quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Português

Ao longo deste ano, eu e Chloe abordamos os seguintes assuntos em língua portuguesa:
  • Masculino e feminino;
  • Sinônimos e antônimos;
  • Separação silábica;
  • Sílaba tônica;
  • Acentuação;
  • Pontuação (em parte);
  • Poesia (introdução ao assunto);
  • Rimas;
  • Soletração;
  • E leitura, muita leitura, em silêncio e em voz alta.
Como não sou professora de português, segui mais o instinto do que técnicas prontas. Elaborei as apresentações, explicações e exercícios. Até comecei a introduzir análise sintática, mas percebi que, apesar de minha filha compreender e conseguir encontrar um verbo numa frase, seu repertório de palavras e de construção de frases ainda era bastante limitado, de modo que seria bem mais produtivo a abordagem de um tal assunto quando sua familiaridade com a língua já estivesse maior. Assim, resolvi recuar um pouco e conduzir nossos estudos por um caminho diferente.



Há alguns meses, por indicação de um amigo, adquiri "A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia". O livro é uma das recomendações de Otto Maria Carpeaux em sua "História da literatura ocidental". Para Otto, trata-se da obra-prima, em prosa, da literatura infanto-juvenil do século XX. Aproveitando, então, a incontestável qualidade da obra, numa edição antiga o bastante (do tempo em que os revisores eram realmente bons e não deixavam erros idiotas serem publicados), resolvemos fazer mais o menos o seguinte até o final do ano:
  • Nalguns dias, Chloe lê duas ou três páginas do livro, seleciona as palavras que não conhece, procura-as no dicionário, anota seus significados e então releio as duas ou três páginas para que ela capte finalmente tudo o que está dito no texto;
  • Noutros dias, durante nosso horário de estudos, leio várias páginas em voz alta para dar mais velocidade ao enredo e assim despertar mais o interesse para o livro;
  • Em outros ainda, depois que Chloe lê as duas ou três páginas de praxe e me conta o que entendeu, dou-lhe uma série de exercícios sobre os antigos conteúdos, mas aplicados à obra, como separação silábica, sílaba tônica, etc. Depois leio as mesmas páginas novamente, em voz alta.
Dias atrás havia comentado sobre um material didático que adquirimos justamente para esse difícil período imediatamente após o nascimento do Nathaniel. Infelizmente, porém, não há a menor condição de usar o livro de português. E os demais servem mais ou menos como passatempos (farei um post sobre tal material futuramente). Assim, acredito que, apesar do improviso da situação, colheremos bons frutos com a nova estratégia adotada. E eu ganho mais tempo para elaborar os estudos para o ano que vem, que equivalerá, no caso da Chloe, à terceira série.

P.S.: Aos interessados no livro, sugiro uma busca na estante virtual. Consegui nosso exemplar num sebo aqui de Porto Alegre por míseros R$ 8,00 (sim, oito reais!).

P.S.2: Aqui e aqui você pode ver outros exemplos de algumas atividades em língua portuguesa que fiz com a Chloe.

10 comentários:

  1. Quantos anos ela tem?
    Futuramente os livros do Napoleão Mendes de Almeida(Gramática metódica da lingua portuguesa e gramática latina), serão de grande ajuda!

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  2. Ela tem sete anos. E a nossa intenção é iniciá-la no latim aos nove ou dez anos. =)

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  3. Camila, você pratica o homeschooling com sua filha? Ela não estuda em escola tradicional?
    Pretendo fazer com meu filho, mas não sei como lidar com a questão jurídica... você tem alguma dica para me dar?
    Obrigado.

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    1. Sim, Petrônio, pratico o ensino domiciliar com minha filha. Até o meio do ano ela frequentou a escola, mas desde então está só em casa, estudando comigo.
      A questão jurídica ainda é um tanto indefinida aqui no Brasil, pois não há respaldo legal, mas, por outro lado, não há proibição explícita. Assim, a questão fica muito à mercê do juíz que porventura vier a julgar o processo.
      De todo modo, o que tem acontecido é o seguinte:
      - Ninguém, aqui no Brasil, perdeu a guarda dos filhos por educá-los em casa;
      - Ninguém foi preso;
      - Algumas famílias foram obrigadas a matricular as crianças na escola;
      - Algumas famílias foram multadas;
      - Sobre essas duas punições, algumas cumpriram a determinação judicial enquanto outras a descumpriram, e nada lhes aconteceu.
      Ou seja, o mais difícil, ao que me parece, é ser capaz de suportar a pressão psicológica do conselho tutelar. Nada mais do que isso.
      Minha dica é a seguinte: procure agir com o consenso da família, tanto a nuclear quanto a ampla (informe-os, converse, mostre estatísticas, entrevistas, etc); e uma vez iniciados os estudos, tenha tudo bem registrado e datado, para que a alegação de abandono intelectual não se sustente.
      Acho que é isso. Se você tiver mais dúvidas, escreva-me novamente!
      Um abraço!

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    2. Ótimas dicas.
      Depois escrevo mais dúvidas. Obrigado pela disposição em ajudar.

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  4. Não sei se você pratica homeschooling ou não, mas isso não importa; a atenção que você dá à sua filha é fantástica. É importante que ela mantenha contato com os livros e que busque aumentar o repertório. Também mantive atenção sobre a educação de minha filha (hoje com 19 anos e na universidade). De modo geral, há exceções, é claro, os professores são muito, mas muito mal formados.
    Leciono em universidade há 37 anos. Hoje tenho alunos de 17, 18 anos, para quem a leitura da coleção Primeiros Passos é considerada difícil! A Internet (nasceram em 94, 95, 96!) os tragou de forma absoluta. São dependentes compulsivos do Facebook e resistem a focar em um assunto para discutir e analisar algo. O contato com os computadores e a rede é inevitável, mas administre isso com o máximo cuidado que sua filha se dará bem.
    PS. Acabei de comprar o livro que você recomendou sobre as aventuras de Nils Holgersson.
    Gutenberg Jota

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    1. Obrigada pelo incentivo, Gutenberg!
      Depois, diga-me o que achou do livro. Nós aqui estamos gostando muito! ;)

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  5. Camila, você é minha fonte de inspiração!

    Comecei o diário de nossas atividades como você sugeriu. E o melhor, tenho lido com eles o diário no final de cada dia de estudos. Esse hábito de elogiar cada avanço, enfatizar a importância de cada novo aprendizado teve um efeito fantástico no interesse pelo estudo por parte de meus filhos.

    Ontem o Martin (7 anos) e o Michael (4) queriam saber o que eu havia preparado para o dia seguinte. Então o Martin diz: “Mamãe, amanhã podemos aprender sobre biologia?” E o Michael para não ficar atrás, corre dizendo "Eu quero aprender sobre simbiose!". Biologia eu entendo que já escutaram o termo, pois a prima mais velha estuda biologia na escola. Mas de onde tiraram o termo simbiose? Em seguida a explicação do mais novo: do filme do "Homem-Aranha!" Fiquei emocionada com a iniciativa e lógico que atendi aos pedidos de ambos.

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  6. Oi Camila. Parabéns pelo seu trabalho! Tenho um menino de 9 anos que não esta se adaptando bem na escola

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  7. Mas não sei se daria conta de ensiná-lo em casa. Queria tentar uma matéria, de início. Como deveria proceder? Tb gostaria de indicações de leitura para a idade dele. Grata pela atenção , Elaine Rizzato

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