terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A vida cristã na infância

Dias atrás publiquei um post que tornou-se bastante compartilhado no facebook. Dizia o seguinte:
Eu juro que não entendo. O pessoal deixa a criança por duas horas no cultinho infantil de domingo ou leva a criança à missa uma vez na semana e, durante o resto do tempo, deixa a criança entregue às novelas, aos desenhos, aos vídeo games dos mais violentos e esperam ainda que as criaturinhas sejam discípulas de Cristo! É uma luta MUITO desigual! É mais ou menos como exercitar-se por 2 horas semanalmente e nas outras muitas horas entregar-se a todo tipo de comilança! Não funciona! Não tem como dar certo! Você nunca terá um corpo atlético desse jeito, assim como seu filho nunca se tornará um cristão se continuar recebendo essas informações díspares e esse evangelho em pequenas quantidades. Pais, vocês PRECISAM SE DECIDIR: ou investem para valer na vida interior e espiritual de suas crianças ou as entreguem de vez ao mundo. Ou uma coisa, ou outra. O que não é possível, o que é intolerável é você não oferecer suprimento espiritual adequado e depois exigir que a criança torne-se um exemplo de cristã assim, do nada. Isso é pura hipocrisia.
Mas para não ficar apenas na crítica, resolvi deixar aqui mais uma importante dica. Uma das armas mais eficazes na semeadura de bons valores e no auxílio ao desenvolvimento da vida interior das crianças é, sem dúvida, a literatura. Assim, a sugestão deste post é o já mencionado livro "Braz e a primeira comunhão", da nossa velha conhecida, a excelente Condessa de Ségur.

Trata-se, sem exagero, de um dos textos que mais bela e concretamente descreve a busca da santidade por uma criança. Braz é o exemplo de menino piedoso, ou melhor, de uma rara piedade, aquela piedade comum aos santos, enquanto Júlio é o seu exato oposto. Entre sofrimentos, injustiças, perseguições, lágrimas e dores, vemos Braz conformar-se à cruz de Jesus - mas sem tolices, pieguices ou falsidades, como uma compreensão caricata de santidade poderia fomentar -. Tal conformação produz uma reviravolta das mais profundas e belas em todos ao seu redor, especialmente em Júlio.

Recomendo vivamente o livrinho, especialmente aos pais católicos que têm filhos meninos. Claro, pais protestantes também podem fazer muito bom proveito, desde que façam as distinções e esclarecimentos necessários no tocante à primeira comunhão - sacramento mencionado no título mas que só aparece ao final da obra e rapidamente.
Por último, deixo aqui um dos muitos trechos comoventes da história de Braz e Júlio:
Braz, quase chorando, falou:
- Patrão, Júlio, sou eu que lhes perdôo a injustiça, apesar de valerem tanto e eu, tão pouco. Algum dia a verdade há de aparecer. Quero que saibam desde já que lhes perdoei com toda a sinceridade.
Braz abriu a porta e saiu antes que o conde voltasse a si do espanto que lhe causaram aquelas palavras. Pai e filho ficaram calados. Júlio estava visivelmente constrangido. Era evidente que não tinha a consciência limpa.

Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue
Romanos 10:14
Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue
Romanos 10:14

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Escola católica contra a fé católica

Conforme prometido, publico aqui a denúncia que recebi neste dia 19 de fevereiro de uma mãe do Belém do Pará. A denúncia é relevante porque mostra que não são apenas as disciplinas tradicionais - como história, filosofia, sociologia e até a pseudo-disciplina de educação sexual - que estão repletas de distorções, mentiras, desrespeitos e erros. Agora, até mesmo a educação religiosa, pasmem, em uma escola confessional católica, está contra a fé cristã. Assim, leiam a carta que a mãe enviou à escola, explicando a solicitação de liberação das crianças da referida disciplina e abram os olhos para o que tem sido ensinado às crianças até mesmo neste assunto. Que Deus abençoe e proteja a corajosa família e que eles sirvam de inspiração a muitas outras, para que não nos submetamos mais a isso tudo a que nos querem reduzir e deformar.




Belém, 26 de janeiro de 2014.



Prezada G.,

Protocolei na secretaria do colégio, documento solicitando a dispensa dos meus filhos (S. e F.) nas aulas de Ensino Religioso. Peço licença, antes de sua deliberação, para expor meus motivos de forma particular e faço isso de mãe para mãe.

Nossa família confia nessa instituição de ensino por crer primeiramente no seu comprometimento com a ética e com os ensinamentos cristãos pregados pelo seu fundador, São Marcelino Champagnat, visto que postula como princípio número 1 a “Educação integral, centrada em Jesus Cristo e inspirada em Maria”.

Estamos agradecidos pelas atividades pastorais que nossos filhos vêm participando até agora, pois estão plenamente de acordo com nossa fé católica. Entretanto, já de algum tempo temos notado que a matriz pedagógica da disciplina Ensino Religioso, por opçãoi institucional, não tem unicamente por fundamento os valores cristãos, e sim o pluralismo religioso.

O objetivo do pluralismo religioso, profetizado na disciplina, ainda que implicitamente, é fazer a criança crer que Deus é uma invenção do homem, é simbólico. Deus é substituído pelo “Transcendente”, assim fica mais fácil chamar um orixá, o sol, a lua, a terra, Shiva, qualquer ser ou expressão de “Transcendente” e colocá-los em igual nível de Deus.


Fonte: Livro “Redescobrindo o Universo Religioso”, 
volume 04, 4º Edição, pg. 27 (4° ano/9)

Em nome da bondade, da tolerância, do respeito ao próximo, as crianças desde a tenra idade, vêm sendo ensinadas que todas as religiões são boas, todas levam ao céu. Ensinam que a Umbanda, que crê em divindades, é uma boa prática, embora saibamos de rituais destinados ao malefício do próximo. Ensinam que as práticas indígenas são boas, embora saibamos que muitas tribos praticam o infanticídio e o aborto. Ensinam o Islamismo sem mostrar que é a religião mais intolerante do mundo, ou não sabemos o que fazem com os cristãos e homossexuais que vivem em cidades de dominação islâmica?

E Jesus? Como Jesus é citado? Jesus é citado como um profeta, um ser místico, uma criatura evoluída que veio ao mundo fazer o bem, um líder do cristianismo.


Nos livros a Palavra de Deus (o Evangelho) é apresentada como uma história usada pela Igreja para transmitir ensinamentos, iguais as histórias que as crianças lêem na biblioteca. Conforme podemos verificar nos trechos do livro:


Fonte: Livro “Redescobrindo o Universo Religioso”, 
volume 03, 4º Edição, pg. 61 (3° ano/9)
 
A mensagem é muito clara: Deus é invenção do homem. E o livro continua: Que tal conhecer agora uma história do Cristianismo? (após introduzir a relação entre as histórias importantes que estão na biblioteca e as histórias usadas pelas religiões).


Fonte: Livro “Redescobrindo o Universo Religioso”, 
volume 03, 4º Edição, pg. 63 (3° ano/9)
 
Nosso Senhor Jesus Cristo, em “uma história do cristianismo” é um “líder religioso”, e pasme, não multiplicou os pães, não houve milagre, ele “conseguiu” 5 pães e 2 peixes e dividiu com as pessoas. E assim, as “histórias” bonitas do pluralismo religioso vão sendo contadas às crianças...

Confesso que por muito tempo não me preocupei com o conteúdo das disciplinas ministradas no Colégio, porém, há cinco anos venho questionando e procurando orientação com sua equipe de profissionais e mesmo pessoalmente com você. Com relação ao Ensino Religioso, ouvi do Colégio Marista que se eu criasse o meu filho na Igreja Católica, eu criaria uma pessoa preconceituosa.

Então, por nós crermos que Jesus não é simplesmente o profeta, o homem iluminado, ou um líder religioso, por cremos que Ele é o PRÓPRIO DEUS que se fez homem, somos acusados de intolerantes? Saiba o que diz o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. em sua palestra sobre Pluralismo Religioso, conforme transcrição a seguir: 

“Na teologia do pluralismo religioso, quem crê que Jesus é Deus que se fez homem é intolerante... Porque se Jesus é Deus que se fez homem, então nós estamos na Igreja verdadeira, não ser Cristão é estar no erro e por isso nós somos acusados de imperialismo religioso, nós queremos que todo mundo seja cristão (e queremos mesmo), mas não vamos forçar ninguém, nem matar por isso, mas nós vamos morrer por isso... O que nós aprendemos no catecismo católico, para esses sábios senhores é um absurdo, a nossa fé em Cristo se tornou um absurdo, e nós somos acusados de intolerância porque cremos em Jesus, somos retrógrados porque cremos em Jesus, não estou dizendo que quem não é católico não será salvo. Estou dizendo que quem for salvo, será salvo por Jesus na Igreja Catolica mesmo que não saiba disso(...)”. (fonte: http://www.youtube.com/watch?v=KElezZdF9iM)


O tema, inegavelmente, é polêmico, já que não há como ser “plural” quando se trata de religião, pois sempre haverá pontos conflitantes diante das mais distintas doutrinas e crenças, a não ser que não se tenha uma religião definida, o que não é o nosso caso! Não somos obrigados a crer em todas as religiões, temos o direito de confessar apenas uma! Ou nenhuma, como os pais ateus no estado do Paraná, que tiveram seu direito preservado de não expor seus filhos às aulas de Ensino Religioso, pois não queriam que seus filhos acreditassem que existe um ser supremo, seja ele qual for.

G., você teve a oportunidade de criar seus filhos na fé cristã, não foi obrigada a aceitar o bombardeio de conceitos pluralistas e tenho certeza que eles se tornaram seres humanos de bom coração. Eu e A. estamos educando nossos filhos para terem liberdade de escolher a religião que quiserem seguir, quando tiverem maturidade para fazê-lo, mas temos a obrigação como cristãos de mostrar-lhes Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não tenho a pretensão de pedir a alteração do conteúdo da disciplina, por reconhecer a autonomia da escola em optar por esta tendência, o que peço encarecidamente é que você entenda nosso ponto de vista, respeite nosso direitoi à preservação de nossa crença e atenda amigavelmente nosso pedido de que F. e S. não assistam às aulas nem façam as atividades avaliativas dessa disciplina, cabendo à escola a necessária adaptação para que não sejam consideradas a freqüência e notas dessa disciplina no currículo escolar.

A Paz de Cristo,
P.
1. As escolas católicas, portanto confessionais, podem optar pelo ensino cristão, como é o caso do Colégio de São Bento (RJ), conforme se verifica na transcrição abaixo:
O Colégio de São Bento, como Colégio católico, tem a missão de educar a partir dos valores cristãos. A razão de sua existência educativa é, portanto, servir à evangelização, tendo Jesus Cristo como paradigma do ser humano a ser seguido. É na referência à Sua pessoa e aos Seus ensinamentos que o Colégio propõe promover o ser humano na sua integridade e como sujeito de sua história. Essa missão educativa está representada em duas vertentes evangelizadoras: o ensino religioso e as ações pastorais, que se alimentam mutuamente no espaço escolar. O projeto religioso do Colégio tem como lema a espiritualidade beneditina, “Ora et Labora”, que busca levar em conta a mobilização dos alunos para o conhecimento, a oração e a ação. As aulas são expositivas e dialogadas, dinamizadas por recursos midiáticos.

O ensino religioso, no âmbito escolar, confessional, procura compreender as questões da vida à luz da identidade cristã. (...) Grifo nosso (fonte: http://www.csbrj.org.br/)
  
2. Direitos assegurados quanto à religião e ao ensino religioso:
  • Convenção Americana sobre os Direitos Humanos, de 22.11.1969, Promulgada pelo Dedreto nª 678 de 6 de novembro de 1992
Artigo12: Liberdade de Consciência e de Religião
  • Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças. Ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado.
  • Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crença.
  • A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está unicamente às limitações prescritas pela lei e que sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos ou liberdades das demais pessoas.
  • Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.
  • Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10.12.1948. Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.
ARTIGO 18
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.


  • Lei de Diretrizes e bases da educação

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997).
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Uma entrevista arquivada

A entrevista abaixo foi concedida ao meu amigo Jarbas Aragão, do Gospel Prime, em novembro do ano passado, mas por algum motivo não foi publicada. Assim, tomei a liberdade de publicá-la aqui para vocês. ;)

Camila, o que é ser ativista cristão?

Eu não sei, Jarbas. O meu trabalho com o blog, no facebook e, agora, na rádio VOX, são decorrências da minha vida junto à minha família. Eu me considero uma mulher cristã, uma esposa e uma mãe que compreendeu a sua vocação e que procura vivê-la ao máximo e da melhor maneira possível, pois é isso o que me faz feliz e que eu creio que Deus espera de mim. Se escrevo ou falo defendendo o homeschooling, o direito à vida e os valores tradicionais da cultura ocidental é porque amo e defendo aquilo em que acredito. Não se trata de uma "causa", mas de vida real e amor. Todo o resto é consequência disso.


O que o cristão pode fazer além de compartilhar e curtir no face?
Olha, eu também não sei. O que eu fiz foi parar de querer corresponder às expectativas alheias (e até às minhas próprias) e buscar corresponder à expectativa de Deus. Relutei durante muito tempo contra a ideia de ser mãe, esposa e dona-de-casa. Eu fugia da minha circunstância, pois precisava "ser mais", "fazer mais", "parecer e aparecer mais". Quando compreendi que meus filhos, meu marido e meu lar precisavam de mim AGORA e não daqui a vinte anos, parei tudo. Eu percebi que jamais conseguiria chegar na velhice com uma supercarreira e uma família aos frangalhos, com relacionamentos superficiais, carências e culpa. Percebi, por outro lado, que conseguiria chegar na velhice sem ter carreira alguma, sem atingir as ambições que tinha estipulado para mim, mas com uma família unida, amorosa, madura e bem resolvida. Foi uma escolha. E essa escolha mudou tudo, e para melhor.

Parece-me que quando compreendemos o chamado de Deus para as nossas vidas, a nossa verdadeira vocação, então ser sal da terra e luz do mundo torna-se algo natural. Não é questão de tornar-se uma outra pessoa ou de viver em um outro contexto. Não. É tornar-se precisamente quem se é e no tempo presente, não importa onde. E não há como ser sal e luz sem negar-se de verdade, abraçar a própria cruz e seguir a Jesus. Acredito que sem fazermos isso dia após dia, tudo se resumirá à futilidade de um "like" ou de um "share", a uma aparência no mundo virtual.


Qual a importância da radio web?

A rádio que os meninos criaram é um verdadeiro oásis nesse deserto de mesmice, estupidificação e desinformação que se tornou o Brasil. É uma iniciativa livre, sem patrocínios, sem financiamentos, onde cada um contribui com o que sabe, compartilhando conhecimento de verdade. As pessoas que apresentam os programas são estudiosos de fato. Gente que pagou o preço, nesse nosso país, de ser tachado de esquisito, antiquado ou reacionário para saber alguma coisa de verdade, indo às fontes primárias nos assuntos de seu interesse. É uma rádio única no Brasil. Não há coisa semelhante por aqui. E, para mim, é uma honra ter sido convidada para apresentar um programa sobre homeschooling. É uma forma impressionante de dividir aquilo que se vive com um sem número de pessoas. É um presente poder contribuir.

Não seria perda de tempo já que a Bíblia diz que tudo vai piorar?
Sabe, esse tipo de mentalidade me lembra a parábola do servo iníquo (aquele que escondeu o talento com medo do seu senhor, em lugar de multiplicá-lo) ou a parábola das virgens loucas (que não tinham óleo na candeia para esperarem a chegada do noivo). É um lavar de mãos ao pior estilo Pôncio Pilatos. Pura irresponsabilidade.
Não importa se tudo vai piorar. Deus não me colocou nesse mundo para fazê-lo piorar ou ficar admirando a paisagem e dizendo "maranata". Importa é o que eu faço com essa vida que me foi dada e que é a única que eu tenho! Não é minha responsabilidade gerir os rumos da humanidade (graças a Deus!) mas simplesmente fazer o humilde trabalho de amar minha família. E se eu não fizer isso, essa coisinha pequena, íntima e bonita, quem o fará? Eu quero fazê-la, essa é a minha responsabilidade e é sobre ela que prestarei contas. O resto é com Deus, não comigo, entende?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Material de estudos para 2014

Já estamos na segunda semana de aulas por aqui... E nada de eu voltar à ativa na blogosfera.

Quem me acompanha no facebook está sabendo: mudamos inesperadamente de residência agora em janeiro. Então, o que era para ser um período de férias tranquilo e sem novidades transformou-se num corre-corre: seleciona, guarda, encaixota, transporta; depois: desencaixota, limpa, guarda... E tudo isso com os três pequenos. Mas, enfim, valeu a pena. O novo lar é maior e mais bonito que o anterior. Estamos todos felizes e gratos a Deus.

Agora, expostos os devidos motivos para tanta demora, vamos ao que interessa. Afinal, o que selecionei para trabalhar com a Chloe neste ano
?

Para começar, tomei a seguinte decisão: antes de adentrar em novos conteúdos, começamos revisando o que havíamos estudado no ano que passou. Claro, refiro-me aqui aos conteúdos de português e matemática, que foi o que trabalhamos sistematicamente. As outras matérias apareceram apenas de maneira eventual.
 
Então, em se tratando de matemática, resolvi seguir o método que adotei até aqui: elaborar eu mesma os conteúdos baseando-me no currículo norte-americano. Estamos revisando adição, subtração, horas, meses do ano, dias da semana, maior, menor, igual, sequências, unidade, dezena e centena. Depois iremos para os conteúdos da terceira série, recorrendo, como no ano passado, também ao Kumon.

Já em se tratando de português, fizemos um upgrade significativo. É que o querido Prof. Carlos Nadalim nos presenteou com uma coleção de livros que ele próprio utiliza em sua escola (Mundo do Balão Mágico). Trata-se da coleção "Descobrindo a gramática", da FTD. Mas o melhor é que fomos presenteados com a edição antiga, que é muito melhor e mais completa! Assim, estamos revendo os conteúdos da segunda série rapidamente.

Alegrou-me muito ter um livro-base confiável a partir do qual posso ensinar à Chloe nossa língua mãe. Mas alegrou-me ainda mais perceber que aquilo que eu vinha ensinando intuitivamente, desde as minhas memórias, estava perfeitamente de acordo com o apresentado no livro. Ou seja, mesmo tateando às escuras, achei o interruptor.

A graaaande novidade, no entanto, ficou por conta da disciplina de história. Graças a uma amiga facebookeana, a Mariana Junckes, tomei conhecimento do material desenvolvido pela Susan Wise Bauer para a matéria. Eu já conhecia a Susan lá pelo "The Well-Trained Mind", mas não conhecia o seu material de história. E que surpresa maravilhosa! Nada daqueles conteúdos escritos de maneira impessoal que tanto entediam as crianças. Não, nada disso! Ela inventa uma história dentro da história e torna tudo divertido e próximo para a criança. Tarak, uma menina nômade de sete anos de idade é a personagem principal até o momento (estamos no Egito antigo). Além do livro texto, há ainda um livro de atividades para a criança, um livro de testes sobre cada capítulo e um outro livro do "professor", com explicações sobre como utilizar todos estes recursos e ainda muitos outros. Coisa linda! Claro, tudo em inglês - mas se eu consigo, você consegue! ;)




Por fim, seguimos estudando inglês através do site do Duolingo. Eu e Chloe temos gostado. É simples, bem objetivo e diversifica um pouco a forma de estudar, saindo um pouco de sobre os livros e indo para o computador. Creio que em breve ela já conseguirá ler pequenos livros, de conteúdo elementar, sozinha.

Agora em março pretendemos iniciar as aulas de piano, se Deus quiser! Estamos bem empolgadas com a ideia!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A escola dos bárbaros e o sonho de Lênin


O texto abaixo é de autoria de Daniel Fernandes, 
um professor de filosofia e história e amigo meu que teve a bondade de fazer um resumo comentado, especialmente para o Encontrando Alegria, 
da obra "A escola dos bárbaros"


Atentas a todos os passos do desenvolvimento da moderna pedagogia, Isabelle Stal e Françoise Thom, mostram, de maneira contundente, no livro A escola dos bárbaros, que uma explosão de inovações esquerdizantes, seguida de uma entronização crescente de falsas ciências e de geringonças pedagógicas no processo de “renovação dos colégios” afastou a escola de seus objetivos tradicionais, transformando-a num campo de experimentação aberto a todas as utopias coletivistas empenhadas na criação de um “homem novo”.

Essencialmente niveladora, porque não exige nenhum esforço real, a escola, transformada numa máquina de desaprender, tornou-se um lugar “mediocrizante” e “barbarizante”. Mantendo sempre os olhos fixos no horizonte da igualdade utópica, a nova pedagogia, inspirada numa lógica socialista, desqualificou o indivíduo por considerá-lo suporte da desigualdade. O grupo, no entanto, instrumento de nivelação, passou a ser exaltado a tal ponto, que se tornou o princípio da revolução pedagógica. O que importa, não é mais o ato inteligente de aprender, sem o qual nunca se poderá, realmente, criar, mas tão-somente o de participar, como todo o grupo.

A crítica das autoras é impiedosa, mas justa: a pedagogia moderna tornou-se um pesadelo a serviço da demolição da escola. A obra inteira pode ser considerada como um 'livro-denúncia' que enfeixa um sem-número de importantes e oportunas reflexões críticas sobre a devastação cultural e psicológica, sem precedentes promovida pelos cérebros pedagógicos, desde a primeira metade do século XX. A moderna pedagogia – que se intitulava científica – não mediu esforços para impor seu niilismo pedagógico, afastar os alunos das matérias e dos exercícios verdadeiramente formadores, em proveito de manipulações sem conceito, como a tecnologia, ou tagarelices sócio-críticas a serviço de ideologias.

Enquanto a educação tradicional pretendia controlar elementos tangíveis como a conduta, conhecimentos e resultados, a nova se arrogava plenos poderes sobre o espírito e os sentimentos dos alunos. Os pedagogos progressistas, sob o pretexto de instaurar na escola uma igualdade real, chegaram, inexoravelmente, a banir noções gramaticais de base. A própria linguagem foi colocada sob suspeita. Todas as práticas, todos os métodos distribuídos pela pedagogia, passaram a suspeitar da norma culta considerada infame por revelar disparidades culturais e socioeconômicas entre as famílias. Assim, sob o pretexto de instaurar na escola a igualdade, o ensino é nivelado por baixo.

Não por acaso, os resultados da pedagogia progressista, ainda em andamento, tem sido catastróficos. A maioria dos alunos dos últimos anos é incapaz de falar, isto é, de formular um pensamento, por mais simples que seja; logo que os estudantes têm de sair dos temas da vida corrente e das frases usadas pelos meios de comunicação, eles se mostram praticamente afásicos, abordando o domínio do pensamento abstrato como o auxílio de um lamentável arsenal de onomatopeias e cacoetes grupais.1 Ainda assim, longe de tirar lições de seus fracassos, os modernos pedagogos obstinam-se, pensando poder remediar as consequências de uma tolice pedagógica por outra. Existe aí uma lógica infernal: os entusiasmos dos pedagogos modernos provocam, nesse campo, desastres que lançam a máquina pedagógica num ciclo desenfreado, numa voragem de inovações, precipitando os infelizes alunos num abismo de ignorância e de perplexidade.”2

Reza a lenda que, em outubro de 1919, Lênin fez uma visita secreta ao laboratório do grande fisiologista Pavlov, querendo saber se era possível controlar o comportamento humano. Seu desejo era que as massas seguissem um padrão grupal de pensamento e ação. "Há individualismo demais, na Rússia. Precisamos aboli-las." Pavlov mostrou-se chocado. "O senhor gostaria que eu nivelasse a população da Rússia?" perguntou. "Exatamente", respondeu Lenin. "O homem pode ser corrigido, fazendo-se dele o que se quiser." Lênin morreu em 1924, e logo depois, a nova pedagogia tornaria seu sonho, realidade. O pedagogo moderno é o engenheiro de almas, como o qual sonhava Lênin3, e a nova pedagogia, um crime contra o espírito.

Por isso mesmo, A escola dos bárbaros é leitura obrigatória para educadores e, também, para pais que desejam, para seus filhos, uma escola sadia e eficiente, a salvo de ideologias perversas e desastrosas revoluções pedagógicas.
1 Isabelle Stal e Françoise Thom. A Escola dos Bárbaros. São Paulo: T.A. Queiroz Editor, 1991, p. 59.
2 Idem, p. 43.

3 Orlando Figes. A tragédia de um povo. Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 900.