sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ensinando o caminho estreito nos relacionamentos

Ontem à tarde, brincando na praça, Chloe e um amigo excluíram uma terceira criança das brincadeiras, pois "ele não quer brincar como a gente quer". No caso, o menino tinha que ser o prisioneiro e recusava-se a isso. Para piorar, o menino não tinha outras crianças para brincar e era visivelmente mais novo que a Chloe. Ele estava em total desvantagem, mas, apesar de triste, não cedeu.  

Chamei minha filha e perguntei-lhe se era assim que ela gostaria de ser tratada, se ela gostaria de ser excluída por não querer ser a prisioneira. Seu semblante descaiu e ela entendeu o que havia feito. Mas, como o sol já estava partindo do local onde estávamos, guardamos nossas coisas, nos despedimos do menino e sua mãe e fomos embora.

Lá no Evangelho de Mateus, Jesus disse o seguinte:
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.
Mateus 7:12
"Portanto, tudo o vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas." (Mateus 7:12)
Em seguida Jesus adverte que o caminho que conduz à perdição é largo, espaçoso e fácil de ser encontrado, enquanto que o caminho da salvação é estreito, apertado e difícil de ser encontrado.

Em situações como a que vivi ontem à tarde é comum ouvirmos de outros pais e também dizermos que é melhor "deixar que eles se entendam", ou, quando muito, repreendê-los dizendo que é errado, que não se deve brincar assim, que ambos os lados precisam entrar em acordo. No entanto, parece-me que, em todos estes casos, o mais importante é deixado de lado: o critério segundo o qual compreendemos que tal comportamento é reprovável e que precisamos intervir.

Chloe precisava, mais uma vez, exercitar sua capacidade empática. Precisava identificar-se com o menino. Precisava imaginar-se em seu lugar e lembrar que é ruim ser forçado e/ou excluído. Ela compreendeu imediatamente, pois vive isso na escola com frequência, e talvez justamente por isso tenha agido assim com o menino.

Não é preciso citar passagens bíblicas ou trechos de Immanuel Kant para a criança perceber que este não é o jeito correto de resolver as coisas e de tratar outra criança. É só ajudá-la a imaginar-se no lugar do outro. Então torna-se bem mais fácil fazê-la evitar tal comportamento e passar a buscar modos mais amigáveis de brincar e se relacionar, fazendo aos demais aquilo que gostaria que fizessem a ela.

Há quem diga que elas, as crianças, precisam se virar, precisam aprender a se defender, a lidar com as disputas, etc. Eu também acho. Mesmo. Só não acho que virar-se, defender-se e conseguir vencer disputas sejam coisas a ser aprendidas com base em princípios errados, a todo o custo, sob o pretexto de que "são só crianças". A infância é uma preparação para a adultez, e a criança egoísta, rude, inflexível, indiferente, ou o que for, não tornar-se-á alguém diferente a menos que alguma intervenção aconteça. É preciso, sim, que desde pequena o caminho correto lhe seja ensinado, não teoricamente, mas na prática, nas pequenas coisas do seu mundo, pois este é o caminho da consciência em paz, da obediência a Deus, da alegria e da salvação de suas almas. Sim, é estreito! e por isso mesmo precisamos acostumá-las a ele!

Que Deus nos mantenha atentas aos caminhos dos nossos pequenos e nos encha de zelo e de sabedoria para guiar-lhes segundo a vontade de Deus, em amor!

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