segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal!


Gente querida que nos acompanha, nos lê e nos ouve, eis aqui um presentinho de Natal para vocês! Graças ao nosso leitor-jedi Jeferson Pereira Leal, temos aqui o pdf de um livro recomendadíssimo para pais que querem aprimorar o desenvolvimento das crianças entre 0 e 5 anos de idade! Obrigada, Jeferson! Aproveitem!

Este tem sido um ano abençoado também graças a vocês. Muito obrigada a todos os que nos escreveram compartilhando suas histórias, suas dúvidas, manifestando apoio ao nosso trabalho. Muito obrigada também àqueles que contribuíram financeiramente ou com materiais para o aprimoramento daquilo que temos vivido em casa e dividido com vocês!

Que Deus os abençoe com um Natal cheio da presença amorosa do Aniversariante! E um ano novo em que encontremos ainda mais alegria!

Currículo Acadêmico "sexualiza" crianças de escolas americanas

Comentário prévio:
Diferentemente do que podem pensar alguns, os EUA também têm enfrentado uma série de graves problemas em seus materiais didáticos. No entanto, lá, ao contrário daqui, os pais reagem, protestam, mobilizam-se e vão às origens do problema, isto é, ao CCSS, órgão que seria o equivalente ao nosso MEC. 
Que nos sirvam de inspiração diante dos tantos abusos do Ministério da Educação e Cultura.


por Mary Jo Anderson (tradução: Helena Yoshima)

O distrito estudantil de Newburry, Nova Iorque, retirou um livro da nona série, considerado pelos professores como sendo "pornográfico". Uma mãe no Arizona iniciou uma avalanche de protestos que forçou escolas do Arizona a retirarem de circulação um livro na decima-primeira série que exibia adolescentes em relação sado-masoquista. Um superintendente de uma escola católica admite que havia dois livros de primeira série, sobre famílias - que incluíam fotos de casais homossexuais - listados no website de currículo acadêmico católico (Common Core Catholic Identity Initiative), um recurso nacional para escolas católicas. Tais livros sobre "famílias" - "The Family Book" e "Who's in a Family" - foram removidos do site após protesto dos pais.

Por toda a nação, em escolas públicas e católicas, pais e professores encontraram conteúdos sexuais impróprios nos exemplares recomendados pela CCSS - Common Core State Standards (Normas Estatais de Currículo Acadêmico). Em alguns casos o conteúdo ofensivo é retirado. Em outros, é sugerido aos pais opções como " escolho não participar" para seus filhos. No entanto, a questão que sobressai é, por que tanto material perturbador tem sido elaborado sistematicamente dentro dos textos recomendados pela CCSS (Normas Estatais de Currículo Acadêmico)? Um grupo pequeno de ideólogos não-eleitos deveria ter poder nacional para decidir que americanos da primeira série deveriam ser expostos a "famílias" homossexuais, ou, que alunos da nona série recebam pornografia sob o disfarce de literatura? Estas perguntas e os exemplos listados a seguir clamam por uma analise delicada e cuidadosa dos pais, e um retorno ao controle local dos distritos educacionais.

Sob as exigências do currículo acadêmico de Nova Iorque, trechos do livro "Black Swan Green" são leitura exigida para alunos da nona série. "Black Swan Green" apresenta um garoto de 13 anos como narrador que descreve graficamente as genitais do pai e um ato sexual. Foi-se sugerido que como nem todos os trechos contêm explicitamente material sexual, alguns alunos leriam apenas as partes do livro que foram exigidas. Outros zombam da ideia de que uma vez que os livros estão sob posse dos alunos, o material sexual com gráficos seria ignorado. Realmente, a própria CCSS direciona os professores aos textos na íntegra: "Quando os trechos aparecem, eles servem apenas como substitutos ao texto integral.". A CCSS exige que os alunos se envolvam com trabalhos complexos informativos e literários; tal complexidade é encontrada melhor nos textos completos, do quem nas passagens de tais textos.

Jen Constablie, uma professora de inglês no distrito estudantil de Newburgh, salientou que esta questão não se limita a apenas um livro problemático. "Pelo menos três dos livros listados nos módulos (currículos), contêm passagens usando linguagem e imagens visuais impróprios, que a maioria das pessoas consideraria pornográficas", disse Constabile. Outros professores observaram que esta situação e outras semelhantes, são exemplos de falhas sistêmicas nos currículos alinhados a CCSS. O distrito educacional espera devolver um valor de US$6.000,00 de envio dos livros.

A seleção mais alarmante da CCSS é, de longe, o romance "The Bluest Eye", da autora Toni Morrison, vencedora do prêmio Pulitzer. "The Bluest Eye", agora banido de vários distritos estudantis, é uma representação explicita de estupro, incesto, violência sexual e pedofilia. O pedófilo, chamado Soaphead Church, declara que Deus é sua inspiração, "Eu trabalho somente através do Senhor. Ele as vezes me usa para ajudar as pessoas.".

Pior, entretanto, é que o romance é escrito em solidariedade ao pedófilo. Morrison defende sua personagem, e supostamente escreveu a história para que o leitor se torne um "co-conspirador" juntamente ao pedófilo. De acordo com Macey France, co-fundadora do "Stop Common Core Oregon" (Pare o Currículo Acadêmico de Oregon), Morrison, "diz que ela queria que os leitores sentissem como se fossem "con-conspiradores" junto com o estuprador. Ela teve o cuidado de se certificar de nunca apresentar as ações como erradas, com o intuito de mostrar como todas as pessoas têm seus próprios problemas. Ela ainda chega ao ponto de descrever a pedofilia, o estupro e o incesto como "amigável", "inocente" e "carinhoso".

Como textos assim são escolhidos?

Do site do CCSS:

"Selecionando textos exemplares
As seguintes amostras de textos servem principalmente para exemplificar o nível de complexidade e qualidade que a Norma exige que se envolvam todos os alunos em determinada faixa de grau. Além disso, eles sugerem a extensão dos textos que os alunos devem ter contato nos tipos de textos exigidos pela Norma. As escolhas devem servir como guias úteis para ajudar os educadores a selecionar textos de complexidade, qualidade e variedade semelhante para suas próprias turmas."

Nenhum grupo de pais ou professores se opõe a um material de leitura que inclua complexidade e qualidade. A questão com relação aos exemplares escolhidos pela CCSS está relacionada a "variedade" do material e a adequação etária e contextual do mesmo.


O Conselho de Supervisores e Administradores Escolares (Nova Iorque), que revisou um texto recomendado, "Make Lemonade", ficou perturbado com o "conteúdo e linguagem sexualmente explícitos" do livro. O romance para jovens adultos é parte do currículo CODEX da Scholastic, que algumas escolas municipais (nova-iorquinas) listaram este ano como parte de sua observância junto ao CCSS. Algumas passagens "preocuparam membros da união, incluindo debates de sexo e drogas," diz a porta-voz, Antoinette Isable-Jones. Isable-Jones também disse que a união dos diretores buscou mais informações sobre quem e como a cidade escolheu os materiais recomendados para as escolas.

Foi dito aos membros que "Make Lemonade" é uma opção e que os pais tinham liberdade de expressar suas preocupações aos respectivos diretores. "O romance tem sido altamente indicado para as séries de sexto ao oitavo ano e é apenas um entre muitos romances dentre os quais os professores podem escolher para material de leitura", observou Erin Hughes, porta-voz do Departamento de Educação da cidade de Nova Iorque.

Em outro lado do país, Buena High School em Sierra Vista, Arizona, reconheceu a pressão dos pais e removeu o romance sexualmente explicito, "Dreaming in Cuban" de Cristina Garcia. "Dreaming in Cuban" inclui passagens sado-masoquistas. O romance é também um "texto exemplar" na CCSS. Além disso, juntamente com o estudo deste romance, professores e alunos são orientados a visitarem um site que apresenta uma entrevista com Garcia sobre seu mais novo livro - considerado pelos pais ainda mais perturbador.

O livro de Garcia está entre vários outros, os quais os oficiais das escolas sugeriram que os pais simplesmente enviassem um formulário "escolho não participar" em nome de seus alunos, caso fossem contra a seleção. Mas poucos pais são tão inocentes a ponto de pensar que um livro aprovado pela escola, que retrata sexo violento entre adolescentes, não terá efeito algum em ambiente escolar mais amplo. Um pai observou, "Minha filha se misturará socialmente com seus colegas, que absorveram tal livro, mesmo que ela mesma não o tenha lido. Como ela estará protegida da influência daquele livro sob seus amigos?". Outros ainda se preocupam com o aumento de queixas de sexo entre professores e alunos, e o efeito que um material tão erótico possa ter sob os alunos.


As escolas, especialmente as públicas, já são ambientes de alto risco em algumas comunidades, que têm lutado para controlar as drogas, o bullying e a violência. Tais textos aumentam a violência, gravidez precoce, e uso de drogas entre as crianças vulneráveis e suscetíveis? Tais romances podem ser entendidos como educacionais? Um pai chocado observou que o conteúdo em "Dreaming in Cuban", se filmado, seria classificado como R-17; mas como é listado pela CCSS, ele é usado nas escolas em "aulas" para adolescentes de 15 anos.

De acordo com um relato para a September Associate Press, Barbara Hansen, anteriormente professora de ensino fundamental em Sierra Vista, descreveu o livro para os oficiais da escola como "pornografia infantil". "Nós estamos agredindo suas almas com este tipo de material. É um deboche, e simplesmente não é digno dos nossos alunos", Hansen disse.

Superintendente escolar, Kriss Hagerl, explicou que se o distrito conhecesse o conteúdo dos livros, eles teriam pedido aos professores que escolhessem uma alternativa. "Aprendemos uma lição com isso, e vamos nos certificar de fazer ajustes para que isso não se repita", Hagerl declarou.

Mas isto acontece. Pais e professores preocupados vêem um padrão. Quando material gráfico ofensivo é levado aos oficiais das escolas, ele é frequentemente removido. Mais frequentemente ainda, no entanto, os oficiais tentam "educar" os pais defendendo a escolha como parte de uma fundação literária ampla que tem o intuito de apresentar aos alunos os ganhadores de prêmios Nobel (Morrison) ou perspectivas multiculturais (Latino e Black). E alguns oficiais mesmo, se sentem pressionados a defender os exemplares da CCSS como parte de sua identidade profissional.

As profundas falhas no sistema de currículo acadêmico e seus exemplares serve para lembrar os cidadãos da sabedoria na Décima Emenda. Educação pertence ao Estado; a comunidade local, onde os padrões da comunidade são melhores decididos pelas pessoas que conhecem seus moradores companheiros.

Uma CCSS nacional, centralizada, inexplicável e sem identidade não conhece nossos filhos. Ela caminha sob uma teoria não comprovada de reforma e experimentação social. Seu objetivo é um trabalhador americano padronizado - uma unidade de trabalhador com tecnologia "ligar e usar". Nosso objetivo é uma pessoa pensante, um cidadão com educação, cultura.

Texto original extraído do site Crisis magazine.

Sobre a autora:

Mary Jo Anderson é jornalista católica, e palestrante. Ela tem sido convidada frequente de "Abundant Life", um programa de televisão EWTN, e seu programa de rádio "Global Watch" é ouvido em rádios afiliadas EWTN nacionalmente. Ela escreve regularmente para a revista "Crisis" e é uma correspondente contribuinte para WorldnetDaily.com. Mais artigos e comentários podem ser encontrados em Properly Scared e em Women for Faith and Family. Mary Jo faz parte do conselho de Women for Faith and Family e serviu no Conselho de Diretores Legatus. Com o co-autor Robin Bernhoft, ela escreveu "Male and Female He Made Them: Questions and Answers about Marriage and Same-Sex Unions", publicado em 2005 pela Catholic Answers. Em 2003, Mary Jo foi convidada pela República Tcheca para discursar a parlamentares sobre o impacto do Feminismo Radical em Democracias Emergentes.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Crianças do Lami

É, eu sei. Nem bem saímos em férias e já estou de volta. Mas é por uma causa nobre, acreditem. ;)

Há algumas semanas, nosso pároco, o Padre Márcio, vem pedindo doações para o trabalho que um outro sacerdote, o Pe. Fernando, vem realizando na Comunidade São José do Lami. A comunidade tem cuidado de crianças no turno inverso ao da escola, oferecendo-lhes comida, lanche, atendimento psicológico, pedagógico e espiritual. Em nossa paróquia, temos arrecadado alimentos, como vocês podem ver no folheto da imagem. Mas ocorreu-me que, dada a grande quantidade de visitas que recebo aqui no blog, poderia fazer algo mais.



Não preciso dizer que as crianças do bairro Lami, aqui de Porto Alegre, são pobres. Mas, não bastasse a escassez de recursos materiais, há também casos de violência física, abuso sexual, sem falar na rotina emocionalmente alienante, dado o grande tempo  que as crianças passam diariamente longe da família.
Padre Fernando tem sido corajoso e ousado em muitos sentidos, inclusive contratando uma psicóloga por um valor mais alto que o sugerido pela prefeitura, correndo o risco de entrar em apuros financeiros, mas investindo no trabalho de alguém de confiança.

De minha parte, pensei em ajudar com algo que tivesse a ver conosco, com o trabalho que temos feito em casa, aqui no blog e na Rádio VOX, isto é, livros. Assim, convido a vocês, queridos leitores, a fazerem ainda um pouco mais neste final de ano, algo em favor das crianças que não os conhecem, mas que precisam de tantas coisas.

Quem quiser participar, sugiro duas maneiras:
  • Aos que quiserem doar exemplares, peço-lhes que enviem exemplares de livros novos ou em perfeitas condições. Entrem em contato comigo por email (encontrandoalegria@gmail.com) para que eu passe o endereço para doações.
  • Aos que quiserem doar dinheiro, sugiro o botão do PayPal ali ao lado, à direita. No entanto, quando do momento da doação, peço-lhes que a identifiquem com as palavras "doação de livros". Assim saberei que o valor deve ser revertido em livrinhos para as crianças do Lami.
No final de janeiro pretendo entregar as doações todas. Também pedirei ao Pe. Fernando que registre em foto o recebimento das doações, para que eu possa publicá-las aqui. Por último, apresentarei também uma lista completa com todos os livros e valores recebidos, bem como os respectivos exemplares adquiridos.

Por favor, ajudem-nos a fazer algo mais por essas crianças que têm tão pouco e em quem tão pouco se acredita!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Férias. Férias? Férias!

Este tem sido um ano inesperadamente especial, embora dramático em ocasiões diversas. Muitas coisas mudaram, assim como muitas coisas novas aconteceram. Comecei a compartilhar sobre minha família com vocês aqui no blog. Retiramos Chloe da escola. Abandonamos o protestantismo e tornamo-nos católicos. Perdemos amigos. Ganhamos inimigos. Conquistamos amigos. Recebemos, diretamente de Deus, cheio de saúde e paz, nosso Nathaniel, o terceiro filho. Começamos o programa na Rádio VOX. 

Como vocês vêem, muitas coisas para um ano só. Como vocês não vêem, mas por certo podem imaginar, o fastio já dá sinais. Dias atrás é que apercebi-me dele, quando senti um desejo de férias. 

Mas, afinal, em que consistem as tais "férias" para uma mãe que educa os filhos em casa e cujo marido não entrará em férias? Não, não se apiedem de mim. Não tenho lá grandes desejos por viagens no momento. Nem sinto a menor vontade de ficar longe dos meus filhos ou de minha casa. Para mim, as férias serão um tempo especial em que me permitirei focar noutras coisas, naquelas que, em geral, eu não me permito por estar concentrada totalmente na família.

As minhas férias, queridos leitores, não exigem muito, mas, no entanto, possibilitam imensidões: sem as aulas diárias, sem as muitas e necessárias pesquisas, sem o programa na Rádio VOX, sem as constantes atualizações do blog, sem as conexões instantâneas ao facebook, minhas férias me levarão diretamente para a França do século XIX, depois, a um retiro espiritual de valor inestimável, e, além disso, ao Império Romano. Sim, minhas férias estão condensadas em algumas milhares de letras, em poucas centenas de páginas. E eu não preciso de mais. E eu não quero mais. Não agora.

Eis aqui minhas férias: um clássico da literatura universal, um clássico da espiritualidade cristã e aulas de latim via web.

Creio, sinceramente, que neles obterei o fôlego que preciso para voltar com novo ânimo às aulas, às pesquisas, ao blog, ao programa na Rádio e ao facebook.

Até lá, aproveitem! Mas, como aconselhou o apóstolo, "remindo o tempo, pois os dias são maus".



http://www.rafaelfalcon.net/

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Hoje o tempo me deu uma rasteira

Hoje o tempo me deu uma rasteira. Fiquei no chão, estática, olhando ele correr disparado e me deixando para trás, sem pena, sem paciência, sem tempo. Hoje, minha Chloe surpreendeu-me duplamente. Justo ela, que ainda brinca com o Benjamin, que disputa com ele como se tivesse a mesma idade. Justo ela, que arruma as bonequinhas, que se desenha como princesa, às vezes com o terço na mão, outras vezes com a espada, quase uma Joana D'Arc.

Há poucos dias descobrimos o aplicativo Duolingo, para aprendizado de língua estrangeira. Temos usado os exercícios de inglês e ela tem adorado. Hoje à tarde, porém, fui colocar os meninos para tirar um cochilo e acabei cochilando junto por alguns minutos. Quando voltei, ela estava no facebook comentando uma foto de um rapaz que eu nem sei quem é. O rapaz estava sem camisa, musculoso, bronzeado. E ela havia escrito "muito bonita a sua foto". Fiquei chocada. Então ela já acha alguns homens bonitos?! Até pouco tempo ela achava horrível homens sem camisa!

Imediatamente ela começou a chorar. Não precisei brigar. Bastou que ela visse que eu havia descoberto para, pareceu-me, encher-se de vergonha. Pediu-me perdão em lágrimas, prometendo não mais fazer isso. Passado um tempo, expliquei-lhe, então, o porquê de ela não poder usar o facebook. Disse-lhe que existem muitos adultos malvados que enganam as crianças com fotos legais, bonitas, mas que só o que querem é fazer maldades. Expliquei que ela ainda é muito novinha, que ainda não sabe perceber quando uma pessoa é boa e de verdade ou quando é má e de mentira, e que por isso ela precisa obedecer a mim e ao Gustavo, não mexendo onde não deve. Ela concordou. Espero que obedeça.

Passado não muito tempo, veio ela novamente, surpreendendo-me pela segunda vez. Contou-me que às vezes tem um pensamento estranho. No pensamento, ela descobre que aquilo que ela vê através dos óculos não é a realidade, mas uma fantasia. No pensamento, quando ela resolve tirar os óculos, descobre, então, a verdade. E na "verdade" ela não tem nem mãe, nem pai, nem irmãos, nem casa, mas é órfã e vive na rua. Disse-me essa última parte quase em lágrimas, pois era um pensamento que a deixava triste. Contei-lhe, então, que quando eu era criança, tinha um pensamento parecido. No meu pensamento, tudo o que eu conhecia fazia parte de um sonho, ou melhor, de um pesadelo, e quando eu acordasse, tudo seria melhor e eu seria mais feliz. Imaginava-me uma princesa, muito bonita e amada vivendo em algum outro lugar. Ela riu. Disse-me que esse pensamento era engraçado (leia-se bobo) e foi brincar.

Espantou-me o seu pensamento e a sua percepção das coisas. Enquanto eu queria fugir de minha circunstância, minha filha ama a sua própria e teme perdê-la.

Deus é bom. A história não se repetiu. Mas o tempo continua a correr.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sexualização nas escolas (2)

Tenho recebido várias mensagens, comentários e emails a respeito do post "Sexualização nas escolas" desde a sua publicação, cerca de duas semanas atrás. Há desde gente agradecendo e relatando situações semelhantes vividas em outras escolas e em outras épocas, até gente dizendo que a cartilha é uma montagem, que não é distribuída pelo governo, que, no fundo, é uma boa ideia, afinal "se a gente não ensina, eles aprendem na rua" e outras pérolas ainda maiores.

Os fatos são os seguintes: com a publicação do post no Mídia sem Máscara, o número de pessoas que tomou conhecimento do caso cresceu de modo impressionante, de maneira que outras pessoas passaram a publicar em seus próprios blogues o meu texto. Num destes casos, o dono da página Libertar.in, Marcos Paulo Goes, achou por bem editar as imagens contidas na cartilha, colocando tarjas pretas sobre as genitais das figuras, acrescentando comentários como "É isso o que você quer para os seus filhos?", "Doutrinação Gayzista", "Cartilha do Governo para Crianças?" e ainda o selo do Ministério da Educação. Aos paladinos da verdade que me escreveram, deixo-lhes a pergunta: vocês amam tanto, mas tanto assim a verdade que não foram capazes sequer de jogar o nome do blog no google e averiguar o texto em sua página de origem? É esse tipo de "zelo" que vocês têm pela verdade? É sério ou é pegadinha?


Qualquer um que tenha lido o post aqui no blogue ou no Mídia viu que não coloquei nenhuma tarja sobre as imagens, nem escrevi comentário algum sobre as figuras, muito menos acrescentei o selo do Ministério. Os comentários que fiz foram escritos abaixo das imagens, não dentro delas, de modo que a confusão seria facilmente desfeita em coisa de dois cliques. Ou seja: as imagens publicadas por Marcos Paulo Goes são montagens; já as imagens que EU publiquei são totalmente verdadeiras. Portanto, A CARTILHA É REAL.

Além disso, há, no entanto, a alegação de que a cartilha não é distribuída pelo governo. Por favor, leiam o meu post novamente e me digam em que raio de lugar eu escrevi que a cartilha era distribuída pelo governo! O que eu disse, literalmente, foi o seguinte: "Restam dúvidas sobre as intenções do governo com tais cartilhas?" Explico o que quis dizer: nosso governo obriga as escolas a oferecerem isso que eles chamam de "educação sexual" (está lá nos Parâmetros Curriculares Nacionais), de modo que a única diferença existente entre as instituições públicas e privadas de ensino é que, enquanto as primeiras têm o material produzido e distribuído pelo governo, as segundas têm a opção de escolher o material a ser adotado. Ou seja, não há a opção "não ensinar pseudo-educação sexual"; o governo realmente quer que as crianças sejam submetidas a tais conteúdos, e quanto mais cedo, melhor, pois crianças e adolescentes reféns dos mais baixos instintos não costumam criar maiores problemas pelo resto de suas vidas.

Em outras palavras, cada vez mais a família é usurpada em seu papel de formadora moral das crianças, sendo substituída por um programa ideológico conformado às exigências globalistas. E o pior, a maioria das famílias já não vê mais problema algum nesse tipo de situação, ou, se vê, já não reage. O Brasil está em um estado de coma moral.


Por último, o que mais me espantou e revoltou nos textos que recebi foi uma espécie de "fundamentação cristã" para essa violência que o governo impõe às escolas e, consequentemente, às crianças. Houve até quem citasse o livro de Oséias (4:6) para justificar um tal absurdo! Como se o povo padecesse pela falta de conhecimento técnico sobre putaria e não pela falta do conhecimento de Deus! Há também quem jogue os filhos aos leões mas resguarde a si mesmo por detrás de chavões do tipo "é melhor que aprendam na escola do que na rua", "se a gente não ensina, a vida ensina", "isso tudo é hipocrisia, pois na hora de fazer, todo mundo faz". Sim, quem disse isso se diz cristão. Mas Pilatos é o que são.


Deixo abaixo a lista completa do material utilizado pela escola em que estudam as filhas da Rejane Soares, para que os sensatos se previnam e os safados se antecipem. 

Coleção Educação Sexual, de Cida Lopes.
1- Que confusão- Por que é tão difícil falar sobre sexo;
2- Adolescência- Feliz idade;
3- Aparelho reprodutor- Algumas diferenças e muitas semelhanças;
4- Puberdade- De lagarta a borboleta;
5- Relação sexual- Quando o amor faz a diferença;
6- Fecundação - O casamento perfeito entre o óvulo e o espermatozóide;
7- Gravidez- A magia da vida;
8- Gêmeos- Caixinha de surpresa;
9- Nem tão Rosa, nem tão azul - Ser menino e ser menina;
10- Parto - Na hora H.