quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A importância das boas músicas

Tem se tornado cada vez mais difícil passar por aqui e compartilhar coisas que acho que são úteis ou importantes para as famílias homeschoolers. São muitos os projetos nos quais estamos envolvidos, e há ainda novas coisas surgindo, por isso, pela necessidade de priorizar, o blog, que foi o começo de tudo, acaba ficando para trás. Ainda assim, porém, quero compartilhar com vocês algumas coisas bonitas que temos usado e feito por aqui.

Eu e Gustavo, na vida adulta, nunca fomos apreciadores de músicas populares. Sempre que colocamos alguma música, ou é clássica, ou é sacra. Raras vezes Gustavo varia um pouco o repertório acrescentando alguma música regional gaúcha ao menu. Por isso, desde sempre, nossos filhos foram acostumados com boas músicas, ainda que não saibam os nomes dos compositores/autores e das músicas, pois fazemos tudo de maneira muito tranquila e informal.

Assim, vindo a complementar um pouco mais esse hábito, recebemos de uma amiga a indicação de um excelente livro que agora passo adiante para vocês. O llivro é A música erudita, de Ibrahim Abrahão Chaim. 


Obviamente a obra não é completíssima, pois, como em toda seleção, alguns autores ficam de fora, mas vejam vocês como os temas abordados realmente suprem muitas carências, pois fazem conhecidas coisas que, para quem é leigo, podem soar bastante difíceis de entender. Chloe têm adorado e já leu boa parte dele.

Além do livro, recomendo ainda um cd disponível no archive.org chamado A Child's Introduction to the Orchestra onde há uma música para apresentação de cada um dos instrumentos. É perfeito para quem não conhece ou não consegue distinguir os sons deles, mas, sobretudo, é divertido para as crianças menores.

Para quem ainda não entende a importância de ensinar esse tipo de coisa às crianças, ou melhor, para quem não entende a importância de expô-las a boas músicas e protegê-las dos lixos sonoros que nos cercam, deixo aqui um trechinho de uma aula do prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto na qual ele explica melhor a questão.

Por último, deixo ainda uma sugestão que alia boa música a desenhos antigos: escreva Silly Simphony Compilation no youtube, escolha um álbum e divirtam-se. Ainda não assistimos todos aqui em casa, mas dos que vimos, gostamos. São fábulas clássicas musicadas, ou então histórias bobinhas com músicas incríveis. O único que não deixo as crianças assistirem é o The Skeleton Dance. Então, pais, antes de colocarem as crianças a assistir, assistam primeiro, por favor, e vejam o que é e o que não é adequado a elas, ok?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Abertura à vida: plena confiança em Deus

Não é novidade que eu e meu marido temos quatro filhos. Mas talvez seja novidade para quem nos acompanha há pouco tempo que somos abertos à vida, isto é, que não fazemos nenhum planejamento familiar, não adotamos controle algum de natalidade, nem artificial, nem natural. Em outras palavras, não, a fábrica não fechou, para horror dos parentes, amigos, inimigos, médicos e ativistas por um mundo melhor - todos aqueles que, graças a Deus, não pagam nossas contas.

E por falar em contas, ao contrário do que se possa pensar, nossa decisão não tem absolutamente nada a ver com questões financeiras. Não, nós não somos ricos - e não somos mesmo, diferentemente daqueles que dizem isso para posar de modestos e são hipócritas, pois têm todas as garantias possíveis para viver uma vida tranquila. "Mas minha nossa, que irresponsabilidade!", muitos de vocês devem estar pensando, e, bem, este é um modo de ver as coisas, mas não o nosso.

Nós somos cristãos e acreditamos que toda a vida é fruto da vontade de Deus. Sim, bem assim mesmo, bem "medieval" mesmo - como adoram xingar os modernosos, e como se isso fosse de fato um xingamento. Não achamos que a vida é um mero fato biológico, fruto da combinação de óvulo e espermatozóide pura e simplesmente. Admitir algo assim seria assumir uma visão mecanicista da criação, onde Deus teria apertado um botão de "start" lá no início dos tempos e depois largado tudo, deixando por nossa conta e risco todo o resto. Não pensamos assim.

Sabemos que Deus vive e age hoje, agora, neste instante e em todos os demais, em todos os lugares; acreditamos que se Ele não disser "faça-se a luz!", vida alguma surge e se mantém, por mais jovem, saudável e fértil que se possa ser - quem não conhece pessoas que, mesmo sem problema orgânico algum, não conseguem engravidar? E quem não conhece ao menos um caso de vida que surgiu de quem menos se achava possível? - Sei que isso soa estranho - às vezes apavorante -, até mesmo entre cristãos, mas ou Deus governa nossas vidas por completo, incluindo nossos bolsos e corpos, ou lançamos mão de qualquer desculpa para nos considerarmos muito maduros e responsáveis, fugindo da plena entrega e confiança para a qual Ele não cessa de nos chamar.

Aos que repetem o chavão "botar filho no mundo é fácil; quero ver criá-los", afirmo: de fato, seríamos os mais levianos e sem-vergonhas se, invocando a Deus sobre a geração de nossos filhos, não O invocássemos também para que nos desse todo amor, sabedoria e condições para bem criá-los. Abrir-se a receber todos os filhos que Ele nos enviar não é uma disposição satisfeita quando abrimos mão do anticoncepcional, da camisinha ou do MOB, deitamos, amamos e levantamos da cama: ali é só o começo de tudo, o início de uma jornada de santificação que deve conduzir à eternidade. Assim, acreditamos que a abertura à vida só é real quando nos dispomos a confiar o tanto que Ele espera que confiemos; só é real quando nos dispomos a servir o tanto que Ele deseja que sirvamos; só é real quando nos dispomos a morrer para nós mesmos o tanto que Ele deseja que nós morramos; e tais medidas só quem as sabe é Ele, não nós. 

 
Será que realmente acreditamos em Jesus quando disse que nem sequer um mísero fio de cabelo cai da nossa cabeça sem que Deus o saiba e permita? Se Ele é capaz de conhecer e zelar por coisa tão indiferente como um fio de cabelo, não o seria ainda muito mais pelas vidas que sopra nos ventres maternos e pelas nossas próprias vidas? Senhor, aumenta nossa fé!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Há 150 anos nascia a "Espalha brasas"



Neste ano comemora-se os 150 anos de nascimento de Laura Ingalls Wilder - que era carinhosamente chamada por seu pai de "Meia canequinha de sidra doce meio bebida", "Canarinho" ou "Espalha brasas" -, uma das nossas escritoras favoritas e mais constantemente lidas aqui em casa - juntamente com a Condessa de Ségur e Monteiro Lobato. 

Conhecida principalmente graças à série de TV inspirada em seus livros - "Os pioneiros" -, os nove pequenos volumes que narram desde a sua infância, passando pela adolescência, chegando até aos quatro primeiros anos de casada, relatam a maravilhosa e empolgante vida perfeitamente... normal. Sim, eu sei que soa esquisito colocar as coisas desse modo, mas, de fato, o mais incrível nas obras de Wilder é sua a capacidade de nos reconectar com a realidade e com um tempo - não tão distante do nosso - em que a cultura popular era fruto de herança e promotora da saúde dos povos - e não de engenharia social para a nossa destruição.

Nas obras de Laura, somos levados de volta à época da expansão dos Estados Unidos a oeste, já então não mais uma colônia inglesa, mas uma república independente. Em tais livros, mudam-se os locais, pois a família emigra diversas vezes; mudam-se algumas personagens, pois eles afastam-se de parentes e conquistam novos amigos; mudam-se os desafios, por vezes lutando contra nevascas, contra doenças, contra índios e contra furacões; mas há coisas que jamais mudam: a simplicidade da vida, a união familiar, o trabalho duro e o sacrifício constante uns pelos outros.

Assim, é neste sentido que digo que as obras de Wilder nos reconectam à realidade, porque nos permitem vislumbrar uma vida erguida e mantida graças aos esforços dos próprios braços: uma vida muito prática, sem desculpas, sem omissões, sem desistências, sem ressentimentos e sem as facilidades tecnológicas que tanto nos afastam do contato direto com nosso entorno - nos alienando - quanto nos fazem perder a força e o vigor físico e moral.

Costumo dizer que a boa literatura é curativa, pois nos liberta de uma porção de doenças espirituais. E este é precisamente o caso dos livros de Laura Ingalls Wilder, os quais, embora sejam infanto-juvenis, podem ser lidos com grande proveito também por nós, adultos. Ao nos descortinar uma época em que o estilo de vida das pessoas era muito mais simples, modesto e trabalhoso, Laura, provavelmente sem o querer, nos mostra como a "praticidade" moderna termina por nos apalermar e como dela precisamos bem menos do que imaginamos. 

Enfim, deixo aqui minhas palavras de incentivo a você que ainda não conhece esses livros (e o link para o primeiro deles), bem como minha gratidão ao testemunho de vida de Laura.

O caminho das pedras

Àqueles que acabaram de chegar aqui vindos do e-book da Gazeta do Povo, um aviso importante: este nosso humilde blog, embora conte já com mais de quatro anos de publicações, não se presta exatamente ao propósito de guia aos interessados em homeschooling. Aqui, o que vocês encontrarão é algo muito mais próximo de um diário do que qualquer outra coisa, de modo que a utilidade do espaço está em conhecer um pouco sobre a rotina de uma família homeschooler.

Contudo, para não deixar a ver navios quem se interessa de fato sobre o assunto e cogita praticar o homeschool com os próprios filhos, deixo aqui uma sugestão bem mais oportuna: o nosso curso Homeschooling 1.0. Lá encontra-se toda a base para quem realmente quer botar a mão na massa, com aulas específicas sobre questões jurídicas, pedagógicas, metodológicas, históricas, psicológicas, sugestões de materiais e muito mais. Clique no link e confira!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

4 anos, Dante, 1,2,3

Hoje o blog completa quatro anos de atividade! Embora soe piegas, não é falso dizer que encontramos e continuamos a encontrar muita alegria neste caminho. É verdade que as postagens por aqui diminuíram, e isto fundamentalmente por conta das demais frentes de trabalho que desenvolvemos (se quiser conferir, veja aqui e aqui), mas o dia a dia do homeschool permanece firme e forte, abundante em bons frutos.

Assim, venho compartilhar com vocês, nossos fiéis leitores, a recente descoberta de dois livros que podem ajudá-los com os estudos das crianças.


Ainda que eu evite tanto quanto possível as adaptações (e nesta palestra eu explico o porquê), o primeiro deles é uma versão adaptada para crianças de Divina comédia. "Oh! Meu Deus! A Divina comédia para crianças! As pobrezinhas terão pesadelos!". Sim, eu também tive receio e até guardei o livro em um primeiro momento (não em função da Chloe, mas pensando no Benjamin), contudo, o próprio Benjamin foi atrás do livro e, folheando-o, ficou interessadíssimo. Desde então temos lido umas quatro páginas por dia, ele tem gostado muito e em momento algum teve medo ou pesadelos. Pelo contrário, o livro nos deu ocasião para falarmos sobre muitos pecados, sobre a justiça e misericórdia divinas.





Enfim, percebi que a Divina comédia, ainda que adaptada, tem sido uma boa introdução ao clássico de Dante e uma fonte de reflexões importantes e necessárias. Para quem pretende utilizar a metodologia clássica no homeschool, trata-se de uma boa ferramenta para um primeiro contato, para uma visão geral do conteúdo do livro. Sem mencionar as excelentes, maravilhosas ilustrações. Claro, cada pai e mãe precisa avaliar se tal obra convém aos seus filhos na idade em que estão ou não. Além dela, há ainda A Ilíada, A Odisséia, A Eneida e Os cavaleiros da távola redonda na mesma coleção, pela Editora Paulinas.

O segundo livro foi indicação da amiga Waleska Montenegro (seu perfil é um verdadeiro baú de excelentes sugestões de materiais e livros para crianças menores) e o temos usado com o Nathaniel, agora que ele resolveu "escrever letras". Trata-se do Aprendo a contar, que serve, basicamente, para treinar o traçado dos números infinitas vezes, pois sua superfície é plastificada e permite que apaguemos o que foi escrito. Além dele, há também o Aprendendo a ler, que trabalha o traçado das letras. Ambos são bilingues, o que auxilia àqueles que querem introduzir algum vocabulário em inglês nas atividades das crianças.


A única coisa ruim é que a caneta que acompanha o livrinho veio completamente esgotada, de modo que temos usado uma caneta molhada para fazer os exercícios (mas uma canetinha comum deve resolver o problema, imagino eu).

Espero que as sugestões tenham sido úteis. Até breve!