam igualmente o seu próprio, para que a família possa andar de fato em comunhão, sem mentalidades distintas a respeito de seus compromissos e responsabilidades.

Tem sido extremamente interessante notar as diferentes reações diante da nossa proposta. Desde o incontido entusiasmo até o escárnio, passando pelo menosprezo. Mais curioso ainda é ver que muitas das reações negativas vêm de alguns que se dizem cristãos, mas que parecem fazer pouco caso, ou realmente não entendem, o tempo em que vivemos, onde os mais basilares e essenciais fatos são postos à prova. Afinal, se todos (e refiro-me exclusivamente a todos nós, cristãos) soubessem não apenas qual é o seu papel social, mas qual é o seu papel enquanto membro de um determinado sexo, estaríamos vivendo tamanha confusão em nossas famílias, em nossas igrejas e em nossa sociedade? Se cada homem soubesse o que significa tornar-se marido, um marido cristão de verdade, ocorreriam tantos divórcios e separações? Se cada homem soubesse o que significa tornar-se pai, um pai cristão de verdade, encontraríamos tantos jovens depressivos, desnorteados, drogados e revoltados? Se cada homem soubesse o que significa tornar-se homem, um homem cristão de verdade, nossas igrejas estariam do modo como estão? Melhor dizendo: o ocidente estaria como está? Acho que não. Definitivamente.

O curso é composto de seis aulas e uma aula extra. As aulas abordarão os seguintes temas:
  1. Introdução: uma nota autobiográfica;
  2. O silêncio de Adão: o duplo problema da omissão e da desvirilização;
  3. O caráter de homem;
  4. Marido de uma só mulher;
  5. Um homem de família;
  6. Um homem a serviço de Deus e do próximo;
  7. Hangout para responder dúvidas.
O período de inscrições irá até o dia 04 de novembro, próxima quarta-feira. O valor do curso é de RS 109,00. Para adquiri-lo ou obter maiores informações, clique aqui.
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domingo, 25 de outubro de 2015

Nossa rotina de estudos

Há tempos tento me esquivar dos pedidos de relatos sobre a nossa rotina de estudos. Não porque nela haja algo de secreto, mas porque sei que muitas pessoas, no mais que legítimo desejo de "fazer a coisa certa", acabam procurando uma receita pronta para aplicar à sua família e, com muita frequência, o resultado dá errado.

Aqui cabe uma observação importante: Acredito que um dos segredos do sucesso e, ao mesmo tempo, um dos maiores benefícios do homeschool é, considerando as experiências alheias, procurar adaptar à própria realidade aquilo que nelas há de bom e de edificante. Em outras palavras, acredito que a receita que dá certo para a sua família é a sua própria receita, que certamente não será de todo inédita, mas que respeitará os ritmos, as necessidades, os temperamentos, enfim, as peculiaridades de cada família. Mas, voltando ao assunto...

Talvez alguns de vocês não saibam, mas conforme relatei neste post aqui, já não sou eu quem dá as aulas aqui em casa; o professor é o Gustavo. Assim sendo, a rotina de estudos é estabelecida por ele. O momento das aulas é pela manhã, sem um horário rígido, mas entre o meio e o fim da manhã. Durante o período, somente Chloe e Benjamin têm aula, mas Nathaniel sempre dá um jeito de ficar ao redor, ao menos inicialmente. Chloe e Benjamin estudam juntos, em nossa mesa da sala, mas desenvolvem atividades distintas, cada qual de acordo com a idade. Gustavo divide a atenção entre eles, porém, quem normalmente precisa de mais supervisão é o Benjamin, que está sendo alfabetizado. Chloe já estuda praticamente sozinha.

Eu, de minha parte e durante o mesmo tempo, organizo algumas coisas da casa, confiro a internet (respondendo e-mails e mensagens e/ou postando algum conteúdo) e, por fim, sigo para o fogão para preparar o almoço. Já o Nathan, por sua vez, está aprontando alguma, mexendo nos livros, brincando com seus brinquedos ou tentando me "ajudar" na cozinha.

As aulas duram até a hora do almoço, que nem sempre (raramente, na verdade) é ao meio dia, mas quase sempre é perto da uma hora da tarde. Depois do almoço há um tempo livre, no qual cada um faz o que quiser. Antes, porém, de as crianças poderem ir brincar no pátio, Chloe faz suas atividades de memorização da Sagrada Escritura e do Compêndio do Catecismo. Feito isso, a tarde é livre. Esporadicamente Gustavo pede à Chloe que leia algum material que reforce o conteúdo das aulas de história, mas isso não é sempre. Às vezes ela também precisa escrever uma redação, mas também não é sempre.

Há quem pergunte se não é pouco o tempo de estudo que utilizamos, ao que respondo: você não sabe a diferença que existe entre tentar ensinar a uma turma de 30 crianças desconhecidas e tentar ensinar dois filhos seus. Simples assim. :)

Perguntaram-me a respeito de atividades para o Nathaniel, se as faço e quais seriam. Não faço nada. Nada mesmo. E por quê? Enquanto morávamos em Porto Alegre, vivendo num sistema de quase confinamento em um apartamento, procurava realizar com ele as atividades presentes no livro Slow and steady get me ready (compartilhei o livro neste post aqui). Agora, porém, que moramos em uma casa com um pátio enorme (obrigada Deus!) eu simplesmente deixo ele se divertir: ele corre, cai, rola, pula, escala, equilibra-se, deita, olha para o céu, persegue os passarinhos, joga pedras, colhe flores, enfim, faz todas aquelas coisas que em um apartamento sequer havia chance. E quando chove e não há como sair, invisto em livros (para ler), jornais e tesoura (para recortar), lápis e giz (para desenhar) e muita brincadeira livre, sem a minha intervenção (as "mais mais" do momento são os acampamentos, os berçários e as corridas de motoca - também conhecida como triciclo).

Em meio a tudo isso há a realização das atividades domésticas (nas quais cada um ajuda um pouco), conversas, passeios, visitas aos amigos e, eventualmente, um desenho animado ou filme ao cair da tarde.


Encerramos tudo à noite com recitação das passagens memorizadas pela Chloe, treino de memorização com o Benjamin, leitura em voz alta de algum bom livro (estamos terminando "As duas torres", de Tolkien) feita por mim e orações. Enfim, nada demais, mas precisamente o que tem funcionado muito bem para nós.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Prevenindo-se contra o feminismo nas gerações vindouras

Para mim, que sou nascida em família esquerdista, ex-amiga de companheiros esquerdistas, ex-aluna de professores esquerdistas, uma vez transposta a linha da fidelidade estúpida, não é difícil concluir que o esquerdismo brasileiro não é, na maioria dos casos, o resultado de uma adesão consciente, racional e voluntária a um corpo teórico pretensamente mais verdadeiro, mas, antes, o fruto de uma lealdade inconsciente, emocional e quase involuntária a um grupo que justifica e legitima o ressentimento, a inveja, o coitadismo e o desejo de vingança de seus pares sobre o demais, estes tidos como seus algozes, opressores e rivais. Claro, nem todos são tão infantis assim: os que não o são, em geral, são os que lucram realmente sobre o infantilismo dos primeiros.

Hoje mesmo verifiquei, pela milésima vez, na prática, o que procurei dizer acima. Tive acesso ao texto de uma garota dita cristã que pretendia explicar os motivos de sua adesão ao feminismo: nada mais do que uma sucessão de mágoas com sua mãe, as quais, segundo ela, eram provas definitivas do "machismo" ocidental.

A julgar pelo relato, a mãe da referida moça não possuía, ela mesma, compreensão da importância do seu papel enquanto esposa, mãe e dona de casa. Sempre que possível, poupava a filha de quaisquer envolvimentos com os afazeres domésticos, incentivando-a a buscar, por meio dos estudos, "uma vida melhor". Apesar de poupada, no entanto, a garota ressentia-se da "injustiça" materna que, em lugar de solicitar igualmente filhas e filhos, voltava-se sempre para as moças em busca de ajuda. Ou seja, o feminismo da garota, assim como o da maioria das moças, encontra seu fundamento no mal resolvido relacionamento com sua mãe e tem seu respaldo nas disseminadas campanhas midiáticas.

Ao que pude perceber, não deve constar entre as ambições de tal mãe a transformação de sua filha em uma militante feminista, porém, ao ignorar a importância e, de certo modo, menosprezar o seu papel, ela fez eco ao clamores do mundo e "empurrou" a filha para os braços das feministas. Casos assim multiplicam-se diariamente, para a tristeza e vergonha das famílias cristãs.

De fato, vivemos tempos difíceis nos quais nós e nossos filhos somos pressionados por todos os lados pelas mais sórdidas ideologias, mesmo dentro da igreja. Todavia, nada nos autoriza a abraçarmos a resignação como se não houvesse o que pudéssemos fazer. Em meu curso, o De volta ao lar, mostro como é fundamental descobrirmos, antes do mais, as raízes de nossas opiniões e posturas acerca da vida familiar, compreendendo, então, a origem de nossos sentimentos de incapacidade, inadequação e frustração; em seguida, é preciso empreender um esforço vigoroso pela formação de uma nova mentalidade e de uma nova postura; por último, é essencial que saibamos não só viver e gerir nossa realidade familiar de uma maneira realmente cristã, mas é absolutamente indispensável que saibamos COMUNICAR essa nova mentalidade e essa nova postura aos nossos filhos, defendendo os valores nos quais acreditamos e guiando os pequenos pelo caminho da preservação da família, do respeito à hierarquia familiar e da valorização das especificidades de cada papel exercido em seu seio.

Em resumo, enquanto não compreendermos a centralidade de nossa presença no coração do nosso lar, e enquanto não soubermos transmitir tal compreensão aos nossos filhos, com toda a alegria, convicção e vigor que lhe convém, continuaremos tornando-os alvos fáceis de ideologias como a feminista, que outra finalidade não possui além de destruir os lares e perverter o feminino.

sábado, 3 de outubro de 2015

Uma nota elitista, burguesa e rabugenta

Dias atrás, durante uma discussão, fui criticada por criticar determinada prática de educação domiciliar. Meu interlocutor afirmava resolutamente que todos os métodos são válidos, tanto 'x', quanto 'y' e até mesmo 'z'. Todavia, o que está por trás de tão respeitável e democrática opinião não é a sensatez de um raciocínio ancorado na realidade, mas um não tão explícito relativismo, aquele pensamento que afirma que já não existe certo e errado, bom e mal, melhor e pior, mas apenas o tão adorado 'diferente'. Ah, o diferente! Quanto mais popular, mais acessível, mais 'chão' ele for, tanto melhor, pois um maior número de pessoas poderá ser incluída e aceita na mesma acachapante e uniformizante 'diferença'! Que lindo! Que coisa mais 'plural' -- outra palavra adorada. Quer dizer, então, que Viktor Frankl e Burrhus Skinner, Mortimer Adler e Paulo Freire, Paulo Coelho e William Shakespeare, Mc Catra e Vivaldi são todos igualmente válidos? Se é assim, por que motivos a escola não é também tão válida quanto as demais opções educacionais? Se tudo é válido, o que é que ainda vale alguma coisa? Não, que me desculpem os lavados na água lamacenta e contaminada do marxismo, aqueles que morrem de medo de parecerem 'elitistas' e com isso perderem a aprovação do grupinho dos voluntariamente distintos como pobres coitados -- que de pobres não têm é nada; de coitados, bem, aí eu já não sei e nem é problema meu --: enquanto o sol se levantar, haverá, sim, melhor e pior; haverá certo e errado; haverá bem e mal; tanto quanto há bonito e feio, direita e esquerda, dia e noite. Pouco importa como cada um se sente com relação a estes fatos, pois o sol continuará sendo o centro do nosso sistema, mesmo que você se identifique visceralmente com saturno. O tempo há de mostrar os resultados das escolhas de cada um. Eu, de minha parte, e apesar de toda a minha visível precariedade, escolho seguir pelo já bem conhecido caminho dos antigos: o caminho da tradição, o caminho dos clássicos, o caminho da hierarquia, o caminho da ordem. É o caminho perfeito? Não, não é. Não há obra humana perfeita. Mas certamente há obras bem mais perfeitas que outras. Enfim, eu escolho aquecer-me à luz do sol, como a maioria da humanidade sempre fez, pois saturno... saturno é exótico, mas, não, saturno não aquece nem nunca aquecerá ninguém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Paternidade: o chamado, o ofício e a cruz


O texto que reproduzo abaixo foi originalmente publicado em The catholic gentleman

e gentilmente traduzido por minha amiga Aline Galhardo.

Esqueça os pais que você vê na televisão: egoístas, viciados em trabalho, ausentes, intimidadores, influenciáveis. Eles não merecem esse título. Ser pai de verdade é algo maior que isso. É algo tão grande quanto Nosso Pai que está no Céu.
O chamado a ser um pai católico é um chamado a sofrer – como marido, como pai, como católico. Assim como Cristo é a cabeça da Igreja, o pai católico é a cabeça de sua casa, e sua cabeça é coroada de espinhos. Não se trata de se promover. Trata-se de entregar sua vida pela sua família. A paternidade é assustadora. Mas é também fabulosa, e é por isso que devemos mostrar a paternidade católica para um mundo que se esqueceu para que serve um pai.
O chamado
Deus criou a paternidade com um propósito. Ele tem afirmado esse propósito através dos tempos, de Adão a Noé, a Abraão, a Davi e de São José ao Nosso Pai que está no Céu. O pai Católico é chamado a cumprir quatro responsabilidades, particularmente: adorar a Deus, proclamar o Evangelho, ensinar e manter a fé, e administrar os canais da Graça. Em outras palavras, o trabalho do pai é litúrgico, evangélico, doutrinal e pastoral. Ufa! Isso é um bocado. Vamos analisá-los um de cada vez.
Litúrgico
Pais, guiem suas famílias através da adoração. Seus filhos foram criados para gozar da mais adorável Trindade através da adoração. E Deus criou a família como um lugar especial para que O adoremos. Liturgia vem de uma palavra antiga que significa “trabalho público’, e esse é o meio pelo qual católicos conduzem a adoração. Não pense que a liturgia da televisão, ou a liturgia das noites a mais no escritório, ou a liturgia das intermináveis atividades extracurriculares não está moldando a alma de seus filhos. As pessoas estão sempre cultuando algo, e sua família não será a exceção. O que está sendo cultuado no seu lar? O sucesso e o entretenimento, ou será que é Deus? Como pai, seu primeiro trabalho é dar forma e direção ao culto no seu lar. Faça um pequeno oratório, lembre-se do jantar à mesa e torne isso sagrado e preencha seu lar com a liturgia da oração. Reúna toda a família e deleitem-se na glória de Deus.
Evangélico
Pregue o evangelho à sua família. Se necessário, use palavras – e lembre-se que palavras quase sempre são necessárias. O tipo forte e silencioso pode soar bem a um cowboy, mas não a um bom pai. Um pai silencioso é um crime contra Deus e o próprio homem. Deus criou o mundo por meio de palavras, Cristo proclamou o Reino com sua boca, e esses lábios que Deus te deu não foram feitos para cuspir sementes ou se embriagar com whiskey. Não podemos adorar a Deus se não O conhecemos. Então, o segundo ofício do pai católico é o de proclamar a boa nova de Jesus Cristo. Pregue o evangelho no seu modo de viver e com palavras. Veja bem! O eterno Filho de Deus se tornou um filho de Adão, nasceu de uma filha de Eva, morreu, e ressuscitou, para nos salvar do poder do pecado e da morte, para nos tornar partícipes da vida de Deus! Pais, evangelizem suas famílias. Contem-lhes a maravilhosa história de Jesus todos os dias. Façam-no a partir do pressuposto de que ninguém mais será capaz de fazê-lo por vocês.
Doutrinal
Eu sei. Eu sei. Você não é nenhum teólogo, é melhor deixar que os profissionais cuidem da doutrina, você é um homem muito ocupado. Essas são desculpas esfarrapadas. Se você é capaz de ser um vendedor ou um mecânico, se você consegue acompanhar os resultados dos jogos de basebol e ler o jornal diariamente, você tem o que precisa para esse ofício. Você é batizado? O Espírito Santo está rugindo dentro de você, como um urso esperando para acordar? Seus filhos foram batizados, porém agora eles devem saber o que é o Batismo — O que é preciso renunciar, acreditar, e fazer. Então, o terceiro ofício do pai católico é o de ensinar a fé. Você tem o privilégio de ensinar seus filhos em que devemos ou não crer. Pais, guiem suas famílias no conhecer a Deus. Mostre a eles que a doutrina é encantadora. Abra as Escrituras e a Tradição. Anuncie as grandes verdades da nossa fé católica.
Pastoral
Sua família necessita da graça, e o quarto ofício do pai católico é o de administrar essa graça. Os sacramentos são ministrados pelos ministros da Igreja, mas cada católico tem alguma responsabilidade pelos canais da graça. É em você — não no seu vizinho, mas em você — que sua esposa e filhos experimentarão e verão que o perdão de Deus é real, que o amor de Deus os faz livres, que eles são amados. Pergunte a eles como você pode rezar por eles. Diga-lhes pelo que você está rezando por eles. Chame-lhes a atenção quando pecarem, e esteja pronto para perdoá-los assim como Deus o faz. Leve-os à Sagrada Eucaristia, à catequese, à capela do Santíssimo Sacramento, ao confessionário. Seja o primeiro a ficar de joelhos e o último a se levantar. Deixe a porta do seu escritório aberta, atenda ao telefone, e esteja pronto para dar um abraço de urso bem apertado e um beijo com a barba por fazer. Somente você pode ser o pastor do seu lar.
Veja, você é o papai urso, o patriarca, o pater-familia. Deus o está chamando para arregaçar as mangas e ir à luta. Você vai bocejar e abrir uma outra garrafa de cerveja, ou vai atender ao apelo?
O ofício
Cara, essa coisa toda de ser pai não foi uma ideia de um fanático branco da Idade do Bronze1.O patriarcado é a ideia brilhante de Deus — que se destina a ser igualmente brilhante. Como marido, você é chamado a irradiar o amor cruciforme do Filho à sua esposa. Como pai, você é chamado a revelar o amor do Pai aos seus filhos. Existem pelo menos três habilidades que todo pai católico deve dominar: ouvir, liderar e ser vulnerável.
Ouvir
O pai católico não sai por aí fazendo proclamações e dando sermões. Ele não faz com que tudo gire em torno de si mesmo, como a tarefa de casa das crianças ou as férias da família, por exemplo. A habilidade mais útil que todo pai deve dominar é a de ouvir. Ouça o que sua esposa e filhos estão tentando dizer a você. Faça perguntas. Pergunte sobre o dia deles. Celebre seus talentos e interesses. Seja lento para falar e rápido para ouvir.
Lidere
O pai católico não é jogado de um lado para o outro de acordo com a moda ou desejos aleatórios. Ele lidera. Um bom líder não abusa de seu poder, mas usa-o para servir. Revista-se como um homem real, e lave a louça. Lembre-se do motivo pelo qual Deus te deu músculos, e leve o lixo para fora. Honre sua esposa e sirva-a. Estime e proteja seu corpo e sua alma. Ela é sua rainha, e você deve tudo a ela. Trabalhe incessantemente pelo bem-estar de sua família. Seu trabalho é o de dar alimento, abrigo, roupa, amor paterno. Fique a sós com Deus e reze. Sacrifique-se por sua família num sacrifício vivo. Acima de tudo, guie-a na oração.
Seja vulnerável
Na maioria das vezes, quando as pessoas dizem "seja vulnerável" significa ser honesto sobre suas fraquezas, aberto sobre a sua dor. Essa vulnerabilidade é boa, mas há um tipo igualmente importante: a vulnerabilidade da alegria. É assustador permitir que outros vejam o que você ama. É preciso coragem para se levantar e dizer: "Uau! Isso é lindo!". A razão número um por que as crianças não vão à Missa é porque seus pais não vão à missa, e mesmo quando o fazem, eles não deixam essa alegria transparecer. Não há lugar no Reino de Deus para pais estóicos que mantém tudo a panos quentes. Uma das melhores habilidades do pai católico é a vulnerabilidade. Seja honesto sobre quanto você ama o Deus trino. Esteja aberto sobre o quanto você O adora no Santíssimo Sacramento, quanto você ama sua Mãe, como você está tomado pela graça extraordinária. Pais, arrisquem ser alegres.
Deus criou a paternidade pela mesma razão que levou Thomas Edison a inventar a lâmpada — para ser luz. A paternidade deve ser um farol para o mundo, uma tocha do amor e da autoridade, uma vela de devoção ao nosso único e verdadeiro Pai que está no Céu. Então, não mantenha essa luz embaixo de um cesto.  
A cruz
As pessoas estão se entupindo de formas baratas de amor. Seus corações estão famintos de amor, e isso se deve (principalmente) porque seus pais não estão dando amor da forma como deveriam — a suas esposas, a seus filhos. O modelo de pai veiculado pela cultura pop é do tipo barato, descartável, cruel ou superficial. Eles não merecem esse título. É tempo de mostrar o que é a verdadeira paternidade: a cruz.
Você que é o homem da casa? Você pensa que é o chefe? Então ajoelhe-se como um escravo, como o Filho de Deus e comece a lavar os pés de sua família. Esse não é o momento de falar sobre sua felicidade e liberdade, como se você mesmo fosse o centro das atenções. Esse é o momento de se humilhar para que sua esposa e filhos sejam exaltados. Essa é a oportunidade de entregar sua vida. E é por isso que a paternidade católica é assustadora. Mas é também por isso que ela é tão importante, e por isso precisamos mostrá-la para um mundo que se esqueceu para que serve um pai.
Liderança não é uma licença para usar e abusar. Liderança é uma coroa de espinhos ensanguentados. Você é a cabeça do lar, como Cristo é a cabeça da Igreja, e isso significa que você precisa usar uma coroa de espinhos.
Essa coroa resume o que é a paternidade. O pai Católico é chamado a ser oblação, a se doar, a ser um sacrifício vivo. Sua vocação é sofrer — como marido, como pai, como católico. E isso é bom. Aquele que quiser salvar sua vida, vai perdê-la, mas aquele que perder a sua vida, vai encontrá-la. A paternidade é a sua cruz.
Pais, Jesus está olhando nos seus olhos e dizendo: “Siga-me.”
A pergunta é, você vai tomar a sua cruz?