sábado, 29 de março de 2014

Um dia de cada vez

Essa semana, minha amiga Helena Yoshima fez um desabafo em um dos grupos dos quais participamos perguntando se outras mamães homeschoolers também têm dias em que nada parece dar certo. Fiquei sensibilizada com a franqueza dela, bem como com as respostas que outras mães deram, na tentativa de consolá-la e animá-la. Eu própria ofereci algumas palavras. Vendo e sabendo da dificuldade que é suportar tais dias, resolvi escrever um pouquinho a respeito.

Na verdade, muito já li, em blogs norte-americanos, sobre desabafos e palavras de encorajamento de mães homeschoolers. E embora em nossos dias pareça muito feio ou muito fraco admitir que as coisas nem sempre vão bem, isso é mais comum do que possa parecer.

Dias atrás lancei a pergunta lá na Rádio Vox: quem de nós, mulher, consegue permanecer perfeitamente estável por 30 dias sequer? Não estou falando de bipolaridade, mas das oscilações de humor comuns que sofremos como pura decorrência do ciclo hormonal em nosso organismo, por exemplo. Nenhuma de nós consegue. Algumas oscilam mais, outras menos, mas todas nós oscilamos. E isso pode tornar tudo um pouco mais difícil ou mais doloroso.

Em tais ocasiões, lembro-me sempre de um meme de um desses blogs estrangeiros. Dizia mais ou menos assim: "Há dias em que dar comida e banho é tudo o que você precisa fazer." Sim, eu sei, é pouco. Sim, eu sei, ficamos tristes, ficamos frustradas. Sim, há um caminhão de conteúdo para vencer e mais milhares de outras coisas. Eu sei disso tudo. Mas o mais importante, em dias assim, é lembrarmos que os dias têm apenas 24 horas e que as misericórdias de Deus por todas nós se renovam a cada manhã.

Por isso, se este é o seu dia de "dar comida e banho", respire fundo e lembre-se de Deus. Faça o que for possível e foque no que é bom, no que faz bem, no que alegra o coração, o seu e o de seus filhos. Tenho certeza que eles não ficarão chateados por ter um dia de folga, cheio de brincadeiras livres. Amanhã é outro dia e talvez seja mais fácil deixar os sentimentos de lado e voltar ao trabalho, cumprindo com amor as tarefas que temos pela frente. 

As palavras do apóstolo Tiago precisam estar sempre diante de nós: "basta a cada dia o seu próprio mal". Ou, numa versão contemporânea: "vamos por partes: um dia de cada vez". ;)

terça-feira, 18 de março de 2014

Nossa palestra

Aos leitores que queriam assistir nossa palestra no Primeiro Congresso da Confraria de Artes Liberais mas não tiveram como ir a Porto Alegre, uma boa notícia: o vídeo já está disponível no youtube!

Bom proveito!


terça-feira, 4 de março de 2014

Gastando o meu latim

Recebi três comentários no blog, de ontem para hoje, que me fizeram ver, mais uma vez, que quando a pessoa não quer entender alguma coisa, pouco importa o que você diga. E por isso mesmo nem os publiquei, pois minhas respostas não fariam a menor diferença.

A moça começa falando sobre a importância da socialização, obviamente como se eu tivesse negado tal coisa. Ou seja, já começa tomando como pressuposto algo que eu NÃO disse. Em outras palavras: conversa de louco. Mas vamos adiante...

No comentário seguinte, a moça afirma a importância da presença da criança na escola para o apostolado da criança. Ou seja, o seu filho nem ao menos conhece de verdade a própria fé dos pais, mas já deve sair "fazendo apostolado". Tá "serto"!

Por último, ela fala que deixar de trabalhar é para "quem pode", não para quem quer. Disse-me que se deixasse de trabalhar estaria cometendo um crime contra as crianças. Só faltou me chamar de "burguesa".

Algumas respostas que eu daria a essa moça, se tivesse postado os seus comentários, seriam as seguintes:
1. Para começar, não neguei a importância da socialização, mas ela parece não ter percebido isso. Além disso, a escola não é o único espaço de socialização possível, ou é?
2. Não sei como uma criança de 5, 6 ou 7 anos poderia ter qualquer consciência sobre "fazer apostolado" se ela mesma não é madura na fé. As crianças comunicam o que vivem e, neste sentido, podem dar testemunho de Jesus, mas é só. Claro, Deus pode utilizar-se disso para falar ao coração de alguém, mas aí é uma questão que cabe ao Espírito Santo. Parece-me, no entanto, que antes de jogar sobre a criança uma responsabilidade de "apostolado", seria bom investir no ensino da criança a respeito de sua fé. Não por acaso os discípulos passaram 3 anos inteiros convivendo diariamente com Jesus antes de serem enviados em missão. E olha que eram homens adultos!
3. Vir falar sobre o homeschooling ser "coisa de rico" justamente para mim é, no mínimo, uma falta de respeito. A pessoa não me conhece, não sabe como eu vivo, não imagina os sacrifícios que fazemos e vem querer me falar em "crime"! Isso é cuspir na minha cara e na de muitas outras famílias cristãs que, ao contrário de outras, não confiam somente em si mesmas, mas, em obediência a Deus e pela fé Nele, contam também com a providência divina para criar seus filhos. E Ele não nos tem faltado!
4. Por último, a moça ignora completamente o pé em que a educação MUNDIAL se encontra, especialmente no tocante aos projetos globalistas que se valem das mais sórdidas técnicas psicológicas para a destruição da personalidade das crianças. E isso não a parir dos 7 anos de idade, mas desde o nascimento!

Enfim, é um gigantesco pé no saco receber uma "aulinha gratuita" de gente arrogante quem não me conhece, não sabe do que está falando e ainda usa de pseudo-motivos religiosos para colocar os filhos em um sério risco.

Que Deus tenha misericórdia dessas crianças.

domingo, 2 de março de 2014

Onde estão os pais?


Nathaniel descobriu que tem voz e há três dias grita feito uma baleia. Obviamente, durante a missa ele começou o seu show de agudos. Prontamente fui para o fundo da nave, onde poderia ficar em pé embalando o menino sem tirar a atenção de ninguém. Fiz isso porque o Gustavo, que é quem normalmente acalma os guris, estava com o Benjamin adormecido em seu colo. Chegando lá, no fundo da igreja, eis que vejo, no banco em frente, uma mãe com um filho dos seus 5, 6 anos de idade. O menino, tablet em punho, estava furioso por não conseguir fazer alguma jogada. Começou então a sacudir o tablet e soltou o braço no banco da igreja, expressando livremente sua frustração. A mãe, que até então tentava prestar atenção ao que dizia o padre, tirou o tablet das mãos do menino e guardou-o do seu lado, fora do alcance da criança. Mas bastou que chegássemos a um dos momentos em que ficamos em pé durante a missa para que o garoto desse o seu jeito na situação: sentou-se no lugar da mãe, espichou-se, pegou o tablet e, apoiando a cabeça nas nádegas da mãe, recomeçou a jogatina. Não fiquei para ver o final da história, pois o Nathaniel adormeceu e eu voltei ao meu lugar. De todo modo, uma pergunta me ocorreu: onde está o pai dessa criança? E antes que me chamem de preconceituosa, advirto: eu sou filha de mãe solteira.

A pergunta é mais do que uma mera indagação pela presença física de um membro da família: é uma pergunta por aquele que deve representar a lei, as regras, o parâmetro, o limite dentro da família. E é aí que o mais triste da história das famílias dos nossos dias se revela: às vezes, mesmo um pai presente é um pai ausente, pois é omisso e entrega suas funções a quem quer que se candidate para o cargo. Tais homens podem ser excelentes profissionais, grandes amigos, mas não são pais bons o bastante e, consequentemente, comprometem o seu casamento, pois sobrecarregam a esposa com algo que não compete exclusivamente a elas.

Olhem ao redor e observem: quantas famílias vocês conhecem que, apesar de contar com a presença de todos os seus membros, não funcionam como deveriam, pois aquele que deveria ser o líder e o exemplo dos demais se encolhe e lava as mãos? Ou, quando atua, o faz como último recurso, depois de extrapolar tudo o que dita o bom senso, mais confundindo do que ensinando?

Mães com filhos incontroláveis, onde está o seu marido? Pare de tentar fazer o que ELE precisa e deve fazer, pois você está dando a desculpa perfeita para ele eximir-se de qualquer trabalho - e fantasiar eximir-se da responsabilidade pelos péssimos resultados que já estão previstos.

Se você quer que seu filho tenha limites e seja respeitador, mas seu marido pouco participa de sua educação, negando-se a corrigi-lo, ore, ore muito pelo seu marido, para que ele assuma o lugar certo na família, e enquanto isso, volte você ao seu devido lugar. Se Deus, que é o nosso Pai do céu, não nos poupa umas boas carraspanas de quando em vez, quem somos nós para pensar que sabemos fazer melhor? Por último, lembre-se: quase sempre associamos a imagem de Deus à imagem que temos de nosso pai aqui na terra. E embora sejamos imperfeitos, não podemos nos dar ao luxo de, enquanto cristãos, comprometermos não apenas a formação social, mas especialmente a vida espiritual de nossos filhos por motivos tais como omissão, preguiça, traumas do passado, etc.

Oremos pelos homens e meninos de nossas famílias, para que eles sejam conforme Deus os desejou: responsáveis, fortes, protetores e dispostos a se sacrificar por suas famílias!