domingo, 2 de março de 2014

Onde estão os pais?


Nathaniel descobriu que tem voz e há três dias grita feito uma baleia. Obviamente, durante a missa ele começou o seu show de agudos. Prontamente fui para o fundo da nave, onde poderia ficar em pé embalando o menino sem tirar a atenção de ninguém. Fiz isso porque o Gustavo, que é quem normalmente acalma os guris, estava com o Benjamin adormecido em seu colo. Chegando lá, no fundo da igreja, eis que vejo, no banco em frente, uma mãe com um filho dos seus 5, 6 anos de idade. O menino, tablet em punho, estava furioso por não conseguir fazer alguma jogada. Começou então a sacudir o tablet e soltou o braço no banco da igreja, expressando livremente sua frustração. A mãe, que até então tentava prestar atenção ao que dizia o padre, tirou o tablet das mãos do menino e guardou-o do seu lado, fora do alcance da criança. Mas bastou que chegássemos a um dos momentos em que ficamos em pé durante a missa para que o garoto desse o seu jeito na situação: sentou-se no lugar da mãe, espichou-se, pegou o tablet e, apoiando a cabeça nas nádegas da mãe, recomeçou a jogatina. Não fiquei para ver o final da história, pois o Nathaniel adormeceu e eu voltei ao meu lugar. De todo modo, uma pergunta me ocorreu: onde está o pai dessa criança? E antes que me chamem de preconceituosa, advirto: eu sou filha de mãe solteira.

A pergunta é mais do que uma mera indagação pela presença física de um membro da família: é uma pergunta por aquele que deve representar a lei, as regras, o parâmetro, o limite dentro da família. E é aí que o mais triste da história das famílias dos nossos dias se revela: às vezes, mesmo um pai presente é um pai ausente, pois é omisso e entrega suas funções a quem quer que se candidate para o cargo. Tais homens podem ser excelentes profissionais, grandes amigos, mas não são pais bons o bastante e, consequentemente, comprometem o seu casamento, pois sobrecarregam a esposa com algo que não compete exclusivamente a elas.

Olhem ao redor e observem: quantas famílias vocês conhecem que, apesar de contar com a presença de todos os seus membros, não funcionam como deveriam, pois aquele que deveria ser o líder e o exemplo dos demais se encolhe e lava as mãos? Ou, quando atua, o faz como último recurso, depois de extrapolar tudo o que dita o bom senso, mais confundindo do que ensinando?

Mães com filhos incontroláveis, onde está o seu marido? Pare de tentar fazer o que ELE precisa e deve fazer, pois você está dando a desculpa perfeita para ele eximir-se de qualquer trabalho - e fantasiar eximir-se da responsabilidade pelos péssimos resultados que já estão previstos.

Se você quer que seu filho tenha limites e seja respeitador, mas seu marido pouco participa de sua educação, negando-se a corrigi-lo, ore, ore muito pelo seu marido, para que ele assuma o lugar certo na família, e enquanto isso, volte você ao seu devido lugar. Se Deus, que é o nosso Pai do céu, não nos poupa umas boas carraspanas de quando em vez, quem somos nós para pensar que sabemos fazer melhor? Por último, lembre-se: quase sempre associamos a imagem de Deus à imagem que temos de nosso pai aqui na terra. E embora sejamos imperfeitos, não podemos nos dar ao luxo de, enquanto cristãos, comprometermos não apenas a formação social, mas especialmente a vida espiritual de nossos filhos por motivos tais como omissão, preguiça, traumas do passado, etc.

Oremos pelos homens e meninos de nossas famílias, para que eles sejam conforme Deus os desejou: responsáveis, fortes, protetores e dispostos a se sacrificar por suas famílias!

5 comentários:

  1. Parabéns Camila, ótimo artigo, tens toda a razão, observo isso muito em noticiários onde a falta do pai firme e conciente dos seus atos, evitaria uma série de acontecimentos tristes. Abraço.

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  2. Olá Camila,

    ótimo texto e bela imagem. Já acompanho seu blog há um tempinho, e também tenho acompanhado o programa de vocês na Rádio Vox. Parabéns, está excelente e cada dia melhor!

    Sou casada há quatro meses (e ainda sem filhos), mas desde já me interesso muito por educação em casa, pois é assim que pretendo educar os filhos que Deus generosamente há de mandar-me; e seu blog é para mim de grande inspiração.

    Que Deus possa abençoar e retribuir a generosidade de vocês em partilhar a vossa vida, pois tenho certeza que edifica a muitos (inclusive a mim e a minha família).

    Um grande abraço fraternal! :)

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    1. Muito obrigada, Tainá!

      Um grande abraço e que Deus abençoe vocês!

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  3. Oi Camila,

    No último domingo meu marido ficou muito bravo indo à missa, pois achava que estávamos atrasados e disse que não gosta de ir, que não entende o que o padre fala (moramos nos EUA e ele não domina bem a língua), que ia obrigado, etc. Eu não obrigo ele a ir, mas sempre arrumo as crianças e ameaço ir sozinha com eles, oque claramente não sou capaz de cumprir, já que eles são bem pequenos (2 e meio e 2 meses) e está muito frio. Ele sempre tenta me convencer a deixar um em casa com ele.

    O problema é ele não ser convertido e achar que ir na igreja toda semana é coisa de "beata", que não querer usar métodos artificiais de concepção é doidera e impraticável. Sábado tivemos uma grande briga por causa disto e lembrei dos programas passados, fui para o quarto rezar, resolvida a não deixar aquele conflito sem solução naquela noite. Assim que terminei o terço, ele já começou a brincar como de costume e praticamente não precisei falar nada.

    Dei graças a Deus pelo programa de vocês e continuo pedindo por ele, pois vejo que aos poucos ele está se modificando, assim como vocês disseram, não estamos prontos. Eu não sou fácil de conviver e estou tendo que provar todos os dias o que Deus fez e faz em mim para tentar convencê-lo de que mudei por amor a Jesus.

    Obrigada pela obra de vocês!

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    1. Fico feliz que tudo tenha ficado bem, Amanda!

      Você se importaria, no entanto, de enviar-me o seu email direto para o email do blog? Gostaria, se você me permitir, de conversar um pouco mais a respeito. ;)

      Um grande abraço e fique com Deus!

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