domingo, 6 de julho de 2014

Os elogios, as críticas e o amor

Uma amiga do facebook fez-me, a mim e ao prof. Carlos Nadalim, uma pergunta muito interessante, a qual decidi, com algumas adaptações, compartilhar aqui com vocês: Como criar uma criança virtuosa sabendo como e o quanto elogiá-la, sem torná-la vaidosa?

Minha amiga, ao ler a história de Santa Teresinha, deparou-se com o relato de uma ocasião em que seu pai sinalizou a uma terceira pessoa para que não a elogiasse. Por conta disso, Santa Teresinha afirma ter crescido sem importar-se com a admiração alheia, e tornando-se, assim, humilde. Que grande questão, não?
Penso que não exista receita pronta. Uma regra que valha para todas as famílias e todas as crianças. É preciso levar em conta as inclinações da criança e o tipo de elogio que lhe são feitos. Por exemplo, se a criança é tímida, mais introspectiva, um pouco insegura, penso que elogios só a ajudarão. Mas elogios sinceros, nada de bajulação ou puxação de saco. Já se a criança é bastante segura de si, extrovertida, falante, é bom pegar leve. Não se trata de não elogiá-la, mas de perceber quando a ocasião em que um elogio é realmente importante: numa situação nova, desafiadora, em algo especialmente difícil ou que ela não deseja fazer... Mas, novamente, elogios sinceros, sem bajulação. Enfim, é preciso saber dosar considerando a criança e a ocasião.

Além disso, há o outro lado da moeda: a crítica. A criança também precisa saber lidar com a recriminação quando não faz o que é certo ou o que deveria ter feito. Saber comunicar o peso do problema também ajuda a equilibrar as coisas psiquicamente. Uma criança que só é elogiada e jamais repreendida ou criticada muito provavelmente se tornará arrogante, vaidosa e menosprezará os demais. Uma criança que é elogiada e repreendida ou criticada nos momentos certos, ao que me parece, tenderá a dar uma melhor medida para as coisas e para si mesma, sabendo que não é o centro do universo nem a pior criatura do mundo, entende?

Não sei se ajudei ou se piorei as coisas com tanta explicação.

Resumindo: penso que as crianças não devam ser tolhidas de ambas as coisas, elogios e críticas, pois ambas fazem parte da vida e de nós mesmos. Mas é preciso sabedoria para ver o que a criança precisa mais, quando e como.

Agora, voltando ao caso de Sta. Teresinha... Veja, como ela era uma menina que sabia ser profundamente amada pelos pais e, por isso mesmo, segura de si, o gesto paterno não a magoou, não a fragilizou, mas, ao contrário, a fortaleceu, pois aquele que era o principal responsável por nutri-la emocionalmente, seu pai, havia cumprido bem o seu papel. Mas, imagine se ele não tivesse cumprido bem o seu papel: ao vê-lo impedindo o gesto de louvor de uma terceira pessoa, penso que Sta. Teresinha provavelmente se sentiria diminuída ou lesada de algum modo.

No fundo, no fundo, o que importa mesmo é a criança saber-se amada. Isso fará toda a diferença no lidar com os elogios e com as críticas. Ela precisa saber que o amor dos pais independe dos seus erros e acertos. Nada é mais importante, em se tratando de uma verdadeira educação infantil, do que imprimir uma marca profunda na alma da criança, uma marca que dê a ela a certeza invencível de que é muito, muito amada. Todo o restante depende disso. Esse amor é algo que lhe devotamos pelo simples fato de existir, nada a mais.

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