domingo, 21 de setembro de 2014

Sobre (e sob) o cansaço

Ontem à noite, uma gentil senhora perguntou-me, ao ouvir-me falar sobre a educação dos meus filhos, "mas você não fica muito cansada?". Não é a primeira vez que escuto tal pergunta e, por conta disso, achei que um post falando a respeito cairia bem por aqui.

Sim, cansa. E às vezes, é verdade, eu fico muito, mas muito cansada. Como já disse em algum outro lugar, eu não tenho empregada. Também não tenho babá. Não tenho máquina de lavar louça nem freezer. E dou de mamar a madrugada toda, sempre que meu filho deseja. Ou seja, as coisas que envolvem a casa e as crianças são todas comigo. Do aprendizado dos números ao dobrar das cobertas, da leitura de Shakespeare à limpeza do vaso sanitário, do feijão à fralda suja, quem cuida de tudo sou eu. Mas ao contrário de me ressentir por tudo isso, sentindo pena de mim mesma, eu acho tudo muito bom. Descobri que, graças ao bom Deus, dou conta do recado (apesar de não ter pensado sempre assim). E também não tenho nada contra o ter uma empregada, uma babá, uma máquina de lavar louças e um freezer. Pelo contrário, se pudesse, teria tudo isso, mas o ponto aqui é que o fato de não os ter não me impede de realizar as tarefas e não faz com que me sinta menor ou maior em comparação com quem os tem. Esta é a minha circunstância e eu decidi abraçá-la inteira.

Por outro lado, e como disse à querida senhora, eu também já trabalhei fora. Também já dei uma de Cérebro (lembra do desenho "Pink e Cérebro"?) e quis dominar o mundo. Cruzava várias cidades, indo e voltando do trabalho e da pós, porque achava que esse era o único modo possível de viver e de provar o meu valor. Passava o diabo em trem superlotado, ônibus-lata-de-sardinha, calçada molhada de chuva no inverno, derretendo de calor no verão, e tudo sem sair do salto. Também trabalhei com gente maluca, surtada mesmo, que dá barraco na frente dos clientes e não te deixa em paz até te fazer chorar. Já trabalhei com gente manipuladora que não paga aluguel, morando de graça dentro da sua cabeça e transformando sua vida num inferno. Também não estou dizendo que todas as mulheres que vivem situações assim o fazem por orgulho, por necessidade de afirmação. Muitas, e eu conheço algumas, o fazem por não terem outra opção: ou trabalham ou não comem. Tais mulheres merecem todo o respeito e admiração. Além disso, não penso que todo o trabalho precise ou deva ser encarado como um inferno. Não é isso. A questão vem logo a seguir.
 

Entre aguentar esse segundo tipo de rotina, que nada tem de relaxante, tendo como recompensa a aprovação social (ai daquela que resolver ficar "fazendo nada" em casa!) e uns trocados, por muitos ou poucos que sejam, e poder cuidar da minha casa, dos meus filhos e do meu marido, é óbvio que fico com a segunda opção. Não foi uma escolha fácil, nem automática. Foi antes um processo amadurecido às duras penas ao longo de alguns anos. A recompensa, porém, é incomparável: eu não perco a infância dos meus filhos, eu os preparo para a vida, sei o que acontece com eles e posso conduzir toda a nossa rotina à minha maneira, nos meus horários e no meu ritmo, com toda a liberdade. E a carreira? A carreira pode esperar. A carreira não tem "prazo de validade". A carreira eu começo (ou continuo) quando quiser. Já o gerar filhos, ou é agora ou nunca mais. O vínculo com os meus filhos, na proximidade e na intensidade que eles precisam, ou é agora ou nunca mais.

É certo que às vezes, como semana passada, por exemplo, fico ainda mais cansada: visitas, eventos, doença e todas as coisas de sempre de cada dia formam uma combinação exaustiva. Mas então dou-me conta de como era a vida da maioria das mulheres de antigamente e concluo que a minha ainda é muito tranquila: eu não preciso tirar leite da vaca; não preciso fazer manteiga nem queijo; não preciso ir tirar água do poço; não preciso lavar à mão dúzias e dúzias de roupas; não preciso costurar (embora, preciso confessar, acho tudo isso legal pra caramba e um desafio que eu gostaria de encarar)... Enfim, apesar de fazer tudo sozinha e de isso ser muito para os padrões contemporâneos, a verdade é que a minha vida (e provavelmente a sua também) é bastante mole.

Em resumo, estou com Chesterton e não abro: o feminismo convenceu-nos que trabalhar pela nossa família é escravidão, enquanto o trabalho para um patrão é liberdade. Assim como as demais ideologias, o feminismo é coisa de adolescente: um recorte estereotipado da realidade que serve como molde para a identificação com um grupo no qual, por alguma razão, você deseja ser aceito. Mas depois que você se sente amado e aceito por um igual digno e (mais ainda) por Deus, o normal é essas besteiras passarem. De minha parte, jamais provei tanta liberdade quanto agora: vivendo o que quero viver, por amor e em doação. Não há cansaço mais recompensador e não há dinheiro que valha mais que isso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Algumas imagens do Encontro Regional sobre HS

Antes da abertura.

Abertura de improviso (o Gustavo era o responsável por essa parte, mas acabou tendo que resolver alguns imprevistos).

Palestra do Alexandre Magno.

Um bebezinho fofo aqui.

Um outro ângulo da palestra.

Dois sapecas aqui.

Intervalo.

Nathaniel assume os trabalhos. ;)

Prof. Carlos Nadalim prometendo castigo pra quem não se comportar. :D

Outro ângulo da palestra.

Salinha das crianças.

Muitos livrinhos, pecinhas e espaço.


Os grandes também se divertem.

Lembrancinhas lindas.

Linda, né?! :)

Bibi ajudando a mostrar o detalhe. ;)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

História - Alexandre, o Grande

Em dias como hoje, em que as crianças estão doentinhas, a única matéria realizada em maiores desgastes é a de história, pois exige apenas atenção e um certo esforço rememorativo a respeito da aula anterior. 

Assim, prosseguimos nos estudos rumo ao capítulo XXV do The story of the world - Ancient times: Alexandre, o Grande. Susan Wise Bauer, autora dessa série de livros de história, sempre acerta o tom ao aproximar os eventos históricos da realidade das crianças. Ao explicar a conquista da Grécia por Alexandre, por exemplo, Susan compara Esparta e Atenas a dois irmãos ocupados demais em brigar um contra o outro e, por conta disso, incapazes de perceber a aproximação de um valentão. Foi assim que Felipe, pai de Alexandre, realizou facilmente a proeza que os persas, apesar das diversas e longas batalhas, não haviam conseguido: ele dominou um povo enfraquecido após anos de guerras e disputas internas. 

A partir daí, ouvir sobre Bucéfalo, sobre as incomparáveis conquistas, sobre o Farol de Alexandria e sobre a morte de Alexandre faz com que as crianças quase renovem as suas energias. 

Longe de ser o dia ideal, vivemos, hoje, o dia possível. Mas foi divertido e interessante mesmo assim.

Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

domingo, 14 de setembro de 2014

Alegria, gratidão e saudade

Queridos, como muitos devem estar aguardando novidades a respeito de ontem à tarde, aqui vai um primeiro resumo, um apanhado precoce e bastante pobre, que não dá conta de tudo o que os momentos compartilhados na Vila Manresa significaram.

Até agora não consegui calcular quantas pessoas estiveram conosco. Algumas famílias cancelaram na última hora e outras decidiram participar na última hora. Alguns chegaram mais tarde e outros saíram mais cedo. De todo modo, lotamos as duas salas que havíamos reservado para o evento: a sala das palestras e a sala dos brinquedos. Acredito que isso represente cerca de 50 adultos e 30 crianças.

Apesar da pretensão original, de reunirmos praticantes e interessados em educação domiciliar que vivem em Porto Alegre e na região metropolitana, pessoas de vários outros locais também estiveram presentes: gente da serra gaúcha, do Vale dos Sinos, do Paraná e até de São Paulo!

De certa forma, três palavras resumem os meus sentimentos sobre o primeiro Encontro Regional sobre Homeschooling: alegria, gratidão e saudade.

Alegria por conseguir, finalmente, acrescentar corpo, voz e movimento a tantas pessoas que conhecia apenas por facebook ou por email. Alegria por poder cumprimentar cada pessoa dando-lhes boas-vindas. Alegria por poder proporcionar um tempo para encontros, trocas, aprendizados. Alegria por ver nossos filhos juntos, brincando, rindo, comendo, desfrutando da companhia uns dos outros.
 
Gratidão por todas as orações em prol do evento e dos participantes (sem a intercessão de vocês tudo teria sido imensamente mais difícil!). Gratidão pela disposição de todos, doando tempo, deslocando-se a um lugar afastado e de difícil acesso, para estarmos reunidos! Gratidão àqueles que, mesmo depois de terem se perdido, indo parar longe do local e só depois encontrado o caminho certo, não perderam o bom-humor nem a vontade de chegar! Gratidão à Larissa e ao Andrei, por terem buscado e levado o Alexandre ao aeroporto, carregando a querida Maria (que está quase nascendo!) nessa apressada aventura! Gratidão à Patrícia, por trazer tapetinhos, livros e peças de encaixe para as crianças brincarem, por cuidar com tanto amor de nossos filhos durante uma das palestras! Gratidão à Suellen, por trazer mais brinquedos e por se dispor e cuidar de nossos filhos durante a outra palestra, mesmo não tendo filhos ainda! Gratidão às queridas Karen e Rachel por ofertarem, cada uma, o excelente fruto de seu trabalho, surpreendendo a todos pela delícia (dos cookies e bolo) e pela beleza (das lembrancinhas)! Gratidão ao Ivanor, ao Matheus, ao Renan e ao Arno por terem registrado o evento! Gratidão ao Adenilton, que nos cedeu o espaço e assim nos permitiu desfrutar de um lugar lindo, bucólico, que descansa os olhos e acalma o coração! Gratidão à Andirá Comunicação, à Editora Ecclesiae e à Critério pelo patrocínio, e à Confraria de Artes Liberais e à Editora Concreta pelo apoio! Gratidão ao Alexandre Magno por ter dado o pontapé inicial ao incentivar a realização do evento, por ter vindo lá de Brasília para passar tão pouco tempo conosco, por nos esclarecer tanto e nos tranquilizar ainda mais! Gratidão ao prof. Carlos Nadalim (alguém que eu tive o privilégio de conhecer melhor e admirar ainda mais) por abrir um caminho seguro e rico que nós, pais, podemos percorrer na formação de nossos filhos durante os seus primeiros anos de vida! Gratidão a alguém que influenciou e influencia muitos dos participantes do evento, que contribuiu e contribui para que permaneçamos desejando realizar em nossas vidas aquilo que Deus deseja para nós: o querido prof. Olavo de Carvalho!

Saudade, muita saudade disso tudo e de todos! Saudade até do que não aconteceu: da atenção que gostaria de ter devotado a cada um, das conversas que gostaria de ter participado...

Mas, se Deus quiser, nos encontraremos novamente!
Um grande abraço a todos!
Final do evento - Cerca de 12 pessoas já haviam partido.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os pais homeschoolers


Há muitos dias atrás uma leitora pediu-me que escrevesse a respeito do papel do pai na educação domiciliar. Comecei o texto antes do dia dos pais, mas, para variar, não consegui concluí-lo. Agora, porém, vivendo uma situação inédita, adquiri a compreensão de um aspecto da questão que ainda me faltava. E aproveitando que as crianças estão na cama, resolvi fazer uma forcinha extra e não deixar passar.

Primeiro, e antes de tudo o mais, penso que, nessa difícil caminhada do ensino em casa, ao pai deve caber a retaguarda, a proteção advinda da compreensão, da permissão e do comprometimento total com esse projeto educacional. Um pai confuso, inseguro ou contrariado a este respeito, ao ser inquirido sobre a educação de seus filhos, facilmente vacilará e exporá sua esposa e seus filhos à censura pública. É, portanto, fundamental que, mais do que o empenho da mãe, a educação domiciliar praticada em família seja plenamente aprovada e defendida pelo pai.

Segundo, penso que assim como o pai é importante na formação da criança, também o é neste aspecto específico da vida, a educação. Embora poucas famílias homeschoolers tenham o privilégio de poder contar tanto com a mãe quanto com o pai como professores no dia a dia dos estudos, é importante que o pai esteja, de certa forma, por dentro dos assuntos. Trata-se de uma segurança a mais, para a mãe e para as crianças, saber que o pai também sabe aquilo que eles estão trabalhando ao estudar. E não me refiro aqui às minúcias dos conteúdos abordados, mas a um interesse pelos assuntos. Todavia, se o pai também souber de fato aquilo que é estudado, tanto melhor, pois mãe e filhos ganham um interlocutor a mais: ela, para poder avaliar o seu próprio conhecimento e metodologia; eles, para poderem assimilar ainda de um outro modo o mesmo conteúdo.

Além disso, é de grande, imensa valia quando o pai se dispõe a pesquisar métodos, materiais, bibliografias, sites e blogs para auxiliar no incremendo ou complementar aquilo que já vem sendo utilizado. Aqui em casa, por exemplo, grandes achados - como o Teaching the trivium - foram feitos pelo Gustavo. Na verdade, nossa caminhada como homeschoolers começou com o Gustavo.

Por último - e este é o aspecto que me faltava viver e compreender -, creio que um dos gestos mais significativos que o pai homeschooler pode ter para com o bem-estar da sua família é simplesmente estar presente e procurar, na medida do possível, aliviar um pouco os ombros da esposa. Não, pessoal, o Gustavo não está deixando a desejar. Tampouco isso é uma indireta para ele. :) Na verdade, pela primeira vez em quase 10 anos de casados, vejo-me há vários dias sozinha com as crianças e, por conta disso, pude perceber o quanto a simples presença dele é um alívio para mim: são uns poucos minutos a mais no banho, uma refeição sem pressa, um sono mais tranquilo, mais alguém para dar atenção e carinho às crianças, um café com leite e uma torrada, uma massagem, um abraço apertado, um afago ou até um colinho. Enfim, toda a atenção que ele me devota repercute positivamente sobre as crianças, fazendo com que a intensa tarefa de educar em casa se renove.

Sim, queridos leitores, ainda que o pai não "pegue no pesado" da rotina diária dos estudos, está ao alcance dele pequenos gestos de amor e refrigério que renovam as forças da mãe-professora. Pode parecer pouco, mas, cá entre nós, sejamos sinceras: isso faz toda a diferença do mundo, não é mesmo? ;)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Entrevista sobre o curso "Ensine seus filhos a gostar de ler"

Olá, pessoal!

É com muita alegria que venho avisá-los a respeito da abertura das inscrições para a primeira turma do curso "Ensine seus filhos a gostar de ler".

Aqui neste link você pode conferir agora mesmo a entrevista que concedi ao querido prof. Carlos Nadalim e na qual explico um pouco mais a respeito do curso.

Amanhã pela manhã as inscrições estarão abertas. Assista ao vídeo, cadastre-se e não perca a sua vaga! ;)

sábado, 6 de setembro de 2014

"Brasil acima de tudo! Ninguém acima de Deus!"

Hoje pela manhã fui surpreendida. Fui até a feirinha do Bom Fim comprar algumas coisas e pude assistir ao desfile de várias escolas, entre elas do Colégio Militar e do Colégio da Brigada, em homenagem ao 7 de setembro. Eu não sabia que o desfile aconteceria ali e, pra falar a verdade, nem havia me dado conta da data. Minha cabeça está voltada para o dia 13. Até lá terei dificuldades em lembrar de qualquer outra data. Mas, voltando ao desfile, pude ouvir e observar muita coisa interessante.

A primeira delas foi a diferença entre os poucos veteranos presentes e os estudantes em geral. Claro que a idade, por si, já contribui para a distinção, mas era nítida uma certa sobriedade (gravidade, melhor dizendo) na postura dos mais velhos, enquanto a maioria dos estudantes trazia um olhar e uma postura de quem não sabe ao certo o que está fazendo ali; outros, por sua vez, personificavam a irreverência, alheios àquilo que deveria ser rememorado e expressado no desfile. Alguns poucos, porém, pareciam saber a razão de estarem ali e portaram-se de acordo.

A segunda coisa na qual prestei atenção foi a reação dos clientes da feira. Esta é uma feira de alimentos orgânicos, comercializados por produtores locais, e para qual afluem dezenas, centenas de bichos-grilo, alternativos, esquerdistas, adoradores de guaipecas, e, por fim, vovós e vovôs que só querem comprar alguma coisa direto da horta. Contrariando os tradicionais discursos pretensamente pacifistas que jorram das bocas da maioria desse pessoal, o clima de hostilidade era evidente. Pouquíssimas pessoas pararam para prestigiar as escolas e suas bandas. A maioria seguiu comprando, alheia ao evento, reclamando que o desfile tinha "acabado com a feira". Vi semblantes de escárnio, de desprezo, de superioridade...

O ápice, na minha opinião, foi a apresentação do Colégio Tiradentes, o único que tinha grito de guerra. Imaginem a cena: dezenas de rapazes e moças, separados em duas companhias, uniformizados, marchando e bradando seus respectivos gritos, cada um à sua vez. Não me recordo de todo o grito, mas creio que guardei na memória o essencial:
"Brasil acima de tudo! Ninguém acima de Deus!"
O silêncio dos espectadores ressoou tristemente a frieza e a indiferença na qual o povo brasileiro vive os nossos dias. Eles não sabem, mas já não é ao exército ou à polícia que se tornaram avessos. É a ordem, a disciplina, o rigor, a honra, a lealdade e outras virtudes semelhantes, parcamente ali representadas, que eles hoje odeiam. Nosso povo enamorou-se de morte pelo caos, pela bagunça, pelo improviso, pela baixeza, pela traição...

A hipótese final é notoriamente trágica: hoje, caso rebentasse uma guerra e dependêssemos dos estudantes, estaríamos perdidos; por outro lado, se dependêssemos dos clientes da feira, estaríamos mais que perdidos: estaríamos entregues.

Que nesta véspera de 07 de setembro possamos nos empenhar em fazer das nossas famílias pequenos e amorosos "quartéis", verdadeiros núcleos de resistência à vilania onde cada um saiba o seu papel, desempenhe-o com alegria e sirva aos demais com respeito, fidelidade e amor. Pelo futuro do Brasil e para a glória de Deus!