quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Nossa vida sem TV

Já que o último post deu o que falar, resolvi compartilhar com vocês um post antigo, de um já falecido blog que tive, onde conto como foi a nossa experiência com e, alguns dias depois, já sem a TV. A ideia aqui não é servir de regra, mas apenas de testemunho de como uma família pode, mesmo com duas crianças, mesmo num apartamento pequeno, passar um excelente ano sem a companhia da televisão. De lá para cá as coisas mudaram bastante: os livros, por exemplo, tornaram-se protagonistas, tanto no estudo quanto na diversão dos pequenos. Ou seja, as coisas só melhoraram.
Há exatos doze dias nos desfizemos de nossa televisão e eu já me arrependo... de não tê-lo feito antes.
Já há algum tempo essa era uma questão que me vinha inquietando. Não por mim, que não assistia coisa alguma, mas especificamente pelas crianças, que assistiam exclusivamente o Discovery Kids. Chloe já preferia, na maioria da vezes, assistir os desenhos do que procurar por algo para brincar e Benjamin chorava quando desligávamos o aparelho. Além disso, a enxurrada de propagandas de produtos que nada têm a ver com o universo infantil, como carros, viagens, produtos de beleza - sem falar nas campanhas à la Greenpeace - eram de um oportunismo nauseante.
Por outro lado, apesar do incômodo e da preocupação que a situação vinha gerando em meu coração, não queria colocar-me na posição de polícia da família, cortando uma diversão que também meu marido eventualmente gostava de usufruir, assistindo aos noticiários e às séries. Assim, antes de fazer qualquer coisa, resolvi orar a respeito, pedindo para que Deus fizesse a Sua vontade, convencendo, sem a minha influência, ao Gustavo sobre a necessidade de nos desfazermos da TV, se fosse este o caso. 

Passadas duas semanas, estávamos todos na sala, conversando, quando, na iminência de um desenho ruim, desliguei a televisão. Neste mesmo instante, Benjamin, como dizemos por aqui, abriu o berreiro, chorando e tentando de todas as formas possíveis ligar novamente o aparelho. Foi então que ohei para Gustavo e disse:

- Esse guri tá viciado em TV.

Ao que ele me respondeu:

- O que tu acha de nós darmos essa TV para outra pessoa?

Ali estava a resposta às minhas orações. Sorri e concordei, contando então sobre meu pedido a Deus. No dia seguinte a TV foi embora e nossa rotina foi grandemente modificada.

É claro que nosso tempo "livre" diminuiu muito - cá estou eu, pela terceira vez num intervalo de quatro dias, tentando concluir este post -, pois as crianças já não têm algo que prenda tanto a sua atenção. É claro que temos interagido muito mais, conversado muito mais, brincado muito mais, pesquisado muito mais e trabalhado muito mais juntos. Por conta disso, eu e Gustavo temos tido que estudar mais para termos mais recursos com os quais conduzi-las de uma maneira construtiva e divertida ao longo do tempo.
Algumas das coisas que temos feito com mais frequência ou intensidade do que antes são: conversar, brincar, "fazer nada" juntos, realizar alguma tarefa da casa - arrumar os brinquedos, os livros, secar a louça, levar as roupas limpas do varal para o quarto -, ler juntos - a série "A lenda dos guardiões" e a Bíblia todas as noites. Seguimos fazendo diariamente as tarefas da escola, mas acrescentamos algumas atividades de homeschooling de alfabetização e também exercícios de caligrafia. As novidades, no entanto,  têm sido duas:
1. O "lap book": uma espécie de livro de atividades variadas a respeito de um mesmo assunto. Temos trabalhado o tema "corujas", que são a febre do momento aqui em casa. No entanto, nem todo o dia consigo preparar alguma atividade para o lap book, mas, por incrível que pareça, Chloe está tão empolgada com a novidade que ela mesma procura elaborar alguma atividade;
2. A flauta doce: encontramos uma série contínua de bons tutoriais no youtube, preparados para crianças e educadores de crianças. Esta é uma atividade que o Gustavo realiza com a Chloe e os resultados têm sido muito bons! Apesar da impaciência quanto à falta de domínio do instrumento, Chloe mal termina de almoçar e corre, invariavelmente, para a flauta. Durante breves e muitos instantes ao longo do dia ela pratica, sendo que as aulas avançam somente quando uma familiaridade mínima com a nova etapa do aprendizado é adquirida.

Enfim, estamos mais cansados, mas, curiosamente, mais inteiros e mais unidos. Temos procurado fazer, com o auxílio e dependência de Deus, aquilo que temos convicção de que gerará bons frutos no caráter e no futuro dos nossos filhos.

9 comentários:

  1. Eu quase chorei lendo esse post. Pensei que não era possível não ter TV em casa e sempre sonhei em educar meus futuros filhos sem TV.

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  2. Que Deus continue abençoando vocês grandemente! Que faça transbordar em vocês unção, sabedoria, graça e discernimento, afim de que sejam sempre muito bem sucedidos nesta tarefa!!!!

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  3. Oi, Th.
    Seu sonho é perfeitamente possível. Eu própria, durante mais de um ano, em minha infância, fiquei sem TV. Eu tinha 9 anos na época e foi muito bom para mim. Foi a época em que peguei gosto em definitivo pela leitura.
    Além disso, ajuda bastante se pensarmos que, por mais estranho que hoje seja não ter uma TV em casa, foi só a partir da década de 60 que a TV começou a tornar-se popular aqui no Brasil. Antes disso as pessoas divertiam-se de muitos outros modos: aprendendo instrumentos musicais, declamando poesias, lendo em voz alta para toda a família, pintando, desenhando... Ou seja, na história humana a TV faz parte de um capítulo bem pequeno e ruim, por sinal. ;)
    Um abraço e obrigada pelo comentário!

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  4. Estou tirando esta tarde para ler seu maravilhoso blog e gostei muito deste post em especial, eu até mesmo já escrevi no blog que tenho sobre maternidade, que também penso em tirar a Discovery kids da tv de casa.

    http://www.amaternidademefascina.com/moema/sobre-televisao-smartphones-e-consumismo-infantil/

    E o maior problema, como foi para você, é a meu marido e as crianças já acostumadas.Eu também não ligo a mínima para tv, mas não tiraria o aparelho porque gosto de ver filmes. O que penso é limitar que assistam por uma hora por dia, já que o recomendado é de no máximo duas. parabéns pela iniciativa, e por tudo que faz em prol da sua família! Para mim e acredito que para muita gente que lê, tudo isso parece muito distante da realidade, pois 3 filhos 24 horas em casa, e ainda sem tv! Só falta agora você nos contar que não tem ajuda de empregada! Só Deus mesmo para operar esse milagre! Deus abençõe sempre e sempre.

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    1. Então senta aí, Moema, que vou te contar: eu não tenho empregada. :)
      Mas a minha casa não é um brinco. Faço o que posso e quem não gostar... que não goste! =D
      Um beijo e fiquem com Deus!

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  5. Estou impressionado e com vontade de tentar.

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  6. Também tiramos a tv de casa no início do ano. Tivemos mais ou menos a mesma experiência que você, do início ao fim do post. E também tem sido ótimo. E quando queremos ver alguma coisa vamos no computador procuramos o vídeo e assistimos.
    Parabéns pelo blog e pela sua família.
    Deus os abençoe.

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  7. Vou vender a TV amanhã e seu post ajudou a não desistir! Hehe. Obrigada família Abadie! Deus abençoe!!

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